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Nordeste vê violência dobrar após 10 anos de PT na presidência

Entre 2002 e 2012, número de assassinatos passou de 10.947 para 20.960. No Sudeste, esses índices apresentaram queda no mesmo período.

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Na última década, algumas cidades do Nordeste, antes conhecidas como lugares tranquilos, precisaram se acostumar com uma explosão de violência que, de acordo com o Mapa da Violência 2014, tornou a região líder absoluta em números de homicidios no país. Enquanto lá a quantidade de assassinatos passou de 10.947 para 20.960, no Sudeste esses índices apresentaram queda.

Em 2002, o Sudeste concentrava 55% dos homicídios do país. Dez anos depois, esse percentual caiu para 30%. Já no Nordeste houve uma curva inversa. Em uma década, o percentual de crimes na região saltou de 22% do total nacional para 37%, se tornando a região com mais mortes.

A taxa de homicídios do Nordeste é similar à da Guatemala, que, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), é o quinto país mais violento do mundo. Os Estados onde esse número cresceu mais são Rio Grande do Norte e Bahia, com aumento de 229% e 221,6%, respectivamente.

Esse aumento, segundo o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência, tem dois motivos principais: o surgimento de novos polos de desenvolvimento – fato que levou riqueza a outras localidades – e a concentração do combate à violência em lugares onde os índices eram mais alarmantes no início dos anos 2000. Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco melhoraram seu aparelho de segurança e começaram a reduzir a as taxas de homicídios.

Para o sociólogo, na mesma medida em que esses Estados fortaleceram suas polícias, os outros com menos recursos acabaram se tornando vítima de um fenômeno que chama de “interiorização da violência no país”, iniciada a partir de 2002.

“O que houve no Brasil foi uma migração do crime para o Nordeste, mas não só para lá. Estados como Goiás, Pará e Amazonas, por exemplo, eram tranquilos e tiveram crescimentos significativos”, disse.

Às vésperas da Copa do Mundo, esse é um problema que preocupa brasileiros e estrangeiros. Sete das 12 cidades que sediarão jogos da competição tiveram aumento dos assassinatos na última década, e mesmo as que melhoraram apresentaram piora nos índices de outros crimes, como roubo ou estupro.

O cenário desafia o esquema montado para a Copa — cujo plano nacional de segurança, até um mês antes do início do Mundial, tinha menos de 12% pagos do total previsto para as cidades, segundo a Secretaria de Grandes Eventos. E não se trata apenas de problemas potenciais de segurança nas áreas centrais de cada cidade-sede. As periferias dessas capitais e suas regiões metropolitanas correm o risco de ver aumento da criminalidade, segundo pesquisadores da área, já que o policiamento estará concentrado nas regiões turísticas e nos locais onde público e participantes da Copa estarão.

Lavar de mãos

Sempre que emparedados, governistas se livram do problema justificando que  responsabilidade pela segurança pública cabe aos governos estaduais. De fato, são esforços estaduais que conseguem reverter esse quadro. Coincidentemente ou não, São Paulo e Pernambuco, dois estados comandados por opositores de Dilma, apresentam para o período alguns dos maiores melhoramentos, diferentemente da Bahia, sob os cuidados do PT. Mas fato é que, uma vez na presidência, o Partido dos Trabalhadores assistiu passivamente ao país se tornar o dono de 11% dos assassinatos do mundo, mesmo a união tendo sob seus cuidados mais que o dobro da soma dos impostos de todos estados. Não só isso, enquanto os governadores aumentavam seus investimentos em segurança, a presidência do país os reduzia drasticamente. Fica claro que a responsabilidade pelos 56 mil assassinatos de 2012 não podem se restringir a apenas uma das esferas do Estado. No entanto, o governo segue lavando as mãos.

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