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Governo e base articulam operação para abafar CPI. Governadores não seriam investigados.

Se depender do Congresso, eles não serão investigados.

Parece que o único alvo da ‘CPI do Cachoeira’ será mesmo o senador sem partido Demóstenes Torres. Temendo um desgaste na imagem do governo, o Planalto já esboça um acordo para evitar uma investigação mais aprofundada a respeito do envolvimento do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos.

Abaixo a reportagem do Estadão:

BRASÍLIA e CURITIBA – Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma “operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ficariam fora do radar deputados flagrados em escutas com integrantes do esquema, os governadores petista Agnelo Queiroz (DF) e o tucano Marconi Perillo (GO), além do ex-ministro José Dirceu. A única exceção seria o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teve 298 conversas telefônicas com Cachoeira grampeadas pela PF nos últimos três anos. O senador está sendo investigado também pelo Conselho de Ética e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A “operação abafa” é resultado da pressão da presidente Dilma Rousseff para que setores do PT defensores da CPI do Cachoeira tenham calma e não usem a comissão como palco de vingança, o que poderia causar danos políticos ao governo.
Dilma conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a CPI na sexta-feira, em São Paulo, conforme revelou o Estado.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu nesta segunda-feira, 16, que a CPI investigue os negócios de Cachoeira e não se transforme numa disputa política entre governo e oposição. “Queremos é desmantelar esta rede de poder paralelo que foi constituída por esse cidadão chamado Cachoeira e que vai desde o Legislativo, passa pelo Executivo e pelo Judiciário, pelo setor privado e pela imprensa brasileira.”

“Todos serão investigados independente de onde estejam, de qual papel tenham cumprido”, afirmou Maia, a despeito da operação abafa em curso no Congresso. Ele negou que o PT queira barrar as investigações.

Até a semana passada arauto de uma investigação que atingisse as entranhas da oposição, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), adotou um discurso conciliador. “Acho um exagero chamar o Agnelo Queiroz (governador do Distrito Federal, do PT) e o Marconi Perillo (governador de Goiás, do PSDB)”, disse o líder, ao responder se os dois deveriam ser convocados pela CPI. Em seguida, porém, retomou a luta política: “O envolvimento do governador do PSDB com Cachoeira é muito maior. É mais razoável chamar o Marconi do que o Agnelo”.

O movimento em gestação no Congresso visa a salvar os políticos ao mesmo tempo em que tentará fazer com que a CPI concentre suas investigações no contraventor Carlinhos Cachoeira e nos empresários mais citados nos grampos da Polícia Federal, como Fernando Cavendish, dono da Delta Construções S.A. e Cláudio Abreu, representante da empresa no Centro-Oeste.

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Enquanto o senador Demóstenes Torres viu-se compelido a renunciar pra não passar pelo constrangimento de ser expulso do DEM, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, ganha o apoio incondicional de seus pares. O pior é que as lideranças petistas já admitem a ligação espúria de Queiroz com o contraventor. Para Jilmar Tatto, por exemplo, apesar dos grampos da Polícia indicarem a ligação de Agnelo com o grupo do bicheiro, é mais razoável convocar o governador tucano Marconi Perillo do que o governador petista porque, nas palavras do parlamentar, o envolvimento do tucano seria “muito maior”. Como vocês podem perceber, para os petistas, a probidade é apenas uma questão de quantidade.

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