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Lições de Hugo Chávez ao Brasil

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Morreu o menino caudilho Hugo Chávez. O apelido, que deveria ser sinônimo de ofensa mortal (ofensa que a esquerda pratica, quando chama tudo de que discorda de “fascismo”), foi adotado desabridamente pelo tiranete bolivariano sem que se notasse contradição por seus admiradores – como não notam contradição em criticar as ditaduras militares e chamar seu “presidente” de El Comandante.

Chavez também chamava todos os seus adversários e críticos de “fascista”. Como nos ensina Lew Rockwell num dos textos mais importantes para falar de política no século (aqui em podcast), “fascista” é a palavra mais pesada do vocabulário político graças à memória dos campos de concentração nazistas, embora ninguém perceba que muitas pessoas (talvez até a maioria delas) pregam justamente uma política fascista sem campos de concentração (quais são os italianos? os espanhóis? os portugueses?). Muitas vezes, até com campos de concentração – ou para que servem as palavras de ódio à oposição e aos “inimigos do povo”?

Chavez pregava um sistema político que pode ser chamado, sem sombra de dúvida, de fascista.

Querendo tudo dentro do Estado, nada fora do Estado e nada contra o Estado (e, claro, El Estado soy yo), de fato mostrou que é praticamente impossível ser chamado de fascista sem ser por alguém que queira impedir a vida não-estatal.

O socialismo do séc. XXI do ditador militar bolivariano era marcado por uma retórica fortemente anti-“imperialista”, ao mesmo tempo em que seu grande sonho (exposto por Zé Dirceu na tribuna do PT hoje) era criar um império que colocasse toda a América Latina sem fronteiras sob seu jugo. Na prática, apenas trocou-se a crítica à democracia “burguesa” da Inglaterra pela crítica ao poderio da América. 

O socialismo do séc. XXI e o socialismo do Gulag e do paredón

Este socialismo repaginado está longe de ser mortal como o socialismo do séc. XX, marcado por uma burocracia que, onde foi aplicada, criou uma fatal ditadura genocida concentrada nas mãos de um carniceiro – e seus nomes são todos evocados com arrepios: Stalin, Mao Zedong, Enver Hoxha, Nicolae Ceaușescu, János Kádár, Pol-Pot, Hồ Chí Minh, Walter Ulbricht, Kim il-Sung, Robert Mugabe – pessoas que juntas, ou mesmo sozinhas, fazem Adolf Hitler ir para o Tribunal de Pequenas Causas. Este socialismo entrou em colapso com a queda do Muro em 1989 e o desmantelamento da União Soviética em 1991 (notando, claro, que o regime caiu, mas não sua burocracia e ideologia).

Daí toda a logorréia da esquerda acadêmica que, ao invés de se atualizar e descobrir que defende a brutalidade, preferiu afirmar que aquele não era o “socialismo real” que pregava. Erro trágico: apenas essa ditadura brutal e centralizada é o socialismo real – o que inexiste é o socialismo ideal, purificado do teste de realidade e mantido hagiograficamente virginal no reino das idéias platônicas. Toda “ditadura do proletariado” é um conchavo de burocratas que não trabalham, jurando que representam uma “classe trabalhadora” que sequer sabem definir onde começa e onde termina. O morticínio é inevitável, como já bem demonstrou um dos 10 maiores pensadores do século, Leszek Kołakowski, em seu monumental Main Currents of Marxism.

O socialismo do séc. XXI aprendeu foi com o fascismo como se manter no poder, ao invés de gerar revoltas constantes, campos de concentração piores do que os nazistas (pelo amor de toda a humanidade, leiam Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn) e mortos de fome na escala dos milhões (Holodomor ainda deve ser pensado na mente adolescente de nossos universitários como uma marca de analgésicos belga ou um reino de O Senhor dos Anéis).

O modelo, como nos ensina Lew Rockwell (que aplica o caso á própria América de Bush, não ao projeto de poder dos neocomunistas da América Latina), além de aumentar gastos militares de maneira pornográfica, transformando todos os cidadãos de civis com direitos a soldados em potência, é baseado na cartelização completa da economia, mas colocada no poder de sindicatos (“representativos de classe”, ou seja, quem manda na tal classe sem discussão individual).

