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O PT propôs Temer como vice justamente para o eleitor ter um plano B num fracasso de Dilma

Em 1989, o vice de Lula foi José Paulo Bisol, do PSB, um partido de esquerda. Em 1994, Aloizio Mercadante, do próprio PT. Em 1998, outro notório esquerdista: Leonel Brizola, do PDT. Em 2002, contudo, Lula convidaria José Alencar, um empresário milionário que havia chegado ao Senado em 1999 pelo PMDB. Por quê?

A ideia partiu de José Dirceu. O radicalismo do PT não agradava o mercado, que fugia com seus dólares do Brasil à medida que a eleição de Lula se aproximava. Era um grupo ligado ao sindicalismo, mas o futuro mensaleiro convenceu o futuro presidente de que ter um empresário como vice contornaria a situação, o que de fato aconteceu. Todavia, o petismo mudava a lógica do cargo de vice-presidente: em vez de ocupá-lo com alguém que daria continuidade ao plano de governo na falta do titular, o Partido dos Trabalhadores ofereceu aos críticos um plano B caso o A falhasse.

Com Lula, em dois mandatos, não falhou. Como a gestão sindicalista caminhou bem, a empresarial não foi acionada. E o petismo achou por bem repetir a dose em 2010, entretanto, unindo o útil ao agradável: além de oferecer como vice um deputado federal intimamente ligado à FIESP (Michel Temer), Dilma Rousseff trazia para seu tempo de TV toda a base peemedebista, o que possibilitaria à chapa eleger até mesmo uma desconhecida como ela.

Mas não deu certo. A economia já não vinha bem no primeiro mandato, e o estrago só não foi percebido pela população graças às pedaladas fiscais, o que até rendeu a reeleição da petista, mas quebrou o país em 2015, justificando todo o desgastante processo que jogou o PT de volta à oposição após 13 anos.

Os petistas reclamam que hoje está ativo um plano de governo que não foi eleito em 2014. São duas inverdades, no entanto: porque foi o próprio PT quem colocou em jogo a possibilidade dessa mudança; e porque a própria Dilma já havia contrariado a propaganda eleitoral que a reelegeu ao iniciar o ajuste fiscal no segundo mandato.

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