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Margaretes: conheça o “feminismo” de direita

Entrevistamos Camilla Lopes Pacheco, uma das idealizadoras da página, e falamos sobre castração química, ideologia, família tradicional, religião…

Camilla Pacheco, da página Margaretes (foto: arquivo pessoal)

Camilla, da página Margaretes (foto: arquivo pessoal)

Para os esquerdistas, muitas bandeiras e causas estariam necessariamente atreladas à ideologia para a qual militam. Mas isso seria uma verdade? Não é mesmo possível, por exemplo, defender a igualdade de direitos entre os gêneros e, ao mesmo tempo, repudiar a esquerda?

Claro que sim. E, nesse sentido, entrevistamos Camilla Lopes Pacheco, co-fundadora da página Margaretes, que poderia ser considerada “feminista” de direita, ou anti-esquerda. As aspas, aqui e no título, ficam por conta da explicação sobre a ruptura numa das respostas.

Enfim, sem mais delongas, confira!

Implicante: Por que o nome “Margaretes”? E por que vocês criaram a página e como a definem?

Camilla / Margaretes: Nós sentíamos um incômodo. Definitivamente, é essa a palavra. Um incômodo com esse feminismo contemporâneo da internet. Então a Sarah Bergamasco e eu conversávamos sempre sobre isso, ela me mostrava prints e links e a gente debatia. Aí surgiu a ideia do Margaretes, queríamos compartilhar com as mulheres uma outra visão da mulher na sociedade. O nome surgiu porque queríamos homenagear a mulher simples, a guerreira que tocou o marido cachaceiro e abusivo pra fora do barraco e criou as crianças na base da faxina. Essas brasileiras nem fazem ideia do que seja “gaslighting”, mas são as nossas heroínas.

Quais seriam as principais diferenças entre a linha do Margaretes e o que você chama de feminismo moderno da internet?

A gente tem um conflito: não somos feministas porque as nossas principais autoras de referência (Christina Hoff Sommers e a Camille Paglia) romperam com o feminismo e nós mesmas não nos identificamos com as características desse feminismo. Em um texto para o Margaretes eu defini o que chamo de “feminismo estereotipado” que é um tipo de doutrina que vive de estereótipos feministas dos anos 60 dos Estados Unidos e problematizações com campanhas de nomes para esmaltes. Esse ‘feminismo estereotipado’ está invadindo as universidades, tomando conta da cabeça das mulheres mais jovens, então elas propagam as coisas sem pensar muito sobre elas, por exemplo, a questão da sororidade – que é basicamente a empatia imediata de uma mulher com a outra. Isso é perigoso, até, se você levar em conta um fator simples: há mulheres sociopatas, de caráter ruim… Elas tendem a relativizar para reduzir ou mesmo absolver uma mulher que teve uma conduta criminosa somente porque ela é mulher e porque devemos ter sororidade umas com as outras. Entende? O valores morais são praticamente suspensos em nome da tal sororidade.

E como vocês se situariam quanto à política? Não a respeito de partidos, mas sim ideologicamente: direita, esquerda, anti-direita, anti-esquerda?

Somos de direita. Já a definição se somos conservadoras ou liberais é mais complicada. Para mim esse é um conflito, pra Sarah também.

Para a esquerda, algumas lutas são necessariamente atreladas a eles, como a das mulheres, a dos gays etc. O que vocês acham disso?

Acho que essas lutas não pertencem à esquerda e que essa é mais uma das evidências do mau caratismo dos esquerdistas. Eles falam muito em políticas públicas para essas pessoas, mas o que elas precisam é serem vistas com igualdade e respeito como qualquer outro independente da cor da pele, da sexualidade, do peso. Imagine que eles capitalizam para eles até a questão do peso, vê se pode. A esquerda precisa criar conflitos entre negros e brancos, mulheres e homens, gays e héteros e até magros e gordos…É assim que eles conseguem ter base eleitoral, usando essas pessoas como massa de manobra. É muito triste, até.

E vocês já enfrentaram algum tipo de resistência ou hostilidade por parte de esquerdistas?

Sim, uma vez eu fui questionada por um texto que escrevi chamado “Gordofobia é o cacete” em que eu questionava esse termo e todo approach criado por essas pessoas. Eu visto 46, estou acima do peso, sei dos problemas que isso traz, mas elas criticaram toda minha experiência com meu peso porque disseram que eu não era gorda. A Sarah enfrentou crítica de conservadores devido a um texto dela sobre aborto, chamaram a gente de “bruxa”. Não ligamos, não. Não vou dizer que por isso estamos sofrendo “ódio”, são críticas, eu inclusive adoraria que tivessem mais críticas só pra debater com elas e trazer mais mulheres para o nosso lado.

