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Na USP, mais flagrantes de semi-analfabetismo, tráfico e “tempos ÁUREOS de ditadura”

por Flavio Morgenstern

“Os jovens são o futuro do país, a não ser que façamos alguma coisa.”
– Homer J. Simpson

Um vídeo rodou a internet nessa terça (8/11), filmado no começo da manhã, antes do sol nascer, por uma possível moradora do CRUSP (Conjunto Residencial da USP, onde ficam alunos sem condições de moradia em São Paulo), que acordou, pôs sua máscara, se fez de jornalista (é mesmo? cabe investigação) e foi arrumar encrenca com policiais durante a operação que retirou os invasores da reitoria da USP, que tomaram o prédio a paus e pedras na madrugada do dia 1.º de novembro. O vídeo (tem uma “introdução” mais comprida) já está famoso.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=urYLED8rubc[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=K38AnjKaxZI[/youtube]

Essa moça deveria ser imediatamente contratada para substituir Rafinha Bastos no CQC. Não pode haver algo mais cômico na internet do que berrar prum policial: “Eu sou jornalista!”, e ele replicar, quase num bocejo: “Tá, então tira a máscara”. “Ok”. Tente repetir isso em voz alta sem cair na gargalhada.

O segundo é melhor ainda. Já pelo exórdio: “CRUSP sitiado como nos nossos tempos ÁUREOS de ditadura”. A ditadura terminou há mais tempo do que ela durou. O pai dessa criança deveria estar entrando no pré-primário quando os anos de chumbo comiam soltos.

Para quem não conhece as dependências filmadas, trata-se de um vão que vai do CRUSP até o prédio da reitoria, que estava sendo desinvadido naquele momento. A moça não estava tentando sair de casa: estava tentando entrar na reitoria (em cada vídeo, por um dos lados do prédio) em pleno momento da operação militar (vale um igNobel brasileiro). Diz ela que a PM só deixa “a Folha, a Record e a Globo” entrarem. Errado. Não deixou ninguém. Nem tinha pra quê. Não iria ser uma tontinha mascara se dizendo “da imprensa” sem sequer se identificar que iria poder fazer isso. A polícia precisa fazer a perícia antes da imprensa entrar, afinal.

A onda Tuareg tropicalia é a última moda com o charme Ray Ban. (foto por Mari Carvalho)

Um grande momento da história da dialética vem quando ela quer “conversar pacificamente”, no seu “direito de livre manifestação de ir e vir” e se manifestar. com policiais no meio de uma operação. Coisa curiosa. Tentei “conversar pacificamente” com invasores de reitoria. Tentei entrar naquele prédio, que é MEU, e pago por ele. Fui recebido por uns barbudões mal encarados que fazem parte da Comissão de Segurança, responsável por caras feias e, quando necessário, descer o muque e usar paus e pedras para tal. Perguntem ao fotógrafo Cristiano Novais sobre as agressões e as tentativas de quebrar a sua câmera (tradução para marxista: meio de produção) que sofreu desses “estudantes pacíficos” quando tentou filmar a reitoria. Ao sair do prédio, pedia para um “estudante futuro do Brasil” para, caso fizesse algo errado, ser avisado antes de ser agredido. Resposta: “Você não está na sua casa”. E esse verme por acaso estava?! É isso que é direito à livre manifestação e de ir e vir para jornalista de que essa escuma fala.

Pois logo no vídeo um barbudo é impedido de entrar na reitoria. O que diabos alguém iria fazer na reitoria naquele momento? Defender com o peito de aço os coleguinhas? Ou talvez avisar a camorra pra acordar e jogar os coquetéis molotov pela janela enquanto fosse tempo? Mas nossa heroína mascarada, uma espécie de Mulher-Maravilha comunista sem colan, solta seu grito de guerra: “CÁRCERE PRIVADO! CÁRCERE PRIVADO!” – novamente, explicar que a maconha deve ser legalizada porque não faz mal pro cérebro depois de uma dessas vira um trabalho de Hércules. Será que a moça sabe a diferença entre impedir que alguém entre em um prédio público invadido durante uma operação policial (que também não estaria aberto às 5 e pouco da manhã se ninguém o tivesse destruído) de um seqüestro, como os que marcaram o começo do ano na USP, e sumiram misteriosamente com a PM por ali?

