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Refazenda: doada por Gil ao MST há 13 anos, área rural continua sem assentados

É uma fase interessante para os medalhões da MPB. Melhor deixarem as barbas de molho, porque o destino anda pregando peças.

Gilberto Gil é autor do clássico Refazenda: “abacateiro, acataremos teu ato, nós também somos do mato como o pato e o leão”. E também de Refavela: “quando se arranca do seu barraco prum bloco do BNH”. E ainda de Refestança: “só não pode quem não quiser ver que o céu da Terra é azul”.

Pois vejam o destino, às vezes dado a ironias que flertam com o lirismo e a poesia (ou com a tragicomédia, que seja), a fazer com que justamente o compositor se coloque nessa situação. Vamos aos fatos.

Em 1997, Gil comprou parte de uma fazenda na Bahia, pertencente então a Rogério Araújo, um parceiro histórico e grande artista (responsável, vejam só, pelo projeto gráfico também do disco Refazenda).

Araújo acabou vendendo a propriedade toda, sem avisar ao cantor baiano, de modo que pelas tantas Gil decidiu doar sua parte ao MST (isso já em 2003). Desde então, porém, nada de Refestança. E não se sabe se há Refavela, já que os líderes dos sem-terra evitaram falar com a reportagem da Folha.

Curiosamente, ainda ontem falamos de Caetano Veloso, por conta de um show realizado em Paris no qual alguns fãs gritaram “Fora, Temer!” e a internet reagiu fazendo piada. Agora, o parceiro de toda uma vida musical também surge no noticiário, e igualmente de forma nada louvável ao ex-governo. Dias atrás, foi Chico.

Hora dos medalhões restantes da MPB ficarem com as barbas de molho. O destino, de novo ele, parece estar atuando de sua maneira irônica.

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