A estatização completa da economia é consabidamente impossível por qualquer comunista de alto escalão. Stalin sabia disso, tanto que pediu ao Partido Comunista Americano para não fazer Revolução, e sim cooptar ricaços e magnatas do cinema e da mídia. A conseqüência até hoje é palpável: absolutamente nada na América é mais anti-capitalista do que Hollywood, enquanto, ao mesmo tempo, se prega que a América domina as mentes do mundo para favorecer o imperialismo com o cinema, a própria entidade cultural que afirma isso. Apenas comunóides babaquinhas que acabaram de ler o Manifesto acreditam nessa besteira.

Apenas as trocas livres entre indivíduos tornam possível produzir alimentos (que não caem do céu nem brotam na terra em escala industrial sozinhos), sem o Estado roubar a produção (já que é incapaz de produzir qualquer coisa). Quem não conhece a famosa NEP – Nova Política Econômica – de Lênin, se não universitários esquerdistas?

Assim se faz o socialismo 2.0: mantendo empresas produzindo e lucrando, apesar de uma taxa de impostos mais destruidora do que se o seu cofre fosse assaltado à mão armada todo mês. Como se quer poder, alimenta-se uma retórica violenta sobre “povo”, “pobres”, “resistir” contra “inimigos” e “poderosos”, pegando-se todo o butim e dando umas migalhas à população de baixa renda. Por isso o povo trabalha absurdamente tanto em troca de um serviço de saúde porco, moquifos nojentos para se morar e escolas e universidades incapazes de descobrir como calcular o quanto o governo rouba da população por seu trabalho (infinitamente mais esfainante do que trabalhar para o Google).

O povo fica apaziguado contra revoltas, idealiza um líder e jura que está sendo “salvo”, sem perceber que tudo isso que lhes é dado “de graça”, como elogia Zé Dirceu da tribuna do PT, custa um trabalho semi-escravo que nenhum trabalhador em país liberal aceitaria – e os trabalhadores no socialismo não têm “concorrência” para onde fugira da miséria, dependendo ainda mais da benevolência do Líder.

Esse socialismo não gera morticínio – no máximo, prende e mata alguns opositores mais gabaritados. Nada em escala continental. Tampouco precisa se preocupar tanto com a incapacidade econômica de botar comida na mesa do povo enquanto se mantém no poder do socialismo “total”.

Para aliviar ainda mais, é um socialismo sem o “centralismo democrático”, termo criado por Lênin para afirmar que poderia haver discussão “livre” no socialismo dentro do Partido, o que fazia com que alguns teóricos tentassem diferenciá-lo do “centralismo burocrático” (ou seja, quando as ordens de todos do Partido não são ouvidas).

Essa postura gerava o efeito mais característico do socialismo oldschool (que ainda pode ser observado em Cuba), que é o monopólio do poder pelo Partido Comunista. Poder, como já demonstra Bertrand de Jouvenel, é poder mandar alguém fazer ou não fazer alguma coisa – e, num sistema socialista, apenas o Partido Comunista tem poder, politizando toda a esfera privada dos indivíduos. Essa é a “ditadura do proletariado”, que para aliviar o caráter absolutamente autoritário, foi eufemizado em princípios da década de 1960 para “papel de liderança do Partido”, como se o Partido soubesse o que é bom para todo o “proletariado”, um por um (cf. Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown, p. 134).

Pelo contrário, o caminho do neossocialismo, que Chávez pregou muito bem, é se preocupar em transformar de vez a democracia apenas em um palco – talvez o único ponto em que Marx e Tocqueville concordaram em suas vidas. O poder não se concentra mais no Partido (que sempre merecia letra maiúscula), e sim no Executivo, que controla tudo. Assim, os juízes e tribunais continuam sem liberdade alguma, não se submetendo à Constituição de um Estado de Direito (aquela que Rui Falcão quer abolir no Brasil), e sim à “vontade popular” – ou seja, do Executivo, que “representa” o povo, ao invés de o Estado todo. Mas as eleições continuam rolando, embora todos saibam o seu resultado.