Enquanto isso, exige saber por que está sendo fichada. FASCISMÃO, hein galera? Tempos áureos da ditadura fungando no cangote. Depois de fichada, é retirada da falange de escudo humano para não haver novos feridos, junto com o barbudão que tentava entrar na reitoria aquela hora (então, eu tava passando por aqui e achei esse prédio mó legal e…). Berra de novo, em seu delirium psicótico: “Estou sendo agredida!”. Resposta: “Ainda não.” A platéia vai ao delírio. Prossegue: “Eu sou mulher e estou sendo violentada!”. Não sabe o que é cárcere privado e não sabe o que é violentar? Então, por que esse vocabulário jurídico tão aboletado em não-me-toques?

Se eu fosse os policiais, investigaria o vídeo e a processaria por calúnia, além de formação de quadrilha e anonimato. Não iria dar em nada dado o calor da situação, mas ensinaria uma “jornalista” a não sair proferindo necedades e publicando na internet sem sentar a bundinha na cadeira e estudar o que está falando, antes. Se jornalismo ainda fosse regulamentado, também caberia perguntar se a moça é mesmo jornalista – do contrário, poderia ser acusada de falsidade ideológica até estelionato. Hoje, pra sorte dela, assim que os PMs a deixam longe da entrada da reitoria (fascismíssimo!), ela pode subir até seu (seu?) apartamento e postar o vídeo na internet (divulgado justamente pela Record que ela critica). Tem também uma continuação, onde ela, de máscara, exige que policiais do choque (DO CHOQUE) “mostrem o rosto” (ou seja, tirem o capacete e ficarem desprotegidos dos coquetéis molotov que apreenderam na reitoria invadida). Sim: ela, com a máscara, pede isso.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=zP3iKI9uiWs&feature=youtu.be[/youtube]

Isso é o que você já sabe. Vamos à porradaria exclusiva by Implicante™.

Até pessoas favoráveis à PM no campus e refratárias à invasão da reitoria (não usem o termo errôneo “ocupação”, já expliquei essa e outras mentiras sobre a USP lá no Papo de Homem) acharam um absurdo o uso de tamanha força policial para a desinvação (sic) da reitoria. Foram 400 policiais, com cavalaria, Tropa de Choque e até um helicóptero. É policial demais pra prender “estudante” (risos), enquanto tem tanto traficante a ser preso por  aí, não? Seria uma questão pertinente, se essa galera que invadiu a reitoria estivesse preocupada com a segurança de favelado, e não em apenas lhes dar 0,4% do salário do papai em troca de alguns gramas de cânhamo.

Um gestor de segurança ouvido pelo Implicante ainda foi além: nem mesmo se fosse essa a pauta deles a grita procederia. O princípio do Choque é: quanto maior a disparidade de força, menor a chance de conflito. O helicóptero, apesar de custar caro, monitora a dinãmica da ação e dissuade. Ou seja: dinheiro público gasto para não haver feridos entre a camorra que invadiu a reitoria. Sai caro, mas quantos alunos foram feridos pela “brutalidade” policial, mesmo? Numa operação planejada, o único “ferido” foi um aluno que resolveu entrar na reitoria no mesmo momento, e sofreu uma brutal “escudada”, ferindo seu supercílio. De novo, a “brutalidade” da polícia é pedir pra ninguém ficar por perto, enquanto eles retiram a vagabundagem sem ferir ninguém. É essa a “militarização do campus“, que tanto teme o prof. Luiz Renato Martins. É essa a “repressão”. Com a reitoria livre, quem estiver com problemas com bolsas da Fapesp (ou seja, quem trabalha produzindo algum conhecimento) poderá ir amanhã usar o prédio à vontade.

