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Imprensa acordando: colunista fala do apoio popular a Jair Bolsonaro e o compara a Trump

Análises desse tipo tem sido raras na grande imprensa.

Imagem: Jovem Pan

Goste-se ou não do deputado, é fato que Jair Bolsonaro tornou-se um fenômeno. O problema é como lidar com isso, e essa é a abordagem central do artigo da colunista convidada Ana Estela de Sousa Pinto na Folha de São Paulo.

Seguem trechos, voltamos em seguida:

“As ideias e o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) são tão diversos das de boa parte da classe média alta brasileira que parte dos formadores de opinião pode achar que ele é apenas uma piada de mau gosto. Ou, para alguns dos que se definem como “de esquerda”, a melhor estratégia é a do avestruz: enfiar a cabeça na areia, fingir que ele não existe e torcer para que ninguém mais fale no assunto. São dois enganos, mostram os exemplos recentes das eleições filipinas e americanas, nas quais Rodrigo Duterte e Donald Trump foram eleitos rezando o mesmo credo que Bolsonaro faz questão de reforçar (…)

A figura de alguém resoluto, não influenciável e que cumpre suas promessas encontra respaldo na frustração popular (…) As forças políticas que se opõem à possibilidade de o deputado federal do PSC chegar ao principal cargo do país deveriam levar essa possibilidade a sério. Na batalha populista, nunca é simples nem fácil contra-atacar.” (grifamos)

O texto não é positivo a Bolsonaro, como se pode notar, mas o diagnóstico acerca de sua popularidade não está errado: a classe média alta imagina que todos pensam da mesma forma (a forma esquerdista), mas o povo não quer saber de nada disso. Alguns então fingem que nada acontece, outros acham que não terá importância. Já falamos a mesma coisa por aqui N vezes.

De todo modo, o artigo não apresenta “solução” ao que coloca como “problema” e, diante disso, arriscamos nosso palpite – que reitera análises de outros posts.

A única chance de “combater” Bolsonaro é abraçando boa parte das causas por ele defendidas, que são também apoiadas pela grandíssima maioria da população. O problema: TODOS os grandes partidos costumam adotar posturas curiosamente contrárias. Basta perguntar o que pensam de aborto, legalização de drogas, porte de arma, aumento de penas, redução da maioridade… No máximo, variação mínima para lá ou para cá.

Outro equívoco é considerar mero “populismo” a defesa de tais bandeiras, como se não fossem tópicos sérios, muitos deles interferindo de forma direta no dia-a-dia das pessoas.

Jair Bolsonaro cresce porque aborda tudo isso de forma direta, sem fazer concessões à imprensa e aos protocolos exigidos por formadores de opinião, sempre prontos para condenar, exagerar e até tornar caricata toda e qualquer postura anti-esquerda.

Deu no que deu nos EUA. E nas Filipinas. E na Inglaterra. E agora acontece na França e na Holanda.

O artigo em comento, repita-se, é muito bom no diagnóstico e leva uma mensagem importante a todos: é preciso encarar o fato como algo real, sem fazer disso piada ou meramente ignorar. Talvez seja a primeira análise da grande imprensa sobre as chances verdadeiras de Bolsonaro em 2018.

E reiteramos: enquanto apenas ele adotar discursos apoiados pela larga maioria da população, apenas ele continuará nadando de braçada.

Fonte: Folha de Sp

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