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Previsões de inflação e PIB indicam um 2016 muito pior do que 2015

Foto: Dave Dugdale from Superior, USA

Há um ano, previsões do BC sugeriam um 2015 tranquilo.

Raciocinemos um pouco. O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, acusa hoje uma inflação de 9,99% em 2015, com o PIB retraindo 3,1%. Para 2016, a previsão é de inflação em 6,47%, com retração do PIB em 1,9%. Como, então, se conclui que 2016 seria pior do que 2015? Para isso, precisamos lembrar o que o mesmo boletim previa há um ano para a atual temporada.

Em 3 de novembro de 2014, o boletim Focus previa que a inflação de 2015 fecharia em 6,32%, ainda dentro da meta inflacionária, que vai até 6,5%. Por já estar em 9,99%, temos uma margem de erro de fazer inveja a qualquer instituto de pesquisa governista: 3,67%.

O mais grotesco, no entanto, aconteceu com o PIB. No mesmo 3 de novembro de 2014, o boletim Focus acreditava num baixo crescimento para o Brasil em 2015: 1%. Com a previsão mais recente em -3,1%, tem-se um erro de 4,1%, ou de algumas dezenas de bilhões de reais.

Se, a esta altura do campeonato, já esperam recessão de 2% para 2016, o que de fato ocorrerá ano que vem?

Só uma quebra muito drástica – impeachment?! – com o atual modelo evitará um 2016 muito pior que o já péssimo 2015. Ela pode vir no primeiro semestre, mas o esforço em Brasília segue no sentido contrário. A expectativa do aumento da taxa de juros americana, além de uma segunda perda de grau de investimento do Brasil já no próximo trimestre, podem quebrar o país de vez.

Mais do que acertar uma previsão em sintonia com a realidade, o Banco Central parece interessado em evitar pânico generalizado contra um governo que destrói o país. Isso não ocorreria com um BC realmente independente.

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