Claro que também afirmaram que houve abusos. Um melhor do que o outro. Uns disseram que os seis coquetéis molotov encontrados na reitoria foram “plantados” pelos policiais. Será que eles também “plantaram” esses pichações? Alguém tem vídeos mostrando os PMs levando seus filhos de 5 anos para, digamos, desenharem isso na parede?

Apesar de a invasão ter durado 12 dias, “refutaram” essas imagens (sic) dizendo que era impossível que os estudantes as tivessem feito, pois estavam dormindo quando a PM entrou. Sim, disseram isso.

Magno de Carvalho, um dos homens mais antigos dirigindo o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), que deve estar lá desde o Tratado de Tordesilhas, afirmou, defendendo que se fincasse o pé na reitoria: “Acho que estão apostando em um confronto sangrento”. Ou seja, a PM é que queria ver sangue. Essas imagens acima são apenas mostra de pacifismo a la Gandhi diante da ditadura privativista blá blá blá. Enquanto isso, vejamos o que diz o comandante-geral da PM, no Estadão:

“Vamos mobilizar as tropas, mas não significa que a polícia vá entrar assim que o prazo das 23h vencer”, afirmou, na tarde de ontem, o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM. “Vamos estudar o melhor momento e ainda temos esperança de uma solução pacífica. Legalmente, a reintegração de posse pode ser feita em qualquer horário.”

Brutalidade. Também chorumelou-se sobre “gritos numa sala escura” e “desparecimento de um diretor da UNE”. O pai da criança acionou a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, falando com Eduardo Suplicy (PT-SP, que conversou com a secretária de Justiça de São Paulo, Eloísa Arruda) antes de… ligar para a mamãe do estudante aplicadíssimo e descobrir que ele estava na barra da saia dela o tempo todo. É com essa familiaridade com a verdade que sobrevive o “Movimento Estudantil”.

Ah, também rolou tortura, claro. É a velha mania de querer ser mártir e ser perseguido político, quando todo policial que ganha um décimo do seu salário tá cagando e andando pra sua lutinha de classes vinda de cima. Pau-de-arara? Eletrochoque? Golfinhos de Miami? Alguma coisa que lembre um Gulag ou outra tortura soviética? Não. Ficar no ônibus, para a turminha que invade reitoria com óculos Ray-Ban e blusa GAP, foi chamado de tortura. É difícil aceitar tamanha cara de pau sem querer dar uma bifa na orelha. Só faltou os policiais obrigarem-nos a ler um livro cada um. Eu pego ônibus bem mais lotado do que essa galera todo dia, que, com seu pouco estudo e seus carrões, não parece sair muito do circuito Cidade Universitária – Vila Madalena. Aqui se vê mais um vagabundo saindo da reitoria para buscar algo no seu Hyundai (fotos por Mari Carvalho):

Uma das pichações mais sensatas de toda a USP sem querer explica o caso sozinha, replicando outra pichação que reclama do preço do ônibus em São Paulo (R$3,00):

Ou seja, pra galera que pega ônibus de graça com a polícia, vai sentada em bancos mais acolchoados que a viação Sambaíba e faz algazarra dentro de ônibus da PM, com jornalzinho do PCO, livro de Mao Tsé Tung (VEJAM) e tênis fedorento, fumando lá dentro e tudo, isso é “tortura”. Olha só a tortura em flagrante, quase dando pra ouvir o grito de dor dos “presos políticos” na foto:

Despiciendo coroar o dito lembrando que a fiança foi paga. O valor era R$1.050 por cabeça, o que poderia ser recalculado segundo as condições econômicas da galera. Quem pagou foi a Conlutas (um “sindicato de estudantes” ou organização que faça as vezes de algo parecido com isso), numa “vaquinha de sindicatos”. Não entendeu? Foi você, seu trouxa. Você tem um Hyundai na garagem? Só lembrando que a quantidade em moeda de cerveja e drogas que adentrou a reitoria durante a invasão seria suficiente pra aumentar em uns 10 pontos o IDH de Ruanda.

