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Haddad descumpre promessas e a Folha aplaude

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A quebra anunciada – e oficial – de promessas de campanha, feitas por Haddad, não causa espanto a quem seja mais atento aos procedimentos políticos do PT. É um daqueles momentos de levantar plaquinhas imaginárias de “Eu Já Sabia”. Mas chama atenção o engajamento da Folha de São Paulo.

O Plano de Metas – uma obrigação legal – foi tratado de maneira ambígua pela Folha, quando de seu lançamento; com direito a uma pesquisadora opinando positivamente e elogio do editor do caderno quanto à lei em si (mesmo com o texto, na prática, desmentindo cada letra da manchete).

Mas o melhor (pior?) vem agora: um editorial, publicado ontem, defendendo sem medo de ser feliz a decisão do prefeito de sumir com as promessas de campanha. A Folha de São Paulo tratou nos termos seguintes a trapaça ao eleitor:

“O certo e o duvidoso – Plano de cem metas de Haddad é mais focalizado que o de Kassab, mas falta priorizar o que pode ser feito com verbas já asseguradas (…) Rescaldado pela experiência do antecessor, Haddad listou apenas cem objetivos em seu plano. Na campanha eleitoral, prodigalizara 728 promessas. Um programa de metas não precisa -aliás, não deve- incluir tudo o que será feito pela prefeitura. Seu papel é indicar prioridades para acompanhamento. Além disso, alguns objetivos de Haddad são mais ousados que os de Kassab -por exemplo, 150 km de corredores de ônibus contra 66 km.”

O editorial faz parecer que se trata de uma sistematização técnica, por meio da qual haveria o ônus de não trazer todas as promessas de campanha. Mas não é isso, obviamente. O texto consiste numa variante do famigerado “elogio da esperteza”.

Entre as várias promessas agora esquecidas e oficialmente omitidas das metas de gestão, há algumas não apenas importantíssimas, mas frequentemente abordadas pela própria Folha como pautas. Até o final da gestão passada, o jornal destacava repórteres e elaborava editoriais e colunas para descer a lenha no que agora o “prefeito novo” não fará – apesar de ter prometido.

Três exemplos interessantes de promessas excluídas do plano de metas: urbanização de favelas, investimento no metrô e criação de bases móveis da GCM. O mesmo jornal que – com razão – tratava criticamente das favelas, do transporte público e da segurança, vejam só!, agora nem menciona essas omissões em editorial que trata das metas da nova gestão.

E a militância – aquela que prefere o partido às bandeiras, sejam quais forem – faz de conta que o abandono dessas promessas não seja falha grave. Os mesmos que imputavam crime a qualquer incêndio de favela agora se calam. Até aí, normal (para eles).

A novidade é o apoio do “PIG”. No fim das contas, a chegada do amor a São Paulo não era promessa vazia: nunca se viu tantos enlaces institucionais românticos até então improváveis (mas não totalmente inexplicáveis).

Quem perde é a cidade.

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