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Especialista em segurança de dados fala de “rascunhos de emails” que seriam usados por Dilma

Não parece ser tão seguro quanto disseram.

Em sua delação, a marqueteira Monica Moura, mulher de João Santana, afirmou que ela e Dilma Rousseff mantinham um sistema de comunicação baseado em “rascunhos de emails”. Desse modo, as mensagens não eram enviadas, mas apenas escritas, lidas e apagadas, pois as duas tinham a senha do email “fictício”.

Assim, o especialista Gilberto Soares Filho elaborou um artigo sobre o tema, aqui para o Implicante, e sua leitura é evidentemente obrigatória para todos.

Aí está:

* * *

‘RASCUNHOS DE EMAILS’ (DEAD-DROP EMAILS): ESTRATÉGIA RÚSTICA E INEFICAZ

Acredito que vocês têm acompanhado as notícias sobre a estratégia ‘sofisticada’, segundo a grande imprensa, supostamente utilizada pela ex-presidente Dilma para se comunicar com o casal Santana: ‘dead-drop email’.

Quem já sabe do que se trata, pode pular o parágrafo seguinte, para quem não sabe, fica a explicação.

No ‘dead-drop email’, duas ou mais pessoas compartilham usuário/senha de uma conta de webmail, e vão deixando mensagens um para o outro na forma de rascunho, mas sem enviar (geralmente apagam a mensagem recebida antes de deixar uma nova).

Só a um problema: o Grande Irmão está olhando.

O uso de ‘dead-drop email’ foi noticiado com destaque pela primeira vez durante o julgamento, em 2006, de um dos envolvidos no atentado a bomba de Madri, ocorrido em março de 2004.

E já àquela época, os órgãos de inteligência internacionais conheciam a estratégia.

A violação crescente da privacidade nos anos pós atentados de 2001, somado ao conhecimento prévio dos órgãos de inteligência, e ao baixo volume de dados que a armazenagem de textos gera, me fazem crer fortemente* que tal atividade é arquivada pelos serviços e webmail.

Bem, entendo que crer é fácil. Mas um dos maiores vexames já ocorridos na comunidade de inteligência, reforça** este entendimento.

Em 2012 o Diretor da CIA, General David Paetreous***, foi pego (quase literalmente) de calças na mão correspondendo-se com sua biógrafa via rascunhos de Gmail (‘dead-drop email’), e uma vez identificada a conta, o FBI foi capaz de recuperar todas as comunicações, revelando inclusive que biografado e biógrafa estavam envolvidos romanticamente.

Agora restar saber, se, sendo verdadeiras as informações de Mônica Moura, a então presidente utilizou computadores do Palácio do Planalto para acessar à caixa de e-mails, porque, se ela o tiver feito sem utilizar um proxy seguro, até mesmo a origem da mensagem pode ser rastreada com facilidade.

Nesta barafunda toda, só uma das medidas de contra inteligência adotadas poderia ter alguma eficiência. Segundo a delatora, a Presidente se comunicaria com o casal utilizando metáforas. Lembrando dos discursos nos anos em que a delatada foi presidente, fico me perguntando como o casal Santana conseguia entender as mensagens…

PS: quer segurança de comunicação, só há UMA FORMA, uso de criptografia assimétrica, com chave forte, o resto é lenda.

* – Existem mandados de segurança, julgados por cortes secretas que podem obrigar empresas que operem nos EUA a divulgar informações, sem que o usuário saiba.
** – Não foi explicitada a forma como os emails foram obtidos.
*** – O mais assustador, é que o General Paetreous foi um militar importantíssimo, com postos de liderança tanto no Iraque pós-guerra, quanto no Afeganistão.

Gilberto Soares Filho, 45 anos. Já foi consultor de conteúdo e colunista no Yahoo!Brasil, e no Jornal Diário do Nordeste, atualmente atua como programador e consultor de segurança de dados.

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