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Monitoramento nas redes sociais não deixa dúvidas: o que os usuários querem é impeachment

Para cada 61 menções ao impeachment de Dilma, apenas uma se dava ao trabalho de comentar o que parte da imprensa insistia em destacar em sua cobertura: o risco de uma intervenção militar.

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Segundo o Teleguiado, ao decidir por priorizar a cobertura dos protestos, o SBT de terceiro para primeiro ligar na audiência da tarde do último domingo, com direito a 3 pontos de vantagem sobre a Globo no seu pico. Esse protagonismo no interesse do espectador também se observou na internet. É o que informa a a análise de Gustavo Ramos, diretor de inteligência da Esentia, empresa especializada em monitoramento de marcas com 14 anos no mercado.

“Outro fato que chama atenção é que pela primeira vez, desde que medimos a expressão de massa na internet, o assunto ‘política’ superou em número os assuntos mais comuns na internet brasileira, como programas de televisão, celebridades, etc”
(Gustavo Ramos)

Foram monitoradas 823.614 citações de 8 palavras-chave ligadas ao evento em 7 redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, WordPress, Blogger e Tumblr. Segundo agência, ao se descartar as mensagens exclusivamente em texto, a amostra conteve 57% do conteúdo em vídeo, 28% em fotos, 12% em imagens editadas como memes e 3% em formato áudio. Essa cobertura findou atingindo 241 cidades de 24 estados brasileiros, além de outros 14 países.

Ao se categorizar os assuntos mais comentados, não resta qualquer dúvida sobre o tema central de todo o debate gerado. Assim como, a importância (ou desimportância) de pautas mais polêmicas, como uma “intervenção militar”.

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Para cada 61 menções ao impeachment de Dilma, apenas uma se dava ao trabalho de comentar o que parte da imprensa insistia em destacar em sua cobertura: o risco de uma intervenção militar. Cai por terra também o mito de que o impedimento da presidente seria um sub-tópico de uma pauta geral contra a corrupção: é justamente o contrário. Há se destacar também a preocupação com a qualidade dos serviços públicos e da economia como um todo, merecendo a atenção de uma em cada 10 citações cada. Mas Gustavo Ramos diagnostica: “Os números mostram que, antes de corrupção e serviços públicos de qualidade, a amostra parece querer, primeiro, trocar de presidente”.

Ivani Rossi, diretora da tendências da Esentia, acredita que todo este movimento cobra uma atualização da forma de se entender o brasileiro. “Não há como controlar o sentimento de injustiça que se manifesta em diferentes momentos. Não há como esconder assuntos antes ‘proibidos’ embaixo do tapete e o cidadão, mais bem informado, concordar com isso.” E aposta que os partidos que se negarem a este movimento perderão o bonde da história: “A internet pode, sim, ser a grande responsável pelas instantânea identificação popular que vai servidor, sem dúvidas, como principal forma de pressão das reformas mais urgentes. E, quem sabe, a partir dessas manifestações e desse caldeirão cultural e social cada vez mais politizado, a criação de partidos políticos efetivamente representativos.

Até 23 de março, a Esentia deve voltar a se manifestar trazendo um balanço do que ocorrer na semana seguinte à dessas manifestações. Para ler o relatório por completo sobre especificamente o “Dia 15”, basta clicar aqui.

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