Blog

Não, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão não foram “banidas” do carnaval do Rio de Janeiro

A manchete foi um tanto exagerada e acabou “viralizando” com uma ideia equivocada.

Cordão do Bola Preta em 2013. Foto: Tania Rego / ABr

Um alvoroço tomou as redes sociais na manhã de hoje: o carnaval do Rio de Janeiro teria banido duas marchinhas, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão, pois suas letras seriam opressoras. Apesar de a manchete dizer que foram “banidas da folia carioca”, a coisa não é bem assim.

Na verdade, são três blocos, dois pequenos e um de tamanho médio, que não aceitarão mais essas marchas.

TODO O RESTO do carnaval de rua do Rio, algo que proporcionalmente se torna avassalador comparado a esses três casos, não declarou o veto às canções.

E duas declarações, que constam da mesma reportagem, dão o tom de como a coisa está. Vejamos, primeiro, o que diz a Rita Fernandes, presidente da “Sebastiana”, associação que reúne 11 blocos do Rio de Janeiro:

“Nenhum bloco da Sebastiana está tirando marchinha do repertório. Os blocos acham que as marchinhas são antigas, tradicionais e tinham um contexto, sem ter preconceito. Foram criadas numa determinada época. A vida fica muito sem graça se tudo tiver que ser enquadrado, perdendo a leveza e a brincadeira, que são a essência do carnaval”

Agora, a opinião do presidente da Folia Carioca:

“Vamos continuar tocando. Essa discussão não agrega nada”

Por fim, a do presidente do Cordão da Bola Preta, dos mais famosos e tradicionais:

“Não consideramos essas marchinhas ofensivas. Quem as compôs, certamente, não tinha essa intenção. Carnaval é uma grande brincadeira. Essa polêmica não vai levar ninguém a lugar algum e até desmerece o carnaval. O preconceito está mais dentro das nossas cabeças do que nas marchinhas”

Tudo isso, vale repetir, na reportagem original. Então, convenhamos, essas marchinhas não foram excluídas da “folia” carioca, mas apenas de alguns blocos e, como são organizações privadas, fazem o que querem – bem como também fazem o que querem os favoráveis à manutenção das marchas.

Resta saber até quando.

ps – a observação da disparidade entre o que foi compartilhado e o conteúdo correto foi do professor Bernardo Santoro.

Notícias Recentes

To Top