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Quando o medo vence a esperança: 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com o país

A inflação, tantas vezes negada e/ou minimizada, é apontada como o fator que mais contribui para esta sensação.

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Os brasileiros estão cada vez mais descontentes com os rumos que o país está tomando. É o que revela pesquisa feita pelo Pew Research Center, um dos maiores institutos de pesquisa dos Estados Unidos. De acordo com dados coletados, 72% dos brasileiros se declaram insatisfeitos com a situação do país, enquanto 85% afirmam que o aumento dos preços é a maior preocupação. Em um ano, o salto do pessimismo foi grande.

Há 12 meses, 55% estavam insatisfeitos, pouco acima dos 50% de 2010, último ano do governo Lula e início da série histórica. A economia tem papel central no mau humor corrente. Dois terços (67%) dos 1.003 entrevistados no Brasil com mais de 18 anos consideram a situação econômica ruim, após quatro anos seguidos em que a percepção positiva foi dominante.

Criminalidade, saúde (ambos com 83%) e corrupção (com 78%) aparecem como os outros motivos que mais preocupam os brasileiros, além de falta de oportunidade de emprego, hiato entre pobres e ricos, baixa qualidade das escolas e endividamento público.

“A rigor, esses não são desafios novos no Brasil. Pesquisas conduzidas pelo Pew Research desde 2010 registraram preocupações generalizadas com amplo arco de questões sociais, políticas e econômicas, incluindo crime, corrupção e inflação. Mas o nível atual de frustração que os brasileiros expressam com a direção do país, sua economia e seus líderes não tem par em anos recentes”, afirma a pesquisa, cujos principais analistas são Juliana Horowitz e Richard Wike.

Além do instituto americano, a Fundação Getulio Vargas também conduziu sondagens junto à população brasileira e chegou a resultados similares. Desde a crise de 2008 não havia uma onda tão grande de pessimismo. E não é para menos: a economia está patinando em todos os setores.

— Pela primeira vez desde 2009 (ano em que o Brasil entrou em recessão afetado pela maior crise global desde 1929), mais gente afirmou que será mais difícil de conseguir emprego nos próximos seis meses — disse Aloisio Campelo, coordenador das sondagens conjunturais da FGV.

O baixo crescimento econômico durante o governo Dilma despertou a falta de esperança. Para 2014, a expectativa é de que o PIB continue crescendo pouco. A projeção atual, após os 0,2% de crescimento do primeiro trimestre, é de que ele fique em 1,5% ao final do ano.

O Brasil está refém de um governo inoperante economicamente. Por pura ideologia, uniu-se a nações que mais tinham a tirar do que oferecer ao país. Por populismo, tocou medidas econômicas que aliviam a curto prazo, mas, a longo, resultam em inflação, insatisfação e caos. É o quadro atual do país. Sem coragem para medidas mais eficientes, sempre temerosos do que pode acontecer nas urnas, Dilma e sua equipe seguem receitando os mesmos paliativos, como redução de impostos e aportes à indústria de forma a estimular o consumo e preservar empregos de categorias aliadas. O mesmo paliativo que lotou as ruas de carros, sobrecarregou os serviços e encareceu os produtos. A responsabilidade pelo atual estado da nação não pode ser descolada de quem há 12 anos a comanda. Com prazos às vezes menores, países inteiros chegaram a se reconstruir após guerras trágicas. Três mandatos depois, o PT segue devendo ao brasileiro o básico, para dizer o mínimo: saúde, educação e segurança de qualidade. Mais ainda: a sensação de que o futuro há de ser melhor que o presente.

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