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O desejo governista de descolar a Copa das eleições se tornou quase impossível

E a culpa é do próprio PT, que defende uma maior interferência do estado no futebol, que tentou tirar vantagem da popularidade que a seleção ainda possuía e não possui um discurso único de defesa do evento

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Após passar anos tentando utilizar a Copa ao seu favor, a gestão petista, após a humilhante derrota da seleção brasileira para a Alemanha, tenta agora desvencilhar sua imagem do Mundial. Coincidência ou não, as mesmas vozes que pediam por “mais copa” nas redes sociais aos poucos passaram a condenar qualquer tentativa de relacionar o evento esportivo aos rumos políticos do país – o que, a essa altura do campeonato, já se tornou uma tarefa praticamente impossível.

Foi o próprio governo, na voz de Aldo Rebelo, quem no dia seguinte achou que a solução seria uma maior intervenção estatal nos rumos do futebol. Já Dilma sugeriu medidas para a renovação do futebol brasileiro, que deveria, segundo ela, parar de exportar talentos para times estrangeiros.

“Quando eu falei antes que o futebol brasileiro deve ser renovado, o que eu quis dizer é que o Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios”, disse.

“Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”, continuou.

Especialistas não acreditam que o fracasso da seleção brasileira afete o humor nacional de forma prolongada. O mesmo não se pode falar a curto prazo, já que as reações do mercado evidenciaram outra realidade. Alguns dias após a derrota, as ações da Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras apresentaram alta na Ibovespa, subindo mais de 2,5% após especulações a respeito da queda de Dilma nas intenções de voto.

Desde início das pesquisas eleitorais, em março, as estatais chegaram a valorizar 32% na bolsa brasileira, após Dilma recuar nas intenções de votos. A Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil foram dos 220 bilhões de reais para 291 bilhões em valor de mercado.

Na última quarta-feira, feriado no Brasil, os ADRs (American Depositary Recepts) da Petrobras, recibos de ações da estatal listados nos Estados Unidos, disparavam 5% na bolsa americana Nyse.

Nem mesmo as iniciativas “sociais” do governo lograram êxito no evento. As 48 mil entradas destinadas a escolas públicas e beneficiados por programas sociais acabaram servindo para abastecer o esquema milionário de venda ilegal de ingressos, desbaratado pela operação Jules Rimet.

Em uma das gravações interceptadas pela polícia, um cambista ainda não identificado diz a Sergio Antônio de Lima, integrante da quadrilha que está preso desde 1.º de julho: “As escolas aqui (em Fortaleza) ganharam 7.500 ingressos, que vieram para a ‘rua’. Mas vou fazer o maior esforço para vender no menor preço possível”, disse.

Até a campanha da presidente vem sendo afetada pelas discordâncias a respeito do tom adotado após a derrota. Declarações sobre a CBF já provocaram atritos dentro do comitê que cuida de sua reeleição. Franklin Martins, ex-ministro de Lula e um dos coordenadores desse comitê, ameaçou deixar o cargo após interlocutores do Planalto solicitarem a retirada de um texto do site da campanha – o “Muda Mais” – no qual a Confederação é criticada.

Irritado, ele chegou a ameaçar deixar a campanha depois que integrantes do comitê ligados a Dilma pediram que fosse retirado o texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol. “Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. É preciso mudar”, diz o texto do site.

O pedido de retirada do post, no mesmo dia em que Dilma reclamou com o ministro Aldo Rebelo (Esporte) sobre suas declarações defendendo uma intervenção no futebol, não foi atendido por Franklin.

Curiosamente, nenhum desses contratempos partiu de iniciativas oposicionistas, mas de trapalhadas do próprio governo. Dilma tenta a todo custo transferir a culpa de qualquer possível falha a ações de terceiros que chama de “pessimistas”. Cabe à oposição esclarecer ao eleitorado que o pessimismo nunca foi a causa de um evento para lá de questionável, mas a consequência dele. Em outubro, a população dará o veredicto.

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