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O “Engavetador-geral da República” de Dilma

Uma nota da revista “Veja” afirma que Rodrigo Janot, o Procurado-geral da República, vem se reunindo com representantes de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato para negociar uma solução menos prejudicial ao governo.

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Um dos principais argumento usados por Dilma durante a campanha dizia respeito ao poder de investigação que ela supostamente daria às instituições nacionais. Por várias vezes, ironizou o governo que a antecedeu acusando-o não de ter um procurador, mas um “Engavetador-geral da República”. Pois é justamente o Procurador-geral da República que vem sendo acusado de manter contato direto com os investigados pelos desvios do Petrolão para encontrar uma saída pouco danosa ao governo:

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) acusou neste sábado (29) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de tentar blindar o governo. Motivo: uma nota da revista “Veja” desta semana que afirma que Janot vem se reunindo com representantes de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.

Segundo a nota, Janot articula para que os executivos admitam a formação de cartel para atuar na Petrobras argumentando que se trata de um crime econômico, mais defensável. Janot, segundo a revista, teria falado em riscos à “governabilidade” e prometido que as firmas não seriam declaradas inidôneas.

(grifos nossos)

A estratégia é fazer com que as empresas assumam a culpa, livrando o Planalto e a Petrobrás de qualquer responsabilidade, e evitando, assim, um processo de impeachment de Dilma.

“Isso é um escândalo. O senhor Rodrigo Janot não pode virar o pizzaiolo-geral da República”, disse. “As empresas assumem a culpa, livram os políticos, porque não haveria mais a propina; a Petrobras vira vítima e a presidente Dilma, uma justiceira.

(grifos nossos)

Mais engavetamento

Ontem, em mais uma tentativa de Dilma para evitar que o Petrolão a atinja diretamente, o plenário do Senado aprovou a indicação de Vital do Rêgo para o TCU. Rêgo é o mesmo presidente da CPI que fez interrogatórios com perguntas previamente elaboradas com os investigados:

Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido. (…) E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos.

(grifos nossos)

Em 2012, Vital foi presidente da CPI do Cachoeira, que investigou um suposto esquema montado pelo empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de crimes como exploração de jogo de azar, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e contrabando. A Comissão acabou sem o indiciamento de qualquer pessoa.

Forte aliado da presidente Dilma, a indicação de Vital do Rêgo é benéfica para o governo porque, em caso de aprovação, ele será responsável pela relatoria dos processos de investigação da estatal, inclusive os da compra da refinaria de Pasadena (EUA).

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