É por isso que todo o movimento socialista atual (ou suas variações “sociais” – trabalhista, operário, proletário ou o nome fofinho que for) soube se preocupar tão somente com o Executivo, sobretudo o chefe do Executivo, que aparece, e critica o Judiciário (comprado e traidor, sempre – vide o que os petistas fizeram com Joaquim Barbosa), além de tenta controlar o Legislativo – ou o calando com golpes, como fez Hugo Chávez, ou comprando seus votos para que obedeçam ao Executivo supremo – o que é exatamente o movimento ditatorial que foi o mensalão (exatamente por isso não é uma palavra que pode ser prostituída para se referir agora a qualquer caso de corrupção, como se tenta fazer com o inescrupuloso Eduardo Azeredo no “mensalão tucano”).

Não se tem mais uma ditadura violenta nas ruas, e sim de controle (como já demonstrava Stalin, de “doutrinação”). As armas não precisam mais ser foices e martelos, como o pensamento de caserna leninista e do bolchevismo, e sim propaganda em massa e uma pseudo-democracia que serve ao Partido, mas não para cumprir sua função de pesos e contrapesos e de representação.

As eleições são compradas e fraudadas (como no fascismo), os gastos militares são elevados com fins imperialistas (como no fascismo), as empresas existem, mas são controladas pelo governo através de sindicatos (como no fascismo, e como Vladimir Safatle acha correto), o governo se sustenta com gastos “sociais” e empréstimos estrangeiros (como no fascismo, embora a Venezuela tenha a vantagem dos petrodólares para emergências), a planificação econômica não é feita na expropriação (ao menos, não sempre), e sim instituindo-se autarquias, com o governo controlando um sistema proto-capitalista perdido numa imensa burocracia, tornando-se uma ditadura de facto baseando-se no princípio da liderança – que desconhece seus limites. Como no fascismo.

Hugo Chávez, na prática

Chávez é adorado pelo PT não por mera coincidência. Seu sistema dá controle onipotente ao Partido sem precisar de revoluções ou lutas armadas de adolescentes mongolóides que mal sabiam assaltar um banco na época da ditadura (vide o livro O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso, com momentos quase cômicos sobre como o bando de Dilma Rousseff assaltou o cofre da amante de Adhemar de Barros), e sem precisar se tornar abertamente uma ditadura (ao menos em termos do século passado, já se tornando anacrônicos).

Esse modelo ditatorial é ultrapassado e para fracassados. A concentração do poder no Executivo agora é feita pelos moldes chavistas, muito mais próximos do antigo fascismo do que do antigo socialismo, embora nem sempre seja preciso tantos flertes ditatoriais quanto os do caudilho bolivariano – as eleições já são garantidas, embora sejam precisos momentos de laivos autoritaríssimos, como o controle da imprensa que não pode ser inteiramente comprada, os surtos mandatórios no Legislativo, o ativismo judicial nos tribunais.

Hugo Chávez é apenas o homem na América Latina que mais precisou ou quis fazer esse modelo de concentração ditatorial “legítima”, por isso se tornou seu símbolo máximo. Outros não precisaram ou quiseram tanto, como Evo Morales, Rafael Correa, Lucio Gutiérrez, Manuel Zelaya et caterva.

No livro Tiranos e Tiranetes, de Carlos Taquari, podemos compreender um pouco da história venezuelana. Influenciados pela Revolução Cubana, movimentos guerrilheiros se opuseram á democratização da Venezuela depois da queda do general Isaías Medina Angarita, em um golpe com apoio da esquerda, incluindo a Ação Democrática. Depois de novas ditaduras militares após apenas 10 meses de respiros democráticos liderados pelo primeiro presidente eleito da história da Venezuela, Rómulo Gallegos, o Movimiento de Isquierda Revolucionária (MIR) e o Partido Comunista Venezuelano exigiam reforma agrária radical, querendo acabar com toda a propriedade privada.

Tal como no Brasil, uma esquerda revolucionária lutando pela ditadura do proletariado enfrentou inexpressivos governos militares, autocratas e burocráticos. Enquanto 10% da população trabalhava para o governo em 1978, 40% da população ainda era de analfabetos vivendo na miséria do campo e das periferias. Os 750 mil funcionários públicos, por outro lado, importavam loucamente grandes carros americanos, verdadeiras carroças devoradas de gasolina, eletrônicos japoneses e whisky, no que o país se tornou um dos maiores consumidores do mundo em 1974.

