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PF prende ex-diretor da Petrobras envolvido na compra da refinaria de Pasadena

Ele foi detido por tentar destruir provas e documentos que comprovavam seu envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

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A Polícial Federal prendeu nesta quinta-feira (20) Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Segundo as autoridades, ele foi detido por tentar destruir provas e documentos que comprovavam seu envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

No final da manhã desta quinta, Costa foi detido por investigadores da operação Lava a Jato da PF, que apura esquema de doleiros que movimentou, de forma suspeita, R$ 10 bilhões. Ele é suspeito de ter ganho um carro de um dos doleiros. A PF identificou que parentes dele estariam destruindo documentos na empresa que ele abriu depois que deixou a Petrobras.

O esquema no qual Costa estaria envolvido está ligado a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, de contrabandistas de diamante extraídos na reserva indígena de Cinta-Larga e de obras de engenharia de grandes empreiteiras. Mas ele também é investigado por irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006.

A compra da refinaria é investigada pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal. A principal polêmica é o preço do negócio: o valor que a Petrobras pagou em 2006 à Astra Oil para a compra de 50% da refinaria é oito vezes maior do que a empresa belga havia pago, no ano anterior, pela unidade inteira.

A aquisição da empresa hoje é considerada um mau negócio, e, ao ter seu voto favorável à compra questionado, a presidente Dilma Rousseff alegou que havia recebido “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”. Líder do Conselho de Administração da Petrobras à época, ela afirmou que o material que embasou sua decisão não trazia algumas cláusulas.

Trata-se da cláusula Put Option, que manda uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desacordo entre os sócios. A Petrobrás se desentendeu sobre investimentos com a belga Astra Oil, sua sócia. Por isso, acabou ficando com toda a refinaria.

Dilma disse ainda, por meio da nota, que também não teve acesso à cláusula Marlim, que garantia à sócia da Petrobrás um lucro de 6,9% ao ano mesmo que as condições de mercado fossem adversas. Essas cláusulas “seguramente não seriam aprovadas pelo conselho” se fossem conhecidas, informou a nota da Presidência.

Oposição cobra explicações da presidente Dilma

As explicações da presidente, no entanto, são consideradas “pouco convincentes” pelo senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à presidência.

“As explicações são pouco convincentes e é preciso que essa questão seja investigada a fundo”, disse o tucano, que classificou o caso de “extremamente grave”. (…) Para Aécio, a revelação mostra a “irresponsabilidade” das decisões da Petrobrás, que, segundo ele, perdeu mais da metade do seu valor patrimonial nos últimos anos. Ele disse que a questão é “ainda mais grave” por envolver Dilma.

O senador pronunciou-se na tarde desta quarta-feira e fez fortes críticas ao trabalho de Dilma Rousseff:

Em um discurso duro, o tucano afirmou que a presidente Dilma faz uma “gestão temerária” da estatal e que a transação se tratou de uma “negociata” além de ser a mais “ruinosa e mais lesiva operação feita pela empresa”. Ele ainda afirmou que durante os últimos anos, a empresa, juntamente com a Eletrobrás, perdeu mais de U$ 100 bilhões. Ainda segundo o senador, Dilma e os outros integrantes do conselho administrativo devem dar explicações sobre o negócio. “A resposta dada pela presidente não é suficiente, não permite que os brasileiros conheçam as motivações dessa negociata”, criticou.

(grifos nossos)

Na câmara dos deputados, a pressão por uma CPI para investigar a Petrobras segue forte. E ela conta também com apoio de parte da base governista, composta por deputados insatisfeitos com a falta de diálogo com o comando petista.

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