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Amor em SP: Presidente do PT-SP defende Kassab em evento; Kassab diz que ‘descalabro’ era duas vezes maior na gestão Marta

Enquanto petistas tentam amenizar a situação com “aliado importantíssimo” de Dilma, ex-prefeito ataca antecessora e sucessor

Haddad

Matéria do Estadão:

São Paulo – O presidente do PT do Estado de São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, fez neste domingo, 10, uma defesa enfática do ex-prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (PSD) e pediu o fim da utilização política das apurações do esquema que pode ter desviado até R$ 500 milhões do Imposto Sobre Serviços (ISS) na prefeitura paulistana.

“Kassab tem sido aliado importantíssimo e de primeira hora do governo Dilma. O PT tem de seguir valorizando Kassab como aliado, uma liderança leal e o PSD como um partido fundamental para o governo Dilma”, disse Edinho em entrevista ao Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado.

Ao comentar o fato de Kassab e do secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Antônio Donato, terem sido citados nas gravações, Edinho considerou que paralelamente ao processo de apuração feito pela Controladoria Geral do Município (CGM) de São Paulo e pelo Ministério Público do Estado, “há por parte de forças políticas um esforço de envolver companheiros do PT que têm histórico de idoneidade, além de lideranças de outros partidos”, afirmou. “A apuração tem de ser autônoma e ir às últimas consequências”.

Edinho, que governou o município de Araraquara (SP) por duas vezes, admitiu “que nenhum prefeito, ou governador, nem a presidente sabem de tudo o que o ocorre na máquina pública” e, por isso, disse defender que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), dê total liberdade e estrutura às apurações. “O Haddad deve ter estrutura e ainda apoio do PT para governar e instituir instrumentos de combate à corrupção. Ele é um quadro político experiente e o governo não deve ser paralisado”, completou.

(…)

(grifos nossos)

Kassab

O ex-prefeito concedeu entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda (11). Confiram alguns trechos:

Folha – Como sr. interpretou a afirmação de Haddad de que a situação encontrada na prefeitura era de “descalabro”?

Gilberto Kassab – Na medida em que ele utilizou o termo descalabro, sou obrigado a devolver na mesma moeda.

É difícil aceitar essa referência sobre o final da nossa gestão. Se aceitássemos, o final da gestão anterior, que era dele [Haddad participou da administração Marta Suplicy (2001-2004)], estaria duas vezes esse descalabro.

Todos sabem como encontramos a cidade. Ela estava quebrada. E, apesar das dificuldades financeiras e da dificuldade para encaminhar nossas reivindicações ao governo federal sobre o problema da dívida, terminamos com finanças em dia, [com] recursos em caixa.

(…)

Vale lembrar, ainda no campo do descalabro, como encontramos a saúde, com programas reduzidos, unidades sucateadas. Chegava ao ponto de faltar medicamentos em toda a rede. Superamos isso. E não é que voltamos agora a ter falta de medicamentos?

Sobre duplamente descalabro, o sr. fala da gestão anterior?

Se essa é um descalabro, imagina como era antes, duas vezes um descalabro. Nunca assumimos o compromisso de resolver todos os problemas, mas a cidade avançou bastante.

E neste primeiro ano de gestão [Haddad], ela não avançou nada. Ele se iludiu, talvez, com o marketing de sua campanha, de que soluções mágicas eram suficientes. Cadê o Arco do Futuro [projeto urbano de estimular o desenvolvimento em algumas regiões]? Ele deixou de lado. Cadê os investimentos da cidade? Deixamos recursos em caixa.

(…)

O que era essa situação de “muito mais descalabro” que o sr. diz que encontrou?

Contas não pagas, bilhões de dívidas, fornecedores sem receber, postos de saúde sem abastecimento, escolas de lata. Aquilo era um descalabro.

O que tem achado das primeiras medidas do prefeito?

Quero voltar à campanha. Ele fez promessas sobre vagas em creche e elas já foram diminuídas. É preciso lembrar do Arco do Futuro, da redução do plano de metas. Isso tudo com a colher de chá do governo federal [renegociação de dívidas], que não fez o mesmo com a nossa gestão.

Íntegra aqui.

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