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Mesmo com ciclofaixas, diminui o número de usuários frequentes de bicicleta em São Paulo

São menos pessoas andando de bike diariamente, ou mesmo uma/duas vezes por semana. E o número dos que nunca usam aumentou. Os dados são do Datafolha.

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Quem acompanha as redes sociais, certamente deve imaginar que São Paulo se converteu numa cidade de ciclistas. De tanto que falam bem, defendem e apontam as faixas pintadas de vermelho como solução definitiva para a mobilidade urbana, chega-se à certeza de que tudo foi resolvido e agora todos estão felizes pedalando suas magrelas.

Mas não é o que ocorre.

Mesmo após a construção de tantas ciclofaixas e ciclovias, teoricamente aumentando as condições de uso e estimulando as pessoas a isso, o número de usuários frequentes de bicicleta DIMINUIU na cidade. Vejam trecho de relatório da pesquisa feita pelo Datafolha:

Três em cada quatro paulistanos (73%) declararam não possuir bicicleta para uso próprio, daqueles que possuem (27%) se destacam os segmentos: dos mais jovens (44%), dos mais ricos (40%) e dos mais escolarizados (39%). Na comparação com a pesquisa anterior, a taxa de proprietários de bicicleta se manteve estável, era 32%. Dos que possuem bicicleta, 13% declararam que não costumam utilizá-la (índice próximo ao da pesquisa anterior, era 10%), 6% declararam que utilizam todos os dias (era 10%), 13% utiliza de três a seis vezes por semana (era 15%), 34% de uma a duas vezes por semana (era 42%) e 33%, menos de uma vez por semana (era 23%). Metade dos entrevistados que possuem bicicletas já utilizou as ciclovias (51%), sobretudo, os mais jovens e os mais instruídos. Na comparação com a pesquisa de setembro passado, o índice oscilou (47%). A frequência de uso das ciclovias permaneceu estável, 3% declararam usá-la todos os dias (era 4%), 14% de três a seis vezes por semana (era 13%), 39% de uma a duas vezes por semana (era 42%), 41% menos de uma vez por semana (era 36%) e 2% não costuma usá-las (era 5%).” (grifos nossos)

Em suma: menos gente usando diariamente, menos gente usando uma ou duas vezes por semana e mais gente que DEIXOU de usar bicicleta. O único número com leve aumento foi o de uso pouco frequente: menos de uma vez por semana (que pode ser interpretado como recreação).

A militância não dá o braço a torcer facilmente, mesmo diante dos números, de modo que justificam período de chuvas, ou calor extremo, ou meses atípicos. Mas a verdade é que em São Paulo chove e faz calor e, para considerar determinado meio como viável à mobilidade urbana, é preciso incluir os cálculos de TODOS os meses (valendo lembrar que o período em observação, set/jan, corresponde a quase meio ano.

Claro que o número pode mesmo aumentar, mas, por enquanto, os dados são esses: depois das ciclofaixas, houve DIMINUIÇÃO no uso frequente de bicicletas em São Paulo. Mesmo com as tais ciclofaixas.

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