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Universidade inaugurada por Haddad e Lula não tem água, professores, e alunos trabalham como funcionários

Em julho deste ano o ex-presidente Lula recebeu das mãos do reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Amaro Lins, o título de Doutor Honoris Causa. As razões para a concessão de tal honraria – ao contrário do que possa parecer – foi a chegada de Lula ao poder em 2002, e não suas realizações a frente do governo. Por determinação do próprio ex-presidente, a entrega do diploma ocorreu somente em 2011.

Parece estranho, mas a decisão pra a concessão do título foi tomada em novembro de 2002! Ou seja, o então presidente recebeu o título, não pelo que fez, mas pelo que poderia fazer. Pois bem, a edição de hoje de O Estado de São Paulo informa que, se fosse por mérito e realizações presentes, a honraria, talvez, não se justificasse. As condições estruturais na extensão rural da UFPE, deixadas pela dupla Haddad-Lula, são as piores possíveis. Leiam abaixo a reportagem de Tânia Monteiro:

GARANHUNS – No momento em que a presidente Dilma Rousseff ministrava uma aula inaugural no curso de Medicina da Universidade Estadual de Pernambuco, professores e alunos do campus de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco, a cinco quilômetros dali, anunciavam, na terça-feira, 30, que a instituição, lançada pelo governo Lula como pioneira na interiorização do ensino superior do País, “está em coma profundo, na UTI, precisando de uma junta médica para salvá-la”.

Esgoto a céu aberto, falta de professores e servidores, de salas de aula, de laboratórios, de segurança, de ônibus, de água, alunos trabalhando como funcionários, hospital veterinário fantasma – tudo podia ser visto por quem visitasse a universidade.

A aula inaugural para alunos de Agronomia estava sendo dada, na terça-feira, no auditório – com cadeiras empilhadas -, por falta de sala. “A dificuldade é tão grande para entrar aqui e, quando chegamos, vemos que a dificuldade é ainda maior para sair aprendendo alguma coisa”, resumiu o calouro Hugo Amadeu. “Ela (Dilma) vai atender a um curso de elite e aqui falta laboratório”, emendou Lucas Albuquerque.

O professor Wallace Telino, da Associação de Docentes da Universidade, chama a atenção para a evasão de alunos e professores. O professor ressalva, no entanto, que, apesar desta “falta de tudo”, ainda se consegue que alunos se destaquem em cursos e empregos, “mas apenas por mérito e esforços próprios”. Para ele, o governo “está preocupado com números de universidades, mas se esquece da qualidade”.

Apesar de o forte da instituição serem as ciências agrárias, os professores lembram que a universidade não dispõe de “um único hectare para trabalho experimental” e os alunos do curso de engenharia de alimentos estão prestes a concluir o curso sem uma aula prática.

Sem recursos. Embora a Universidade Federal Rural de Pernambuco tenha já dois câmpus problemáticos – os de Garanhuns e Serra Talhada – a presidente Dilma anunciou a criação de um terceiro, na mesma universidade, agora em Cabo de Santo Agostinho. “Não adianta ficar criando novas universidades e extensões universitárias se não forem dados, às que já existem, meios de funcionar com o mínimo necessário”, disse o professor Antonio Ricardo Andrade.

Há um mês, como informou o Estado, outro câmpus da UFRPE, o de Serra Talhada, foi chamado de “museu de obras” pelos alunos. Levantamento do Ministério da Educação mostra que a UFRPE lidera a lista de serviços paralisados em universidades federais, com nove construções suspensas e duas obras interrompidas. A suspensão, segundo o MEC, deve-se a problemas com as construtoras, que abandonaram o canteiro, faliram ou demonstraram incapacidade na execução do trabalho. (Grifos nossos)

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