Vocês acham que alguns representantes de determinadas causas ficam mais (ou menos) indignados com um fato revoltante a depender da ideologia ou partido político de quem o perpetra?

Com certeza. Houve um passamento de mão geral delas com aquele caso no Piauí devido aos estupradores serem menores de idade. Já com essa menina do Rio a comoção foi geral e em nenhum momento houve a preocupação em dizer que os estupradores eram traficantes ou ligados ao tráfico. E agora essa situação do MST. Por quê? Porque elas são contra a autoridade policial, contra a redução da maioridade penal e uma que eu nunca vou entender, são contra a castração química.

Muita gente nem sabe o que é castração química. Então, para explicar a todos: o que seria? E quais os argumentos mais notórios pró e contra isso?

A castração química aqui no Brasil é uma PL do Jair Bolsonaro e talvez por isso tenha tanta rejeição por parte delas. É preciso que elas entendam que a castração química não é irreversível é uma solução para reduzir a libido de estupradores e principalmente estupradores em série. O programa de castração química mais antigo é o inglês, se não me engano. Infelizmente homossexuais ingleses sofriam castração química compulsória. O Canadá também adota. Eu acho uma solução excelente para homens que não controlam seus impulsos sexuais e colocam a sociedade em perigo. O que, veja, é diferente por exemplo, do caso do Rio, em que ficou claro que os estupradores da menina nutriam um profundo desprezo por ela por a considerarem “fácil” ou “piranha”. A castração química impede a ebulição da testosterona e consequentemente diminui a libido. Uma vez, debati isso com uma feminista dessas do twitter e ela disse que era contra os direitos humanos por isso ela não apoiava.

Mas a castração química seria uma medida bastante por si, ou acompanhada de prisão e afins?

Eu acho que poderia ser pós pena. Por exemplo, o sujeito estuprou, cumpriu pena aí ela participa desse programa. Nos EUA os criminosos sexuais são monitorados pelo FBI. Eles acessam um site e os pontinhos vermelhos em cada região apontam os criminosos sexuais. Um criminoso sexual jamais deve ser perdido de vista pela justiça. Isso é fato.

Acerca de alguns ícones e instituições no geral combatidos por parte da militância, quais as posições de vocês, ainda que de forma genérica, sobre a chamada “família tradicional”, o cristianismo, a civilização ocidental…? É possível defender a igualdade de direitos entre os gêneros sem odiar essas coisas?

Em relação aos cristianismo, Deus nos dá o livre arbítrio, não é mesmo? Portanto, qualquer ser humano pode amar e ser amado por Deus independente de quem ele seja. Se eu tiver um filho gay eu quero que eles seja uma boa pessoa, uma pessoa decente, honesta… O resto não importa. Então, em relação a isso, nós vemos a família tradicional como uma família correta em que há amor, educação e tudo o mais que beneficie uma criança e a formação dessa família É totalmente possível que homens e mulheres sejam iguais como cidadãos, eles jamais serão iguais em outros aspectos, não devemos ser hipócritas, brigar com isso é idiotice e traz a guerra dos sexos que vivemos hoje.

Por fim, além do Margaretes, quais leituras você sugere a quem também busque a igualdade de direitos entre os gêneros, mas não se identifica com a militância de esquerda, com socialismo e afins? Quais autoras, livros, revistas, sites, blogs…?

A gente é muito atrasado. O termo “cultura do estupro” é de 1970 muito difundido em textos da Susan Brownmiller – que eu não concordo, mas acho que tem que ler pra entender o que a “Rape Culture”. Definitivamente é indispensável ler a Camille Paglia, tem que ler o “Vamps e Vadias” para perceber de que forma os problemas femininos viraram esse trauma que resultou nesse feminismo estereotipado. Tem também a série da Christina Hoff Sommers “The War Against Boys” (tem o livro, mas uma série de textos sobre, estão em inglês, chegamos a traduzir, mas se perdeu). Aconselho também a ler sobre grandes mulheres ou a conversar com as mulheres simples. E a se questionar todos os dias: feminismo pra quem?

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Agradecemos à Camilla pela paciência e recomendamos fortemente a página Margaretes!

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