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O “indestrutível” Orlando Silva mimetiza Lula, mata a “faxineira” e coloca todo o governo Dilma sob suspeição

Lula, como todos sabem, nunca foi cerimonioso com as palavras. Em julho de 2005, auge do Mensalão, o ex-presidente concedeu uma “entrevista” na França que ficou antológica por sua desfaçatez. Poucas vezes na história do Brasil um dirigente público chegara a um nível tão baixo para justificar os crimes praticados por seus subordinados. “O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente”, assentiu. A versão de crime eleitoral, forjada pelo advogado criminalista e então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para esconder o provável sistema de compra de votos, seria só um detalhe. O raciocínio, além de simplório, era destruidor: “se todos cometem crimes, porque pegar no pé do PT”? A partir de então, corruptos de todas as matizes partidárias trocaram o discurso. O “não fui eu” cedeu espaço para o “fui eu, e daí”?

Hoje é Orlando Silva quem segue os passos de Lula. Mais comedido que o outro integrante da família Silva, Orlando declara inocência, mas desde as primeiras denúncias deixou escapar que não instaurou o delito na pasta, apenas deu prosseguimento ao que já vinha sendo feito por seu antecessor, Agnelo Queiroz (PT-DF). No dia 17 deste mês, o (ainda) ministro Orlando Silva distribuiu responsabilidades:

“A única vez que encontrei este caluniador (o PM João Dias) foi no Ministério do Esporte. Eu era secretário-executivo do Agnelo, que me recomendou que recebesse e firmasse o convênio”.

Mesmo com a resma de contratos fraudados que ligam a sua gestão a crimes de toda ordem, o (ainda) ministro Orlando Silva deu de ombros às denúncias e tentou por fim a rumores de demissão declarando-se “indestrutível”. Indestrutível? Por quê? O que tornou o episódio do Esporte diferente dos ocorridos em outros ministérios, e que resultaram na demissão de seus titulares?

Dilma, que parecia tão disposta a debelar crises, passou a tratar Orlando Silva com um cuidado incomum:

“Ela me sugeriu serenidade, paciência e reafirmou confiança no nosso trabalho”, respirou o (ainda) ministro após sair de uma reunião com a presidente.

A resistência de Orlando Silva em permanecer no cargo, e a indulgência despudorada de Dilma, sugerem que há algo além de uma pretensa “boa vontade com um aliado histórico”, como fazem crer alguns representantes do jornalismo áulico.

A queda de Orlando Silva pode ser até uma questão de tempo. O problema de fundo não é quando, mas como. Caso arestas não forem completamente aparadas, o episódio Orlando Silva poderá tornar-se um calvário para a administração Dilma. Quem não garante que o esquema montado no Ministério do Esporte não esteja em curso, também, em outros ministérios? Na verdade, há vários indícios de fraudes em contratos com ONGs celebrados por outras pastas. O silêncio de Dilma e sua relutância em bater de frente com o (ainda) ministro só corroboram com essa possibilidade.

O futuro do “indestrutível” Orlando poderá não ser muito auspicioso, mas sua insistência em resistir às evidências destruiu o mito da “faxineira” e enfraqueceu a autoridade de Dilma. Afinal, se a presidente foi tão parcimoniosa com um aliado envolvido até o pescoço em irregularidades, porque haverá de ser diferente com os demais partidos aliados que fizerem “sistematicamente” a mesma coisa?

A partir de agora ficará ainda mais difícil controlar os “apetites” da base.

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