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Na posse, Alckmin faz discurso político forte

Em suas falas na posse como governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin elogia José Serra, mira questões nacionais e critica o governo federal. 2018 já se anunciou oficialmente.

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Enquanto as apostas para 2018 permanecem abertas, é importante destacar o discurso de posse de Geraldo Alckmin como um gesto significativo. Há muito até lá, é verdade, especialmente pleitos municipais no meio do caminho, mas a fala do governador paulista reeleito é de quem certamente coloca o próprio nome na disputa.

Há quem considere Aécio Neves o “candidato natural”, em função do resultado apertado da eleição passada, além da consolidação de seu nome como líder nacional tucano; porém, serão quatro longos anos e, por óbvio, muita coisa acontecerá até lá. O PSDB conta com governadores bem avaliados e reeleitos para gerir estados grandes e estratégicos, como Marconi Perillo (GO), Beto Richa (PR) e Alckmin (SP). Aécio terá a segunda metade do mandato de senador, vez que seu grupo político não conseguiu a reeleição em MG. O jogo está bem aberto, portanto. Sem contar outras grandes lideranças do PSDB no legislativo, como José Serra, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati e tantos outros bons nomes.

Nesse sentido, vale observar o teor do discurso de Geraldo Alckmin (íntegra aqui). Selecionamos alguns trechos:

“O falso dilema do paternalismo que sufoca, em oposição ao liberalismo extremo insensível – dois enganos distantes da dura vida real dos varredores de rua, dos balconistas, das empregadas domésticas, dos operários da construção civil, dos empreendedores, dos profissionais liberais, das mulheres e dos homens do campo e de todos os cidadãos que progridem com trabalho, dignidade, humildade e honestidade (…) O Brasil não precisa nem de mais nem de menos confronto com o Estado. Precisa é livrar-se da máquina corrupta que insiste em sequestrá-lo.”

“Ser paulista, amigos, é fugir do falso dilema de uma política bruta em oposição a uma política omissa. É compreender que o direito à livre expressão pode e deve conviver com a integridade física e com o direito de ir e vir dos cidadãos (…) Ser paulista é saber ouvir críticas, justas ou injustas. Aceitá-las, debatê-las e discordar, se necessário. Sempre compreendendo a relevância civilizatória de uma imprensa livre – sem a nefasta tentação de cooptá-la ou de sufocá-la. A democracia brasileira tem seus fundamentos consolidados na Constituição de 1988. Querer atropelá-los a pretexto de fazer justiça social implica em praticar novas injustiças. Ao mesmo tempo, a defesa da ordem não deve servir de pretexto para perenizar as brutais desigualdades do Brasil, transformando-as em nossa segunda natureza. Não!

“A nossa missão está nas urnas. Os brasileiros de São Paulo repudiam o aparelhamento da máquina pública; consideram repugnante a prática política que transforma o Estado num clube. O povo paulista — que é, reitero, expressão fiel do povo brasileiro – amadureceu; quer a mudança que sabe ser segura; quer a segurança sem a qual a mudança degenera em desordem; quer construir, como vem construindo, uma nova ordem social que assista os desvalidos, mas aponte um caminho que os faz senhores do próprio destino. Para nós, as políticas que servem para combater a pobreza extrema devem servir para libertar os homens, não para fazer deles objetos de uma nova servidão.”

Todos nós conhecemos os duros prognósticos para a economia nos próximos anos. O país poderá viver dias difíceis. Mas o discurso fácil do pessimismo só é mais fácil que o discurso do otimismo irresponsável, que também já nos custou muito caro. Ou todos, incluindo governo e oposição, convergem para recuperar a economia e aprovar reformas essenciais, ou 2015 será outro ano perdido.” (todos os grifos são nossos)

Além de mirar nos temas nacionais, Alckmin também elogiou José Serra, senador eleito em 2014, na concorridíssima vaga de Suplicy, que era considerado “imbatível”. Tais gestos, portanto, configuram a ação de quem coloca o nome em uma disputa que ainda está aberta. Espera-se, porém, que o PSDB não se enfie em lutas internas e agressões fratricidas (com o perdão da elasticidade semântica do vocábulo latino “Frater”).

Há que se destacar o trecho em que o governador reeleito ressalta a importância da união entre governo e oposição quanto aos temas de interesse nacional, especialmente as “reformas essenciais” à recuperação da economia.

É fundamental que a oposição (ou “oposições”, como alguns preferem) saiba somar as forças que a compõem, permitindo a cada líder fazer seu melhor no cargo em que ocupa, até que, ao chegar a hora certa, tenha-se em mãos ótimas e valorosas opções – como é próprio dos partidos democráticos, ao contrário da famigerada legenda que não premia a competência, mas sim os “ungidos” pelo Grande Líder de ares messiânicos.

2018 parece estar aí, mas é claro que tem muito chão até lá, muita água para passar debaixo da ponte, entre outras metáforas e analogias. Dilma não terá mais como disfarçar a crise com propaganda ou aportes em estatais, será preciso dar nome aos bois e vacas com crises de tosse a partir de 2015. Desse modo, a oposição não pode ter o luxo de brigar internamente. Que todos os bons nomes – e são vários – sejam postos, avaliados e considerados capazes. É algo que só tem a ajudar na realização de gestões e mandatos tucanos.

Assim, as falas de Geraldo Alckmin são evidentemente sinais aos próximos anos. São dizeres de candidato, mas também de quem estará mais uma vez à frente de um estado grande e complexo, após vitória no primeiro turno. Agora, mais do que nunca, os que se opõem ao governo petista precisam construir e estabelecer pontes e alianças políticas entre si, não derrubá-las ou destruí-las. Somar forças, e não as anular.

E os discursos do governador paulista reeleito foram certeiros nesse sentido.

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