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Graças à campanha, Dilma só esteve no Planalto 5 vezes nos últimos 2 meses

Enquanto isso, a inflação explode o teto da meta e já chega a 6,75%, o maior valor desde 2011.

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Uma das preocupações mais evidentes de quem se coloca contrário às reeleições é a impossibilidade um gestor estar em dois lugares ao mesmo tempo. A presidente Dilma Rousseff, no entanto, vem sem qualquer pudor relegando a segunda importância a sua condição de presidente. Nos meses de agosto e setembro, priorizando sua condição de candidata, ela esteve no Palácio do Planalto apenas cinco vezes — sendo a última delas em 19 de setembro.

A presidente tem recebido ministros e aliados no Palácio da Alvorada, a residência oficial. Em determinados encontros, assuntos de governo até são discutidos, mas em geral eles ocorrem para tratar da campanha eleitoral.

A falta de comando pode estar deixando o país cada vez mais sem rumo. Enquanto Dilma se ocupa com a campanha, a inflação continua em ascensão. Com o acumulado de setembro, o índice atingiu 6,75% nos últimos 12 meses, ficando 0,25% acima do teto estabelecido pelo governo.

Foi a maior inflação em 12 meses registrada desde outubro de 2011 (6,97%). De janeiro a setembro, a inflação oficial é de 4,61%, também acima do verificado nos nove primeiros meses do ano passado, quando o IPCA aumentou 3,79%.

Esse conflito de interesses traz à tona a discussão sobre o fim da reeleição, que é defendido por Aécio Neves, candidato do PSDB. Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno das eleições, também faz coro pelo mandato único.

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, reafirmou na tarde desta terça-feira que é contra a reeleição. Marina Silva, do PSB, derrotada no primeiro turno da eleição, também defende a medida e fez dela uma dascondições para apoiar o tucano contra a petista Dilma Rousseff. “Essa proposta do fim da reeleição já está nas nossas diretrizes. Eu defendo há muito tempo. Vejo que há convergências importantes ente as propostas de governo da Marina e as nossas”, afirmou o presidenciável.

Se a reeleição deve ou não acabar, só haverá uma melhor noção quando o assunto for colocado em pauta no legislativo brasileiro. Fato é que o modelo atual gera nítidos obstáculos ao exercício da democracia. Conta a favor do governo todo o peso de sua máquina e a disputa se mostra bastante desigual, com a presidente tendo, só de TV, quatro vezes mais tempo que seus principais adversários. É de se perguntar se, numa disputa com menos desigualdade, a candidata da situação teria conseguido ir a segundo turno. Fato é que a aprovação do seu mandato só voltou a se recuperar depois da veiculação dos seus longos programas eleitorais. Ao se confrontar isso com a inflação em curva de crescimento, conclui-se que a propaganda vem de fato distorcendo a realidade. Se a oposição não faz seu trabalho corretamente, o brasileiro corre o risco de manter no poder uma obra de ficção.

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