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Por que escondem os nomes dos políticos investigados pelos desvios na Petrobras?

O juiz diz que busca respeitar o foro privilegiado dos envolvidos, mas advogados temem que esteja sendo evitado que o caso chegue ao STF

S?RGIO FERNANDO MORO

É o que tenta descobrir o STF na pessoa do ministro Teori Zavascki. Ele atende a pedido do advogado de Gerson Almada, vice-presidente da Engevix. Segundo palavras do próprio Sergio Moro, em depoimentos já conhecidos pela imprensa, é solicitado um respeito ao foro privilegiado de parte dos envolvidos, pedindo para que, em vez do próprio nome, usem alcunha de “agentes públicos”. A teoria da defesa é que o juiz que acompanha a Operação Lava Jato busca manter sob seus cuidados o comando da Operação:

Para o advogado, que defende Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, a PF sabia desde setembro do ano passado que deputados mantinham relações com o doleiro Alberto Youssef, mas o juiz só reconheceu o fato após a operação ter sido deflagrada, em 17 de março deste ano.

Segundo Simantob, a omissão sobre a presença de políticos visa impedir que o caso seja remetido ao Supremo. Deputados federais só podem ser investigados pelo STF porque gozam de foro privilegiado.

(grifos nossos)

Estando certo o advogado, abre-se todo um leque de novas dúvidas. Por que Sérgio Moro quer manter para si o comando da operação? Apenas vaidade? Para evitar que políticos da base governista sejam julgados por nomes que eles próprios indicaram ao Supremo? Para evitar que o foro privilegiado proteja os nomes já conhecidos caso a investigação caia em outras mãos? Fato é que a Polícia Federal vem de uma sequência de investigações descuidadas que, no caso mais grave, transformou o investigador, Protógenes Queiroz, em investigado. Todo cuidado é bem-vindo pelo bem do processo.

Mas, aos poucos, os demais executivos presos na sétima fase da operação Lava Jato começam a colaborar com as investigações da Polícia Federal. Os diretores da Mendes Júnior e da Galvão Engenharia, Sérgio Mendes e Erton Medeiros, respectivamente, já confessaram que pagaram propina ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Mendes prestou depoimento na sede da PF em Curitiba durante três horas. Segundo seu advogado, Marcelo Leonardo, que acompanhou a oitiva, Mendes disse que foi ameaçado por Youssef e Costa: se não pagasse propina, não conseguiria fechar novos contratos com a Petrobras e não receberia o pagamento dos contratos que já estavam em vigor — na época, a construtora Mendes Júnior havia sido contratada para fazer a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. O pagamento foi dividido em quatro parcelas de R$ 2 milhões.

Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite, que nada revelou sobre os contratos com a estatal em seu primeiro depoimento, já afirmou que seu cliente também está disposto a cooperar em uma próxima conversa.

“Vamos colaborar. Vamos tomar conhecimento de todos os fatos e aí podemos colaborar com um depoimento mais específico na sequência”, disse o advogado. “Ele poderá admitir [atos ilícitos] se forem verdade e colocar a mão à palmatória”, afirmou Mariz.

Enquanto isso, a justiça segue bloqueando os bens dos investigados. Em algumas contas, nenhum valor foi encontrado, mas o Banco Central ainda conseguiu reter R$ 47,8 milhões de 19 suspeitos. Nas contas de Gerson de Mello Almada, da Engevix, havia R$ 22,6 milhões, o que representa quase a metade de todo o valor bloqueado. A outra fatia estava dividida entre os demais.

O empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, mantinha R$ 10,2 milhões em depósitos. Nas contas do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o BC bloqueou R$ 3,2 milhões. Na conta de sua empresa, a D3TM Consultoria, o valor de R$ 140 mil.

A fim de evitar esse tipo de problema para seus clientes, os advogados das 5 maiores empreiteiras do país tentaram, sem sucesso, fazer um acordo com o Ministério Público antes que as prisões fossem efetuadas.

Na quinta-feira que antecedeu a etapa Juízo Final da investigação, advogados da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e de duas outras construtoras de grande porte compareceram juntos ao prédio da força-tarefa em Curitiba. Os defensores insistiram na proposta de estabelecer um acordo conjunto. A resposta dos procuradores foi negativa.”Todos se reuniram conosco ao mesmo tempo. Expuseram suas propostas. Nós as ouvimos. E dissemos obrigado, mas não”, disse um dos investigadores.

Estamos diante do maior caso de corrupção da história de um país já rico de exemplos no tema. Natural que suspeitas surjam de todos os lados. Mas, se não houve escrúpulos para desviar valores na ordem dos bilhões das contas da Petrobras, não há por que acreditar que haveria para encarar com a seriedade devida toda a investigação. O próprio Paulo Roberto Costa foi preso após flagrado tentando se livrar de provas. A presidente da Petrobras já se viu sob a suspeita de se proteger de investigação comandada pelo TCU acerca da compra de Pasadena. O mesmo TCU que o governo vem tentando aparelhar. Cautela para se investigar corretamente é sim necessária. Mas tão necessária é a agilidade para fechar o cerco a qualquer investida menos interessada em justiça da parte dos principais suspeitos.

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