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Ministério da Cultura: recuo de Temer foi ruim, mas pode ser parte de uma (boa) jogada de xadrez

Até agora, o novo governo não deu ponto sem nó. Desse modo, os rumores de que haveria um “nó” nisso tudo merecem ser considerados.

Michel Temer - Ministerio da Cultura - MinC - Foto Fernando Bezerra Jr EPA

Em primeiro lugar, o recuo de Michel Temer quanto ao Ministério da Cultura é algo ruim. Ponto. Por mais que torçamos para tudo dar certo no novo governo, e tenhamos apoiado o impeachment, não dá para negar que tenha sido um erro voltar atrás para “recriar” o MinC.

Sim, passa-se o recado de que, ao contrário da antecessora, agora há diálogo. Mas supor que essa ideia prevalecerá, convenhamos, é ingenuidade. A mensagem, ao menos por agora, é que pressão dá resultado. Fora que os artistas atendidos não passarão a apoiar o novo governo, ao passo que alguns até então apoiadores agora já não se empolgam tanto. Esse é o saldo.

Porém – e há um IMENSO porém aí -, uma nova tese circula nos bastidores e merece ser discutida, já que não apenas faz sentido como também se encaixa no procedimento até agora infalível: sempre que dão um ponto, há o nó.

Segundo o que se especula, o “nó” neste caso seria o seguinte: o Ministério da Cultura permanece, com suas fundações e boa parte dos cargos, bem como suas atribuições. Bonito, não? Muito, sem dúvida. Mas aí vem o pulo do gato…  os financiamentos via Lei Rouanet seriam cortados DRASTICAMENTE. Um corte realmente profundo. Além, claro, da exoneração de todos os petistas (e afins) do ministério – algo que já acontece em todas as demais pastas.

Desse modo, a “classe artística organizada” (leia-se: os artistas que apoiavam o governo do PT) não poderá reclamar, pois ficará patente que buscam cargos ou verbas, e não a defesa da cultura nacional (os museus continuam, os artistas mais necessitados também continuarão e assim por diante).

Se isso for confirmado, terá sido de fato uma jogada magistral no xadrez da política.

Aguardemos, portanto.

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