Tempos ÁUREOS da ditadura: veja mais de perto

Em primeiro lugar, “medida autoritária” é bazófia porque é medida democrática – a maioria absoluta dos alunos quer a PM. Medida autoritária significa um grupelho que toma o poder e impõe sua vontade à força, goela abaixo. Isso foi exatamente o que fizeram os radicaizinhos juvenis fascistercos que invadiram a reitoria.

Em segundo lugar, porque em nenhum outro lugar do país ajuntamentos dos mais extremistas têm tanta liberdade. Em toda a Cidade Universitária, lugar ermo, cheio de árvores e com prédios absurdamente distantes uns dos outros, é possível ver panfletos gritando “Fora Rodas!” [o reitor João Grandino Rodas] ou com alguma patacoada sobre Marx, Lênin e Trotsky, mormente na FFLCH (a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Pior: há propagandas e jornais de partidos políticos em cada muro. Usar um prédio público para fazer propaganda partidária é crime – e crime duplo, se ainda for fora da época de eleições. PCO, PSTU e PSOL ignoram o fato 366 dias por ano. Como são pequenos – aliás, eles não são pequenos, eles são ridículos – todo mundo ignora. Afinal, por que alguém daria IBOPE para o PCO (que nem tem bordão)?  “Hey, vocês estão não podem fazer propaganda aqui, é ilegal e imoral dar mais privilégios pra vocês do que pros outros partidos como… ahn… ehrr… bom, deixa essa bosta aí mesmo, vai.”

Calçada destruída da reitoria, para uso das pedras como armas. Foto por Mari Carvalho.

Mas essas guildas não cansam sua facúndia vomitando que está havendo uma “perseguição política” na USP. Segundo eles, a quebradeira que ocorreu por causa de 3 alunos fumando bagulho na quinta-feira, dia 27/10, nada teve a ver com maconha. Teve a ver com a tal “perseguição”. Até agora não explicaram por que essa dita “perseguição política” apareceu justamente quando tentam levar para a delegacia para fichar 3 maconheiros, mas o discurso convence tanto que até parte da parcela USPiana que não curte um cigarrinho do diabo acaba caindo na esparrela. Há um medo reginaduartesco de que a “repressão” da PM acabe com o “pensamento livre”.

Balela. Qualquer partido gostaria de ser “perseguido político” com as benesses que a turma do PCO tem por lá. Já expliquei por aqui: se acham que a PM reprime o “pensamento livre”, experimentem dizer “Karl Marx já era, viva o capitalismo!” na FFLCH. Experimente dizer isso pro seu professor, ainda mais se ele for da linha Paulo Arantes. Creio que vocês descobrirão rapidinho quem é que oprime quem. Quem é que faz “perseguição política”.

Banca de livros da USP revirada.

Também nunca vi um PM entrando numa aula em que se discute Gramsci, Benjamin ou Rousseau (por que cursos como Letras ou Geografia precisam tanto discutir essa merda?) pra dizer: “Hey, ninguem pode ler Foucault aqui!”. Conheço n policiais que já leram Foucault. A maioria, obviamente, dá um bocejo pra ele. Os alunos da FFLCH se acham o máximo por serem “estudantes universitários da USP”. A maior relação candidato por vaga da FFLCH é de 6,6. Para ser um PM, a relação é de 101 por vaga. Tente fazer esses “estudantes” que tentam agredir policiais com livros de Marx passarem numa prova do Barro Branco. Praticamente todo mundo reprova.

Aproveitei o embalo para verificar os livros preferidos nos perfis de Facebook da galera nos grupos da FFLCH. Quase todos têm O Manifesto Comunista. Nenhum tem O Capital. Fora aquela modalidade que capital que carregam no cartão de crédito.

Em compensação, não é nem preciso chegar a época de eleições (nem que sejam as dos Centros Acadêmicos) para todas as aulas serem interrompidas por gente que só vai pra faculdade pra tentar virar político. A cada 3 aulas, a chance é de que pelo menos 2 sejam interrompidas por alguém pra “passar um recado”: pedir votos pro partido. Mesmo num prédio público, mesmo fora do período de propaganda permitida. O Implicante™ nitidamente é contrário ao PT – mas nunca vi petista fazer isso. Essa galera extremista faz e desfaz. Manda e desmanda. Tem privilégios que nem as altas esferas do governo conseguem ter. Mas se acham “perseguidos políticos”.

