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Não somos como eles: pedimos a saída de Jucá e continuamos a favor de grampos vazados

Flagrado em gravação constrangedora, cujo conteúdo indicaria o objetivo de melar a Lava Jato, a permanência de Romero Jucá no governo Temer se tornou inviável.

Romero Jucá - Michel Temer

(atualização: Jucá foi afastado do Ministério, mas o post ainda vale)

O maior erro recente do petismo foi supor que o grande movimento que tirou o partido do poder teria algum vínculo ideológico ou mesmo prático com os tucanos. Assim, quando algum petista se metia em confusão – ou ia preso -, eles “revidavam” xingando o PSDB.

Evidentemente, o pessoal que atacava o PT não dava a mínima para o partido rival. Estavam se lixando também para isso. E foi assim, num erro de detecção do “inimigo”, que os petistas perderam o rumo da narrativa e se afundaram cada vez mais.

Michel Temer precisa evitar um erro parecido.

Se não tomar providências quanto a Romero Jucá, e o quanto antes, perderá TODO o apoio dos que torcem pelo sucesso de sua gestão, ao menos no campo dos movimentos e afins. É o mínimo que se espera e não adianta supor que todos darão de barato algo do tipo com base na lenda de que bastaria a saída do PT.

Não, ninguém do nosso lado vai para as ruas (nem publicará ensaios ou colunas) dizer que seria errado vazar gravações complicando políticos (como eles fizeram e fazem). Há interesse público, é papel da imprensa numa democracia. Ponto.

Aliás, bem ao contrário: fomos todos a favor quando elas pegaram petistas, então somos também favoráveis agora. E ninguém vai defender qualquer “guerreiro do povo brasileiro” pego numa situação dessas (de novo, como eles fizeram e fazem).

A nova militância, a mesma que derrubou o PT, não endossará nem fará vistas grossas a uma eventual permanência de Jucá no governo. As gravações vazadas são graves, por mais que ele tenha ótimos argumentos para explicar cada uma das frases. E até mesmo para defender-se com maior autonomia e isenção, é preciso que saia do governo.

Claro que todos no Planalto sabem disso, mas também podem, a esta altura (e de forma equivocada), fazer cálculos do tipo “será um desgaste, mas vamos manter”. Pois bem, não será apenas um “desgaste”, mas sim o início de uma grande ruptura que se tornará insustentável mais adiante.

A hora é agora.

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