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Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

Metodologia usada pelo IBGE deixa o Brasil, o pior PIB do G-20, com taxas de desemprego semelhantes às melhores taxas europeias

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A maior promessa da campanha do primeiro mandato de Lula era a criação de 4 milhões de empregos, nada mais coerente com um partido que diz ser dos trabalhadores. O assunto parece tão consolidado que nunca mais entrou em pauta na grande mídia. O próprio ex-presidente, de tempos em tempos, usa o case para contar vantagem do trabalho feito por seu governo. Na abertura do quinto Congresso do PT na última quinta-feira, em Brasília, cantou para a claque:

“Qual o defeito da nossa economia? Qual o defeito de um governo que já gerou 4,2 milhões de empregos? Só nesse ano, que o PIB (Produto Interno Bruto) não está tão grande, já gerou mais de 1,4 milhões de empregos.”

É de fato de se espantar que o pior PIB do G-20, se europeu fosse, apresentaria a terceira melhor taxa de desemprego (5,5%), perdendo apenas para Suíça e Áustria. Teria mesmo o Brasil descoberto a solução mágica para o problema ou estaria o governo apenas e mais uma vez manipulando números para enganar seus eleitores?

A resposta pode estar no que o IBGE considerava População em Idade Ativa (PIA) até 2002, e o que passou a considerar desde então. Antigamente, qualquer brasileiro acima dos 15 anos que trabalhasse menos de 15 horas por semana era considerado desempregado. Mas a nova metodologia inclui apenas brasileiros acima de 18 anos. E basta trabalhar uma única hora por semana para não mais ser incluído na massa desempregada da nação.

No ano passado, o Instituto Ludwig von Mises Brasil revisou os dados do próprio IBGE e chegou a um número mais lógico: a taxa de desemprego no Brasil estaria em 20,8%, ou quase 4 vezes acima da vitória cantada pelo PT.

O trabalho de Leandro Roque para o instituto começa duvidando da diferença de quase 100% entre os números divulgados pelo IBGE e pelo DIEESE. E detalha toda a metodologia do primeiro, provando que favorece e muito o governo. Tudo porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é extremamente camarada ao evitar ao máximo dizer que alguém não tem emprego no país. Segundo suas planilhas, não são considerados desempregados no Brasil:

  • Trabalhadores não remunerados
    Qualquer malabarista de sinal ou vendedor de doces na rua pode se enquadrar neste grupo.
  • Desalentados
    Pessoas que num período de seis meses desistam de buscar emprego, seja qual for o motivo: está recebendo seguro desemprego, recebe bolsa-família, etc.
  • Biscateiros
    Pessoas que façam pequenos trabalhos esporádicos, mesmo que sua renda ao final do mês fique distante do salário-mínimo

Leandro Roque traz alguns exemplos para esclarecer o absurdo desta lógica:

“Em termos práticos, na atual metodologia, se um gerente de banco é demitido e passa a fazer malabarismo no semáforo, a taxa de desemprego não se altera.  Se um desempregado lava o carro do vizinho em troca de um favor, a taxa de desemprego cai.”

E aproveitou para explicar o trabalho de revisão que fez nos dados fornecidos pelo próprio IBGE:

“Coletei os seguintes dados:

  1. Pessoas desocupadas;
  2. Trabalhadores não remunerados;
  3. Pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora
    (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);
  4. Pessoas marginalmente ligadas à PEA
    (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e
  5. Pessoas desalentadas.

De canja para o governo, deixei de fora as pessoas subocupadas, pois uma pessoa que trabalha regularmente um determinado número de horas por semana não está tecnicamente desempregada.

Somei estes cinco itens e dividi pela soma entre população economicamente ativa, pessoas marginalmente ligadas à PEA e pessoas desalentadas. (Estas duas últimas também entram no denominador porque não são consideradas economicamente ativas pelo IBGE, o que é um despropósito.)

O resultado gerou o gráfico abaixo:

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Pela revisão do Instituto Mises, o desemprego no Brasil se aproximou de 35% no verão de 2006, pouco antes de o brasileiro reeleger Lula, que já naquela época contava vitória de empregos gerados. Como é de se esperar, cai bastante à medida em que as festas de fim de ano se aproximam e encontrou seu menor valor no Natal de 2011. Mas mesmo os 20,8% daquele outubro de 2012 mostravam uma discrepância muito grande com o discurso oficial que fechou o ano celebrando o baixíssimo (e pouco crível) desemprego de 5,5%.

Verdade seja dita, a nova metodologia entrou em vigor ainda nos últimos meses do governo FHC (mais precisamente, em março de 2002). Contudo, já são 11 anos de PT no poder sem que o cálculo seja questionado por seu comando. Provavelmente porque se beneficia dele.

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