E tal como Geisel, Andrés Pérez criou um delirante plano de criação de mais de cem empresas estatais. Logo veio Luis Herrera Campins, que pregou uma austeridad, pero no mucho: prometeu corte de subsídios, mas logo explodiu a guerra Irã-Iraque, que aumentou o preço do petróleo em quase 80%. Lá vieram novos gastos descontrolados (dos governantes e seus cupinchas com empregos nas estatais petrolíferas, não da população). A dívida externa quadruplicou, o governo acelerou a impressão de moeda (um dos erros fatais para ações de concentração de poder, já que é dinheiro crediário  para o governo que não passa pelo Legislativo, às custas do povo) enquanto aumentava salários do funcionalismo público e programas assistencialistas. O desemprego chegou aos 20% – taxa correspondente à metade da inflação.

Um coronel resolveu reviver os tempos de ditadura militar depois de mais uma eleição entre Copei e Ação Democrática que, vista em teoria, eram apenas duas vertentes de fascismo, centralismo burocrático e gastos públicos através de crédito artificial. Seu nome era Hugo Chávez. Seu golpe de 1992 fracassou, lhe rendendo dois anos de prisão. Pérez sofreu impeachment por corrupção, AD e Copei se revezaram novamente nas eleições de 1994 e, em 1998, Hugo Chavez vence as eleições liderado por uma coalização de partidos de esquerda.

Imediatamente reformou a Constituição – muy democraticamente, para se fazer o que se viu acima. Concentrou mais poderes na figura do presidente e convocou novas eleições presidenciais e parlamentares – um teatrinho em que se legitimou frente à opinião pública nacional e internacional, enquanto silenciava uma oposição fragmentada e desarticulada que boicotou as eleições (o filme é reprise). Começou seu famoso governo por decretos do Executivo, além de plebiscitos que determinam novos poderes de mando através de parcelamento dos eleitores passando ao largo do Congresso – mais uma vez ao modelo fascista.

Foram três vitórias “democráticas”, já tendo apagado a principal emissora da Venezuela, além de 34 emissoras de rádio. Em 2 de dezembro de 2007, perdeu um plebiscito que lhe garantia poderes absolutos e uma ditadura vitalícia. Fez sua revanche em 15 de fevereiro de 2009, acabando com o limite para a reeleição, já admitindo publicamente o desejo de permanecer no poder indefinidamente (por isso todos os socialistas não têm medo de se aferrar a figuras únicas, como Chavez, Fidel e Che, ao invés de pensar no que deseja o povo).

Já em 2008, com pesquisas eleitorais indicando a possibilidade de derrota do governo, a comissão eleitoral impediu a participação de 272 candidatos de oposição. Mesmo assim, a oposição venceu em cidades importantes, como Caracas e Maracaibo, as duas cidades mais importantes e informadas do país. Chavez classificou o resultado como “una victoria de mierda”.

Nenhum Gulag, nenhum campo de concentração, nenhum Partido Único. O socialismo do séc. XXI é isso: disfarce democrático para uma autarquia concentradora de poder e dinheiro. Se o povo precisar de “diminuição da pobreza”, como afirma o UOL que Chavez fez, basta dar umas “Misiones Bolivarianas” (como a “Misión Robinson”, que promove a alfabetização em regiões pobres, e a “Misión Barrio Adentro”, que leva assistência médica a estas zonas), e está todo mundo apascentado.

Nem por isso, um jornal chavista deixou de publicar em sua capa um nada sutil: Jodidos si los judíos llegan al poder”, como cai perfeitamente às teses fascistóides, ou mesmo nazistóides em que bebe o socialismo estatizante (basta pensar no que aconteceria com um jornal governista no Brasil que publicasse em sua capa: “Se os judeus chegarem ao poder estamos f…”). Também não causou comoção alguma que o PT apóie um ditador que proibiu uma companhia de dança de interpretar uma peça sobre a vida de Anne Frank, famosa judia holandesa morta nas mãos dos nazistas: o tema deveria ser trocado para o “sofrimento palestino”, disse o Crítico de Teatro em Chefe. Tampouco surpreende sua amizade com ditadores brutais, igualmente voltados ao socialismo e ao anti-semitismo, como Mahmoud “apedrejador de mulheres” Ahmadinejad (igualmente recepcionado de braços abertos pela UNE), Muammar Kadafi ou Bashir Assad, defendido por um partido nazista na Síria.

