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O impeachment de Dilma difere do de Collor por não ser iniciativa de Brasília, mas do Brasil

A narrativa do “golpe” não vingará nem a longo prazo.

Lula e Dilma já entregaram os pontos quanto ao impeachment. Enquanto a presidente se preocupa em sabotar o governo Temer, queimando o que consegue de verba pública, e aparelha as gestões petistas menores, autorizando o que puder aos governadores e prefeitos do partido, o ex-presidente apenas reforça junto à bancada no Senado que mais uma vez os parlamentares precisarão soar um disco arranhado, gritando contra o que chamam de “golpe” sempre que o microfone abrir para eles.

Mas essa versão dos acontecimentos vingará?

Muito leva a crer que não.

A “narrativa” finalmente tornou-se uma palavra absorvida pela noticiário, ainda que estivesse presente há décadas nos bastidores do petismo. Era através dela que o partido se acostumava a basicamente escrever a história do país, sempre de seu ponto de vista, independente de qualquer respeito à realidade. E assim o PT foi galgando degrau a degrau até concluir mais de 13 anos na Presidência da República.

Mas uma voz ganharia notoriedade nos últimos anos e finalmente ofereceria uma alternativa ao conto de fadas petista. Na verdade, muitas vozes. A de milhares, milhões que usam suas redes sociais diariamente para negarem a digestão calada das informações compartilhadas.

O impeachment de Dilma difere bastante do de Collor por não ter sido uma iniciativa de Brasília, mas do Brasil. Não havia oposição ao lado dos manifestantes, nem centrais sindicais, movimentos estudantis, professores, artistas, imprensa, nada. Se não foi um movimento nascido do “povo”, no sentido de ter se originado das camadas mais pobres da população, ao menos é do “povo”, quando se entende que não havia qualquer entidade centralizando o discurso desde aquele novembro de 2014.

Há alguns anos, o PT já perceberia a perda do controle da comunicação. Naquele final de 2013, tentaria fazer vingar o entendimento de que os mensaleiros estavam sendo presos sem qualquer prova. Claro, era uma deturpação da teoria do domínio de fato. Mas não vingaria. Hoje, todo o petrolão é investigado olhando para cima, buscando o topo da cadeia de comando. Entre Joaquim Barbosa e José Dirceu, a disputa foi vencida pelo primeiro.

Por isso, é possível hoje concluir que o PT não faz da leitura dos fatos o que bem entende. Do contrário, teria evitado a perda do seu maior trunfo, a Presidência da República. Se não conseguiram emplacar o discurso no comando de 70% do orçamento do país, não é fora dele que conseguirão.

Não vai ter golpe porque não vai ser golpe. Está tudo muito bem documentado. Sempre que o petismo ousar mentir, basta achar o link com a verdade e jogá-lo no debate. E restará ao petista apenas o grito, a agressão, o chilique, a derrota. Merecidamente.

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