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Fundação do PT faz pesquisa na periferia e constata o óbvio: a maioria é de direita

Nenhuma novidade.

Os partidos políticos têm fundações a eles ligadas, no geral com foco em pesquisas e afins, é onde estão – ou vão parar – boa parte dos ‘intelectuais’, entre outros. A do PT é a Fundação Perseu Abramo, que acaba de divulgar uma pesquisa feita na periferia de São Paulo.

O trabalho teve como foco o eleitorado fiel do partido, que nele votou de 2002 a 2012, mas nas duas últimas eleições (2014/2016) “trocou de lado”. É um largo contingente, pois muitas pessoas realmente deixaram de votar na legenda, e faz sentido que tentem descobrir os motivos.

Um resumo: o povo é anti-esquerda. Nenhuma novidade para o querido leitor deste site. Falamos do tema algumas vezes; exemplos: aqui e aqui.

Mas, independentemente de ser uma grande obviedade, o trabalho traz conclusões divertidíssimas, sobretudo quando se imagina a cara da rapaziada altamente esquerdista tendo de lidar com isso.

TUDO a seguir, entre aspas, é retirado do próprio documento:

“No imaginário da população não há luta de classes; o ‘inimigo’ é, em grande medida, o próprio Estado ineficaz e incopetente (…)

A ascensão social está relacionada à coragem, ousadia e disciplina e é tratada como um resultado individual derivado da força de vontade. Muitas vezes isso significa estabelecer um sentimento de solidariedade mais estreito com os próprios empregadores do que com aqueles que partilham a mesma condição de classe (…)

A lógica mercantil está presente mesmo na interpretação dos direitos trabalhistas e benefícios sociais (…)

Há uma busca por identificação com histórias de superação e sucesso (…) a figura de Lula é admirada menos pelas politicas que o governo dele implementou, ainda que essa seja uma dimensão importante, e mais porque ele próprio é um bom exemplo de ascensão social (…)

Atenção para o discurso que nega o ‘mérito’ → ele é importante na construção da identidade.

A dimensão da vida privada é central para a constituição da subjetividade do indivíduo. O campo democrático-popular precisa produzir narrativas contra-hegemônicas mais consistentes e menos maniqueístas ou pejorativas sobre as noções de indivíduo, família, religião e segurança (…)

Este cenário de descrédito da política, compreensão do Estado como máquina ineficaz somada à valorização da lógica de mercado e a ideologia do mérito abrem espaços para candidatos e projetos como o do João Dória ‘um não político, gestor trabalhador que ascendeu e, por isso, não vai roubar’…” (grifamos)

Nada de novo. O povo acredita no trabalho, no mérito, não cai na conversa da luta de classes, defende a família e a religião. Tudo, exatamente tudo, que a esquerda condena e ataca.

E a vitória do PT – de Lula, na verdade – se dá mais pela história pessoal de superação (meritocracia) do que por políticas públicas – e tanto menos seria pela defesa explícita do esquerdismo (o líder do partido sempre foi esperto o bastante para passar longe disso).

NOSSAS CONCLUSÕES

a) O PT é mesmo um partido profissional e eficiente, e tal pesquisa comprova isso;
b) Agora está documentado: só ganham eleição abrindo mão do esquerdismo.

Fonte: Fundação Perseu Abramo - documento em pdf

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