O totalitarismo mais explícito veio com a proposta de “desmontar progressivamente o conceito de propriedade particular e garantir a socialização dos meios de produção”. Na prática, estatização, cartelização e concentração de poder para o Partido, os autocratas e o Executivo. As estatizações, despiciendo dizer, foram um desastre: desde 2007, o país sofresse com apagões. Por essa época Alborghetti falou:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=AwsWaO4VCqE[/youtube]

Parece exagero? Não se sabe sobre as privadas, mas Chavez sugeriu aos venezuelanos que limitassem o tempo de banho a 3 minutos, abrissem mão do ar condicionado e, ao se levantarem à noite para ir ao banheiro, utilizassem uma lanterna para não acender a luz. Assim, se você precisasse matricular o menino na natação de madrugada, o faria no escuro. Qualquer tentativa de despachar um amigo do interior para o rio depois das 10 da noite se faria com pilhas, mais caras e que incidem no bolso de quem precisa dar um alô para o sr. Barros, apenas para o governo não sofrer com sua própria incompetência (duvida-se que Hugo Chávez precisou fazer clonagem no escuro, claro). Toda essa escassez de energia e água num país tropical que está assentado sobre a quinta maior reserva petrolífera do mundo.

Ao dilema energético venezuelano que ainda persiste se juntou o problema no sistema carcerário, explicitado após uma rebelião de mais de mil presos na cadeia de El Rodeo, a 40 km de Caracas, em junho de 2011, que deixou dezenas de mortos.

Chávez também atrasou a Venezuela claramente. Em meia hora. Assim, poderiam aproveitar mais claridade para compensar o desastre do fornecimento de energia.

Em janeiro de 2010, anunciou novo racionamento de energia e, lá como cá, acusou os governos anteriores de não terem investido no setor (depois de uma década no poder em que ele próprio não fez nada pela energia). O controle artificial de preços obrigou o país a importar de ovos a frutas e pés de alface, logo da vizinha inimiga Colômbia. Ainda assim, Chávez ordenou a expropriação de centenas de propriedades rurais.

É esse o legado que José Dirceu edulcora, afirmando que “Hugo Chávez deixa obra fantástica”. É esse o resultado que Dirceu comemora ao afirmar que a Venezuela ficou com 50% (na verdade, 51%) dos impostos do petróleo (quanto disso foi para “a classe trabalhadora”?). É isso que Dirceu acha bonito, ao afirmar, sem pejo, que Chavez tinha como sonho uma América Latina inteira controlada (“libertada”) por ele. Admitindo as semelhanças com o PT, Dirceu dispara:

“[Chávez] sempre foi um defensor do PT, do governo do presidente Lula, e foi um aliado fundamental para nós consolidar uma idéia de unidade política, que sustentou e apoiou as mudanças que aconteceram na América do Sul”.

É para esse ser humano que o governo brasileiro decretou 3 dias de luto oficial. Os venezuelanos talvez aproveitem o luto para passar as noites à luz de velas e chuveiro frio.

Cuidadoso, Chavez gastava o que angariava de seu controle total do dinheiro venezuelano com coisas importantíssimas, como exumar o corpo de Simon Bolívar, para “provar” que fora envenenado, ignorando o estado dos pulmões tuberculosos do seu caudilho-ídolo e do estado em que estava quando chegou a Santa Marta, onde morreu. Foi tratar seu próprio câncer em Cuba, apesar dos convites para tratamento no Brasil, para poder manipular os boletins médicos, o que seria difícil nos hospitais brasileiros.

Além de suas lições de como controlar e impor a lei da mordaça num país para os candidatos a socialistas do séc. XXI brasileiros, fica, é claro, sua grande lição teórica sobre ciência política:

“O capitalismo é o caminho do diabo e da exploração. Se você deseja realmente olhar as coisas pelos olhos de Jesus Cristo –que creio ter sido o primeiro socialista–, só o socialismo poderá gerar uma sociedade genuína” — Hugo Chávez (sent via my iPod)

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