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Lava Jato: o STF começou 2017 pondo em dúvida o próprio sistema de sorteio de processos

Restou a suspeita de que a ida de Fachin para a Lava Jato pode ter sido toda manobrada nos bastidores

Acredite, leitor do Implicante, dentre as opções existentes, a que melhor poderia cuidar da Lava Jato era Edson Fachin. Sim, o mesmo Fachin que já surgiu em vídeo pedindo voto para Dilma Rousseff.

A explicação é simples: ele passou o último ano fazendo um trabalho bastante técnico. Ao ponto de ser comparado ao finado Teori Zavascki. Além dele, as opções eram: Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O primeiro ajudou a fatiar a votação final do impeachment de Dilma. O segundo foi até capa da Veja como tendo sido citado em delação. Quanto ao terceiro, converteu-se em um dos maiores defensores do projeto que, segundo o próprio Sérgio Moro, serviria para enfraquecer a operação.

Contudo, dizer que Fachin é a melhor opção não implica e dizer que seria uma boa opção, pois este passado de apoio a Dilma Rousseff sempre colocará em dúvida as decisões do membro da Suprema Corte.

Toda a escolha se deu em um movimento aparentemente coordenado. Após a concordância junto a analistas políticos de que Fachin seria a melhor opção, o ministro migrou para a turma que cuida da Lava Jato, sentando já na cadeira ocupada por Teori. A expectativa era de que, por ter menos tempo de casa, recebesse do algoritmo que sorteia os processos os documentos da Lava Jato. E assim se deu.

Além da suspeita de que tudo pode ter sido manobrado nos bastidores, restou dúvidas sobre esse mesmo expediente já não teria sido explorado em outras situações no passado, beneficiando sabe-se lá quem.

É estranho. E lamentável. O STF precisou trabalhar apenas dois dias em 2017 para degradar ainda mais a própria credibilidade.

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