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Novo ministro de Dilma abre os trabalhos elogiando o governo FHC

Segundo Joaquim Levy, a consolidação dos avanços sociais, econômicos e institucionais iniciaram-se no país há pelo menos 20 anos

joaquim levy

Os intelectuais petistas reclamaram bastante, fizeram manifestos e lançaram petição pública. O motivo: depois de eleita, Dilma estaria colocando em prática o programa de governo proposto pelo seu principal adversário, Aécio Neves. Sentindo-se traídos pelo discurso da presidente reeleita, encabeçam as assinaturas o economista Luiz Gonzaga Belluzzo; o lider do MST, João Pedro Stédile; e o teólogo Leonardo Boff.

Os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas.

A moral dos intelectuais deve estar baixa, pois Dilma confirmou na tarde de ontem os nomes já vazados na imprensa, com Joaquim Levy na Fazenda e Nelson Barbosa no Planejamento.

Levy e Barbosa, contudo, não assumirão os cargos imediatamente: a dupla ficará instalada em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros da presidente, numa espécie de “equipe transição” com o ministro demissionário da Fazenda, Guido Mantega.

O novo ministro da Fazenda e homem mais importante do governo já veio a público na mesma tarde fazer o que todo gestor sério deve fazer: acalmar o mercado com a devida classe que o cargo exige. No entanto, não se furtou a soltar uma gentileza que, para os críticos oposicionistas, findou soando uma peça de humor involuntário:

Vir a suceder o mais longevo ministro da Fazenda no período democrático, mais do que a honra, é um privilégio.

(grifos nossos)

Completamente desacreditado e cumprindo o talvez maior aviso prévio da história recente do país, Guido Mantega está longe de ser um servidor público que honre a cadeira que ocupou. Cumprimentos feitos, Levy segue dizendo sim a tudo que Dilma disse não durante a campanha. E, já quebrando o padrão de seu antecessor, evita fazer promessas que não conseguirá cumprir.

Em 2015, a melhora de superávit primário alcançável não deve nos permitir chegar ao valor acima, e — portanto — deve-se trabalhar com a meta de superávit para o Setor Público não Financeiro Consolidado de 1,2% do PIB, na forma apurada pelas estatísticas do Banco Central.

(grifos nossos)

A preocupação com a credibilidade perdida é uma constante em suas palavras. E a grande surpresa foi o reconhecimento de que as conquistas sociais tão celebradas pelo PT começaram há duas décadas, com o nascimento do Plano Real lançado por FHC ainda no governo Itamar:

Alcançar essas metas é fundamental para o aumento da confiança na economia brasileira e criará a base para a retomada do crescimento econômico e a consolidação dos avanços sociais, econômicos e institucionais realizados nos últimos 20 anos.

(grifos nossos)

Para desespero do governismo socialista ainda em voga no país, o novo ministro da Fazenda também faz questão de reconhecer a importância do papel da iniciativa privada na fuga da sinuca de bico a qual o PT largou o Brasil. Sem citar a palavra mágica que irrita qualquer petista mais clichê, defende o que Aécio vivia a pronunciar silabicamente nos debates da campanha: me-ri-to-cra-cia. Quanto ao desenvolvimento sustentável defendido por Marina e Eduardo Jorge, o termo chega a ser usado explicitamente.

O Ministério da Fazenda também trabalhará incessantemente para o setor privado poder ampliar a oferta de bens e produtos no Brasil, com políticas que ajudem a aumentar a nossa produtividade, base do crescimento da renda do trabalho. A concorrência, o empreendedorismo e a inovação também são indispensáveis para o crescimento sustentável, e o Ministério da Fazenda estará trabalhando com todo o governo para reduzir eventuais barreiras a esses três motores do desenvolvimento.

(grifos nossos)

Ainda na editoria de desespero para o discurso esquerdista bitolado, há um claro aceno ao que as linhas auxiliares petistas chamavam de “capital financeiro”. Ou o reconhecimento de que o bom trato à economia de mais interesse à classe A é sim importante para o desenvolvimento de todo o Brasil.

Nesse trabalho de ampliar e canalizar a poupança doméstica e externa, inclusive para a infraestrutura, o mercado de capitais terá um papel cada vez mais importante, complementando a ação do sistema bancário na alocação eficiente de recursos, de acordo com sua própria avaliação dos riscos e retorno de cada oportunidade de investimento, permitindo novas maneiras do país e das famílias construírem e se prepararem para um futuro melhor.

(grifos nossos)

Há de se questionar o trecho em que se busca reafirmar um compromisso com a transparência no trato da coisa pública. Não que transparência seja ruim (muito pelo contrário). Mas não é possível reafirmar algo que na prática não existia. Que dessa vez o discurso vá além das palavras gritadas ao vento.

O Ministério da Fazenda reafirma o seu compromisso com a transparência de suas ações, manifesta no fortalecimento da comunicação de seus objetivos e prioridades, e na divulgação de dados tempestivos, abrangentes e detalhados, especialmente das contas fiscais, que possam ser avaliados por toda a sociedade, incluindo os agentes econômicos.

(grifos nossos)

O acerto de Dilma ao convocar Joaquim Levy soa como aplausos a tudo o que pregava seus reais opositores durante a campanha. Mais ainda, como vaias a todas as mentiras defendidas pela própria propaganda petista nos 3 meses em que batalharam os 54 milhões de votos que receberam. A militância mais antiquada ainda se indigna com o que chamam de “neoliberalismo”, mas, até o momento, não conseguiram acumular nem sequer 5 mil assinaturas para a petição amplamente divulgada na internet estes dias. Como diria outra famosa celebridade simpática ao número 13, eles vão ter que engolir.

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