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PIB fraco e dólar alto devem fazer Brasil cair e se tornar a nona economia do mundo

O levantamento foi feito pela Economist Intelligence Unit. Há poucos anos, o Brasil chegou a ocupar a sexta posição.

dilma-com-mantega-Agência-Brasil

Depois da divulgação do PIB de 2013, que deixou o governo Dilma Roussef com média de crescimento anual de 2%, tornando-o o pior economicamente desde Getúlio Vargas, a revista britânica The Economist divulgou as estimativas da Economist Intelligente Unit (EIU), que colocam o país como a nona economia mundial, caindo duas posições e ficando atrás de Índia e Rússia.

O levantamento feito pela EIU mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode encolher de 2,2 trilhões de dólares em 2013 para 2,1 trilhões de dólares em 2014. Entre os principais fatores que provocam a queda estão o baixo crescimento estimado para este ano, de apenas 1,7%, e uma forte desvalorização do real. Para chegar a esses números, foi usado um câmbio médio de 2,44 reais, o mesmo parâmetro usado pelo governo no Orçamento de 2014.

O Brasil chegou a ocupar a sexta posição em função do câmbio sobrevalorizado, mas agora, segundo Robert Wood, analista da EIU, o país perdeu seu brilho. De acordo com outro analista, Tony Volpon, diretor de pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, os países emergentes passam por um momento de ajuste.

Ele explica que tais economias, entre elas o Brasil, se beneficiaram no passado do forte crescimento da China e da ampla oferta de crédito no mercado global. “Todos esses países que estavam dependendo dessas duas fontes vão ter de procurar outras formas de crescimento. Por isso, todas essas economias estão passando por um processo de ajuste”, comenta.

Volpon acrescenta que esses países precisam tomar decisões políticas para melhorar suas taxas de crescimento. No Brasil, é necessário fazer mudanças na área fiscal para ficar acima dos 2%, mas isso deve demorar.

Ele acredita que o Brasil vai passar por pelo menos dois anos de ajuste, dado que, por ser ano eleitoral, nem todas as mudanças necessárias serão feitas em 2014. “Vai ter alguma mudança no Brasil porque a situação se impõe. O problema é que o governo faz não porque acredita, mas porque o mercado exige. Com isso, o risco é que as mudanças ocorram muito devagar. E, pior: elas podem parar de acontecer quando a pressão do mercado acabar”, comenta Volpon.

Enquanto isso, o governo segue comemorando o PIB de 2,3% anunciado no final de fevereiro. Segundo Mantega, a economia teria dado sinais de recuperação. Localmente, talvez até faça algum sentido. Internacionalmente, no entanto, faltou combinar com os Russos, que devem passar a ocupar a posição à frente do Brasil juntamente com a Índia.
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