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A própria defesa de “golpe sem crime de responsabilidade” pode ser crime de responsabilidade

E deve atingir primeiro o “advogado de Dilma”, que não deveria advogar para Dilma, mas para a União.

Porque em qualquer país civilizado um gestor público no topo do comando, ou ainda seus auxiliares diretos, não podem gritar qualquer absurdo impunemente. E, sob os cuidados do governo Temer, o Brasil tenta um retorno à civilização. Assim, abriu-se uma investigação formal para confirmar que José Eduardo Cardozo, na função de advogado-geral da União, cometeu crime de responsabilidade ao sustentar que o país sofria, com o impeachment de Dilma Rousseff, um golpe de Estado.

Entre as atribuições da Advocacia-geral da União está a defesa dos poderes que constituem a União, no caso, executivo, legislativo e judiciário. O problema é que, ao defender que estava em curso um golpe parlamentar, Cardozo atentou contra dois dos três poderes que deveria proteger, uma vez que o impeachment de um Presidente da República é um recurso ativado pelos deputados e senadores sob a arbitragem da Suprema Corte.

Mas será pouco. Porque, na delação de Delcídio do Amaral, Cardozo também é acusado de tentar obstruir a Justiça por pelo menos três vezes – ainda que felizmente tenha falhado miseravelmente na missão. Se quiser reduzir o impacto, precisará assumir que apenas cumpria ordens de Dilma Rousseff. O que, claro, soará música aos ouvidos de Michel Temer.

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