A verdade é que não querem a PM por dois fatores. Um é pela visão bobalhesca, infantilóide e umbigocêntrica de fumar maconha escondidinho dos pais, na longinqua Cidade Universitária (afastada por muros, pontes e avenidas cheias de putas do resto de São Paulo). Em abril deste ano já havia afirmado aqui no Implicante que haveria “greve de estudantes“, com o perdão do oxímoro, por quais motivos e o que exigiriam. A USP tem tradição de fazer greve ano sim, ano não. Os motivos se pense depois. O que foi que deflagrou tudo, afinal? Três maconheiros puxando um fumo no estacionamento da FFLCH. “Por isso o movimento acabou se desenvolvendo espontaneamente e em uma época incomum para manifestações”. Ou seja, há uma “época comum”, na USP, para manifestações. Quem disse isso não foi um estudante direitista fura-greve. Foi o site do PCO, que organizou a invasão.

Parece exagero? Pois olhe bem para essa foto. É a parte interna da porta da segunda cabine do banheiro masculino do Térreo do prédio de Ciências Sociais (fotos por José Oswaldo Neto):

Notou uma coisinha estranha ali, embaixo da letra R? Vamos dar um zoom pro pessoal de casa:

Traduzindo para o leitor não acostumado com as gírias drogatícias paulistanas, algum intelectual USPiano está procurando um motoboy que faça “corre”, ou seja, dê uma corrida em busca de drogas na favela do São Remo, vizinha da USP, onde a última operação da polícia contra os riquíssimos traficantes capturou armamento pesado, do porte de submetralhadoras 9 mm e granadas. A playboyzada diz que a violência é culpa da desigualdade social, mas não quer subir a São Remo pra buscar sua droga. Nem quer se misturar com favelado pobre (ou é o catador de lixo que tem dinheiro pra comprar submetralhadoras?). Taí um caso claro de TERCEIRIZAÇÃO na USP. Cadê o Jorge Souto Maior pra reclamar disso?! Cadê o Tico Santa Cruz e aquele textículo falando que a questão da USP nada tem a ver com maconha pra analisar o que essa foto significa?

Mas vamos ignorar o anúncio de emprego para quem quer entrar no tráfico. Engulhamos (!) por um momento esse discurso de que o problema são as “liberdades individuais”. É sempre a logorréia empolada, cheia de generalidades para esconder o que interessa. Segundo essa “visão”, não são contra a PM não por causa de 3 maconheiros queimando sua brenfa no carrão do papai (e isso não é prova de que a PM não foi corrupta, e tratou por igual tanto o rico quanto o pobre quando ouviu denúncia?), mas sim pelo “livre pensamento”.

Já ficou claro que nenhum PM nunca invadiu uma aula de Marxismo, Marxismo II, Cultura e Marxismo, Marxismo Crítico e Marxismo Revisionista na FFLCH. Já ficou claro que o PCO, o PSOL e o PSTU (sem falar em grupelhos mais nanicos ainda, como MNN – Movimento Negação da Negação, e LER-QI, Liga Estratégica Revolucionária Quarta Internacional) não param de interromper as aulas na USP, sobretudo na FFLCH. Não são favoráveis ao livre pensamento – basta tentar gritar na frente de um ajuntamento deles que você não concorda com Marx. Então, sejamos coerentes: ou teremos PM no campus, ou também expulsemos cada membro do PCO, PSTU, PSOL e derivados do campus. Cada membro desses partidos, ou do MNN e da LER-QI que for flagrado porta adentro do campus deve ser imediatamente presoTertium non datur.

