Blog

Lei Rouanet: Rock in Rio pede R$ 8,8 milhões para show fechado a poucos convidados

Depois ainda peguntam por que as leis de incentivo precisam ser revistas.

Rock in Rio - Lei Rouanet

O espetáculo certamente será muito bonito: o formidável tenor Placido Domingo acompanhado da Orquestra Filarmônica do Amazonas, bem como do Coral do respectivo estado.

Mas tudo tem um preço e, para tanto, os organizadores pedem R$ 8,8 milhões de patrocínio via Lei Rouanet. Mas isso é dinheiro público? Essa verba tem tal natureza? Sim. Damos aqui uma explicação a respeito disso.

Enfim, quem organizará o show é o Rock in Rio e o megaevento será fechado a convidados. Apenas 200 sortudos terão a honra de apreciar a coisa toda, entre formadores de opinião e jornalistas.

Provavelmente, não é um caso isolado, mas serve para exemplificar as grotescas distorções das leis de incentivo no país. Ora, os organizadores são empresários de sucesso, possuem caixa e capital para bancar um evento, de modo que se torna inaceitável o uso da renúncia fiscal para pagar o empreendimento.

O mundo é assim: investe-se e, em caso de sucesso, ganha-se o lucro. O universo das leis de incentivo muda essa lógica: o capital vem do dinheiro que iria para os impostos, o empreendedor não corre risco algum, mas eventual lucro aí sim vai tudo para ele.

Patético e, reitere-se, inaceitável.

Resta saber quem terá coragem de propor uma mudança na lei. Quem quer que seja, sofrerá resistência da “classe artística” (na verdade, da classe empresarial que usa a desculpa da ‘arte’ para ficar ainda mais milionária).

Mas, ao mesmo tempo, receberá o apoio da maioria da população.

Mais Lidas

To Top