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Mantega: Petrobras afundando, emprego na indústria recuando, juro real batendo recordes

Perde a gigante do petróleo, perde o consumidor, perde o trabalhador, perdem todos. Só quem não perde o emprego é o ministro da fazenda.

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Paulo Sternick não mediu palavras e chamou Guido Mantega de cínico em artigo para a InfoMoney. O motivo foi a resposta dada pelo ministro da fazenda quando questionado sobre o preço dos combustíveis:

(…) Perguntado se a queda da inflação poderia ensejar um possível reajuste de gasolina, soltou essa pérola do cinismo cultivada nos jardins do Planalto: “Isso não é assunto nosso. Reajuste da gasolina é com a Petrobras“. Em tempo: o Ministro é o presidente do Conselho de Administração da estatal.

(grifos nossos)

Como qualquer pessoa sensata e minimamente informada, Sternick sabe que a política econômica encabeçada por Mantega é responsável direta pela crise que vem enfrentando a Petrobras:

Todo mundo sabe que a Petrobrás vem implorando ao Governo para aumentar os combustíveis que é obrigada a vender mais barato do que compra no exterior, para suprir a defasagem entre a produção interna e o aumento da demanda estimulada pelos carros (comprados em 60 meses) de Dona Dilma. O rombo que essa prática perversa vem provocando à saúde financeira da estatal prejudica seu plano de investimento e já levou ao rebaixamento da nota de crédito da agência de classificação de risco Moody’s. Segundo a agência, o rebaixamento traduz a elevada alavancagem financeira da empresa. A Moody’s ressaltou a expectativa – provavelmente se a Petrobras mantiver os absurdos subsídios aos combustíveis – de que a empresa deverá continuar a ter grande fluxo de caixa negativo nos próximos anos, à medida que conduz seu programa de investimentos para explorar a camada pré-sal. A perspectiva para a nota permanece negativa.

(grifos nossos)

Mas engana-se quem pensa que tais medidas prejudicam apenas a nossa maior estatal. O Estadão trouxe ontem a informação de que o Brasil voltou a liderar o ranking mundial de juro real:

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira, pela quinta vez seguida, a taxa básica de juros da economia, a Selic. A alta de 0,5 ponto porcentual, para 9,5% ao ano, foi adotada em decisão unânime. Com a elevação, o Brasil volta a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo, de 3,5%, segundo cálculos do economista Jason Vieira.

(grifos nossos)

A conta, como sempre, é paga pelo consumidor:

A taxa básica de juros é o principal indicador para determinar o custo do crédito e o rendimento das aplicações em renda fixa. Com a elevação, tomar empréstimos ficará mais caro para o consumidor. Desde a reunião de agosto do Copom (quando a Selic subiu para 9%), a poupança voltou a render de acordo com a regra antiga: 0,5% ao mês mais a TR.

(grifos nossos)

Nem os “trabalhadores”, menina dos olhos do, veja só, Partido dos Trabalhadores, escapam dos efeitos de uma política econômica desastrosa. Dados do IBGE apontam que o emprego na indústria tem o maior recuo em mais de 4 anos:

O número de empregados no setor industrial brasileiro caiu 0,6% entre julho e agosto, o maior recuo desde abril de 2009 (0,7%). Esta é a quarta queda consecutiva nessa base de comparação, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o órgão de estatísticas, também houve queda de 1,3% na comparação com agosto de 2012, o 23º resultado negativo consecutivo, também o mais intenso desde dezembro.

Nos oito primeiros meses do ano, o índice de ocupação na indústria acumulou queda de 0,8%.

(grifos nossos)

Perde a gigante do petróleo, perde o consumidor, perde o trabalhador, perdem todos. Só quem não perde o emprego é o ministro da fazenda, o “cínico” Guido Mantega.

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