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Meia-entrada com limite em 40% dos ingressos deve baratear o evento para todo o público

Foto: Carlos Delgado

A lei foi finalmente regulamentada pelo governo.

O governo regulamentou lei que limita em 40% a quantidade de ingressos disponíveis como “meia-entrada”. Ainda é muita coisa, mas já é um entendimento de que, se não existe almoço grátis, não existe meio almoço grátis. E é isso que os estudantes, jovens de baixa renda e deficientes precisam entender: o desconto de 50% que receberão na compra do ingresso será arcado pelo restante do público que não recebe o mesmo benefício.

Imaginemos uma situação simples: um organizador de evento precisa vender 100 ingressos a R$ 10,00 para conseguir hipotéticos R$ 1.000,00 que empatariam os custos do seu trabalho.

  • 100 ingressos x R$ 10,00 = R$ 1.000,00 para empatar custos

Mas, por ser obrigado pelo governo a vender 40% dos seus ingresso por R$ 5,00, ele terá que elevar o preço para os outros 60% ou terá um prejuízo de R$ 200,00.

  • 60 ingressos x R$ 10,00 = R$ 600,00
  • 40 ingressos x R$ 5,00 = R$ 200,00
  • Bilheteria total: R$ 800,00
  • PREJUÍZO: R$ 200,00

Como a lei o obriga a congelar o desconto em 50%, o organizador do evento subirá também o preço para os beneficiados por ela. A bilheteria só conseguirá atingir os mesmos R$ 1.000,00 para cobrir os custos se elevar o preço “inteiro” em 25%, vendendo-o a R$ 12,50, com meia-entrada a R$ 6,25.

  • Ingressos inteiros (60%): 60 ingressos x R$ 12,50 = R$ 750,00
  • Meia-entrada (40%): 40 ingressos x R$ 6,25 = R$ 250,00
  • Bilheteria total: R$ 750,00 + R$ 250,00 = R$ 1.000,00

 

Em outras palavras, a lei regulamentada por Dilma oferece, na prática, um desconto de 37,5% aos seus beneficiários, já que, ainda no exemplo hipotético, o preço originalmente calculado era de R$ 10,00.

Antes, contudo, o estrago era muito maior. Como 100% do público podia comprar ingresso com meia-entrada, o comerciante só tinha essa margem de segurança encarecendo o ingresso inteiro em 100%, o que fazia com que os estudantes pagassem a “metade do dobro”, trocando 6 por meia dúzia.

Não há relatos de eventos com 100% de público beneficiado pela lei da meia-entrada. Mas há de eventos musicais que chegavam a vender 90% de seus ingressos para estudantes – o que não impediu que o valor do bilhete fosse calculado na tal margem de 100%.

Foto: Carlos Delgado

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