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Politicagem artística é via de mão dupla: faturar com um grupo pode gerar o boicote de outro

E isso não é apenas algo natural, como também uma consequência óbvia.

Antes de tudo, importante deixar claro que qualquer tipo de perseguição é erradíssima. Não podemos jamais endossar agressões públicas, ataques pessoais e afins. As divergências devem sempre permanecer no plano das ideias.

Passada a ressalva a um só tempo óbvia e necessária, é preciso que o debate sobre politicagem e boicotes seja feito de forma sincera, sem hipocrisias nem exagero.

Em primeiro lugar, a liberdade dos indivíduos abarca também a possibilidade de endossar – ou repudiar – qualquer gestão ou partido político. Ao mesmo tempo em que os eleitores deste governo ou partido político (bem como seus opositores) também podem endossar ou repudiar a postura do artista.

O que não faz sentido é buscar a simpatia de um grupo, muitas vezes querendo o bônus da tomada de posição política, e exigindo não receber o ônus. Aí não tem como.

Aliás, a esquerda deveria ser a primeira a saber disso, já que pratica a coisa com um vigor único. Danilo Gentili, Lobão, Roger (Ultraje a Rigor), entre tantos outros, são permanentemente boicotados pelos esquerdistas.

Ok, é parte do jogo democrático. Então não podem reclamar agora que finalmente o outro lado resolveu ter um pouco mais de união e organização e resolveu fazer o mesmo.

Convenhamos todos, a direita ainda mal engatinha nesse tipo de prática. Enquanto esquerdistas vão atrás de patrocinadores, empregadores, contratantes e afins, o outro lado apenas fala mal e diz que não comprará o disco ou o ingresso.

Imagina quando resolverem jogar no mesmo nível… Enfim, faz parte do jogo democrático. Não vale dizer agora que não faz.

Em tempo: vale reiterar outro post de hoje, dos artistas de esquerda vaiando moradores de rua em ato da campanha do Haddad

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