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Haddad, para quem esperava algo, um primeiro ano decepcionante

Se 2013 foi um ano complicado para o prefeito de São Paulo, foi tão ou ainda mais para quem o elegeu.

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Quando a popularidade de Fernando Haddad caiu para 18% de aprovação em pesquisa do Datafolha de 27 e 28 de junho, o próprio PT fazia pouco caso dos números dizendo serem eles parte de uma insatisfação geral do brasileiro para com o Brasil, ou simplesmente um reflexo natural dos protestos do inverno passado. O raciocínio de fato se aplicou a alguns de seus nomes, como o de Dilma Rousseff, que andou se recuperando nos meses seguintes. Cinco meses se passaram mas, no entanto, o prefeito de São Paulo permanece no mesmo patamar, com rejeição só comparável ao primeiro ano das recentes administrações Pitta e Kassab.

De fato, 2013 não foi um bom ano para o petista. Logo de cara, com pouco mais de três meses no cargo, enfrentou protestos de grupos organizados que pediam mais moradias populares. Haddad prometeu ajuda, mas não cumpriu: centros de atendimento a moradores de rua foram abandonados sob os cuidados do PT. E a situação dificilmente melhorará uma vez que o ex-ministro da educação reduziu em 15% a verba para áreas sociais mesmo com um recorde de aporte na casa dos 6 bilhões vindo do governo federal.

Mas essa esteve longe de ser a única promessa ignorada. Durante a campanha, o marketing do PT insistiu numa melhor distribuição dos investimentos na cidade. Entretanto, concentrou as principais atrações da Virada Paulista no centro da cidade, ignorando ajustes já feitos em gestões anteriores. O resultado: o evento teve arrastões, brigas, assaltos e até mortes. O repasse de verba às subprefeituras, que poderia também ser usado para essa prometida descentralização dos gastos públicos, teve um aumento de apenas 2,5%, bem abaixo da inflação do último ano.

Contudo, nenhuma quebra de acordo foi tão escandalosa quanto a do Arco do Futuro: principal promessa de campanha, mostrou-se perfeitamente viável na cabeça dos publicitários que a inseriram em suas inserções de TV e simplesmente inviável quando finalmente se fez um orçamento dela.

No entanto, o grande tropeço de Haddad se deu na condução do aumento das passagens de ônibus. Não dá para negar que protagonizou algum esforço para manter a correção abaixo da inflação. Mas, em vez de aproveitar as férias escolares para validar o reajuste evitando assim protestos do movimento estudantil, atendeu a pedido de Dilma Rousseff em mais um esforço de Guido Mantega para mascarar números inflacionários e jogou para maio a nova tarifa. O resultado foram os protestos de junho e o aumento recorde de IPTU para arcar com os tais 20 centavos. IPTU este que teve a aprovação marcada por manobras sujas da parte da base governista impedindo que o debate passasse por uma audiência pública.

Numa tentativa de recuperar a imagem abalada, o prefeito iniciou uma caça às bruxas inédita desde que o PT deixou de ser pedra e passou a ser vidraça: Haddad tentou de todas as formas possíveis vender a ideia de que seria a cabeça por trás da investigação que derrubaria uma quadrilha que desviava ISS da prefeitura. O tiro no pé, no entanto, foi tão certeiro que o principal punido até o momento foi o seu “homem forte”, o secretário de governo Antonio Donato.

Mesmo quando fez aquilo que parece ser mais necessário, Haddad mereceu críticas. É fato que suas intervenções no trânsito aumentaram em vários quilômetros os corredores de ônibus. Mas, se estas mudanças não foram bem aceitas pelos motoristas que aproveitaram as reduções de IPI do governo Lula e Dilma para adquirir os seus veículos, os pedestres reclamaram das mudanças de itinerário de várias linhas, principalmente na Zona Leste. É evidente que há um grave problema de diálogo da administração para com seu eleitorado. Todavia, é preciso antes corrigir os problemas internos de comunicação e assim evitar que novos abrigos sejam instalados em ruas que não estão servidas com transporte público.

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