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Jornal revela que 129 redações do Enem foram revisadas; MEC admitia apenas 2

Enquanto isso, o ministro Fernando Haddad acha que “desastrada” é a operação da PM na Cracolândia

O Estadão divulgou neste domingo (15) documento em que a organização do exame informa que as notas de 129 candidatos foram alteradas em função de “erro material”. Confrontado pelo jornal, o Ministério admitiu os casos. Oficialmente, o MEC sustentava até então que teria havido erro na correção de apenas 2 redações:

Ao contrário do que o Ministério da Educação (MEC) afirma, não foram apenas dois estudantes que tiveram alterada a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Estado teve acesso a um documento em que o órgão que faz parte do consórcio organizador do exame elenca 129 candidatos que tiveram notas retificadas em função de “erro material”. Questionado, o MEC confirmou os casos.

A lista foi entregue à Justiça Federal de São Paulo e consta do processo em que o estudante Michael Cerqueira de Oliveira, de 17 anos, pedia vista da prova. Oliveira teve a nota alterada de “anulada” para 880 – foi o primeiro caso de mudança de nota, colocando em dúvida o sistema de correção da redação do Enem. Na semana passada, o ministério confirmou que outro estudante, desta vez de Belo Horizonte, também teve a nota corrigida.

Os nomes dos dois estudantes constam da lista a que a reportagem teve acesso. O ofício n.º 3.351/2011 é intitulado como “Nova situação de participantes do Enem/2011”. No texto, consta que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb) “informa que, em função do erro material, os participantes do Enem/ 2011 listados abaixo tiveram sua situação ou nota alterada”. Na sequência, a lista com os nomes tem três páginas e meia.

O ofício é endereçado ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do MEC responsável pelo exame. O documento é de 30 de dezembro de 2011, antes do primeiro caso de alteração da nota da redação vir à tona.

De acordo com o ministério, as mudanças registradas no documento não vieram depois de ação judicial, com exceção do caso do paulista Michael Cerqueira de Oliveira. Todos seriam casos simples, de problemas de registro ou falhas no scanner. Nenhum caso seria de mudança de avaliação. O MEC não explicou, no entanto, porque insistia até agora que só havia duas alterações em notas por erro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentário

O ministro Fernando Haddad não comentou o caso do Enem, preferindo analisar a situação da Cracolândia, em São Paulo, onde é pré-candidato à prefeitura. Coincidentemente, os adjetivos que usou para descrever a ação da PM paulista (“desarticulada e em grande medida desastrada”) se encaixariam muito bem na prova que seu ministério vem tentando aplicar há alguns anos, cada vez com mais e maiores trapalhadas.

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