Para eles, a PM faz parte de um projeto da ditadura militar que quer privatizar a Universidade. É bom que “estudantes” de cursos ligados à discussão política entendam que ditadura e privatização, na maior parte das vezes, são quase antônimos. Eles se colocam mais perto da ditadura. Porém, como também afirmei no Papo de Homem, tirar a polícia de lá significa exigir que cada unidade cuide da segurança (como, aliás, já acontece, visto que a PM não entra nos prédios). Como? Contratando empresas de segurança privada. Por que a gentalha reclamando de privatização iria gostar disso? É simples: a cada greve, montagem de piquete whiskambal, os alunos falam pros seguranças: “se encostar um dedo em mim, eu digo que foi agressão”. Os seguranças não podem fazer nada contra os alunos. E aí, dá pra fumar bagulho em paz. Se é pelo prazer umbigóide de financiar o tráfico sem o papai ficar sabendo, vale até privatizar.

A verdade é que a “reclamação” que os estudantes já tinham há tempos, e que “eclodiu” com os três estudantes indo para a delegacia para assinar termo circunstanciado (nem serem presos, como não se prende ninguém por porte de droga), é bem simples: eles odeiam o capitalismo. Alguns são da linha trotskysta e pregam a luta armada (já mostrei mais de uma vez aqui como falam abertamente em cortar a cabeça de “reacionários”), outros são gramscistas, e querem derrotar o Estado por dentro. Geralmente é a linha da turma do Direito. É essa galera que acha que qualquer coisa é motivo pra invadir a reitoria, se fingir de “reprimido” e de “lutador pelo livre pensamento”. Falaram de algumas coisas que precisam ser vistas, como o Ministério Público investigar o reitor por, entre outras coisas, um tapete de R$32 mil comprado pela reitoria e do Paço de Artes, espaço público, ter sido usado para um casamento privado. Nem 5% dos alunos anti-PM parecem sequer saber disso. Os invasores já estavam dentro da reitoria quando isso foi informado para a maioria.

E quanto a PM gastou em dinheiro público, como gasolina, só para fazer uma operação que garantisse que nenhum mauricinho invasor de reitoria sairia ferido? Algo como 10, 20, 50 vezes o preço do tapete? E quanto gastou com hora extra para trabaliadores (sic) limparem a reitoria? Eu limpo a reitoria SOZINHO em troca de expulsarem todos os vagabundos (que estudantes não são). Na greve do lixo, quantos “defensores dos trabalhadores” limparam o lixo que esparramaram pelos corredores? Por que não demonstrar o que sentem pelos funcionários da limpeza lá no fundo, e ao invés de espalhar papel higiênico usado, ir direto cagar nos corredores, se depois era pra deixar para eles limparem?

A quizumba toda ocorre porque essas pessoas são quase todas filiadas a entidades extremistas que querem acabar com a democracia e instaurar a ditadura do proletariado. Como não conseguem nem 1% de votos nas eleições, fazem essas badernas e dizem que a luta é “antiga”, e portanto nada tem a ver com maconha. É a lorota que esses textos circulando no Facebook estão passando. Falam até que uma das reivindicações antigas é por MAIS SEGURANÇA no campus. Maior mentira, impossível. Mostrei até com foto o que estavam “pedindo” exatamente um dia depois do assassinato de Felipe Ramos de Paiva na FFLCH, onde essa balbúrdia se deflagrou: segurança? PM? Não. Marcha da Maconha.

Mas poderíamos também argumentar que há um terceiro grupo, ainda anônimo e desconhecido. Talvez eles estejam no movimento pelo fim do preconceito lingüístico, dada a conjugação verbal para tentar expulsar os “gambés” (policiais) da USP, em pichação no prédio de História/Geografia (foto de José Oswaldo Neto):

Pode ir? Então, seu desejo é uma ordem.

 

Leia também:

A “repressão” policial na USP: Um tratado sobre a violência – por Flavio Morgenstern

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Os alunos desocupados da USP e seus defensores são velhos conhecidos – por Daniel Lopes, no Amálgama

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Toda vez que o vento fecha a porta do seu quarto, grita imediatmaente: “Cárcere privado! Cárcere privado!”. No Twitter, @flaviomorgen

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