Blog

ONG teria ficado com 80% do dinheiro doado à família de Amarildo

De um total de 350 mil reais, apenas 60 mil chegaram à família na compra de uma casa e mobília. Diretor da ONG é assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

amarildo

Quando o pedreiro Amarildo desapareceu em julho de 2013 depois de ter sido torturado e morto por policiais militares, iniciou-se uma campanha para ajudar a família do pedreiro, que teve sua condição de pobreza agravada após sua morte. Para ajudá-la, surgiu a campanha “Somos Todos Amarildo”, que arrecadou R$ 310 mil reais em dois eventos organizados pela empresária e produtora Paula Lavigne. No entanto, muito pouco desse dinheiro chegou às mãos da família.

Com a compra de uma casa e de mobília, foram gastos, respectivamente, 50.000 e 10.000 reais. O restante do dinheiro – 250.000 reais – ficou com o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), ONG que se tornou notória por defender black blocs e tem, entre seus diretores, um assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o advogado Thiago de Souza Melo.

Segundo a matéria da Veja, um dos organizadores do evento informou que a família sabia que não ficaria com o total do valor arrecadado, mas o filho mais velho de Amarildo, Anderson Dias, de 21 anos, afirmou que metade do montante foi prometido a eles, e não apenas os 19,35% aos quais tiveram acesso, que só deu para comprar uma casa com vários problemas estruturais.

Segundo Anderson, a casa que a família recebeu é uma construção antiga, com defeitos na rede elétrica e na parte hidráulica. Devido aos problemas encontrados, os filhos procuraram o advogado João Tancredo, presidente do DDH, para saber sobre a possibilidade de uma reforma. “Fiz um orçamento no valor de 45.000 reais. Mas Tancredo me disse que não tinha mais dinheiro”, afirma.

O valor destinado aos móveis também não foi suficiente para comprar itens básicos, como mesa, cadeiras e fogão. De acordo com Elizabeth, viúva de Amarildo, ela precisou pedir o cartão da cunhada emprestado para terminar de mobiliar a casa.

O advogado da ONG, João Tancredo, afirmou que o acordo previa o repasse de R$ 250 mil para a DDH, que, segundo ele, destinará o dinheiro a um “projeto ainda indefinido” que tratará de casos semelhantes ao de Amarildo. Só não se lembraram de avisar isso à família e aos doadores que participaram dos eventos.

To Top