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As voltas do mundo: em 2005, os sócios da JBS/Friboi é que foram pegos em gravação

E o BNDES é citado.

O jornalista Mauro Zafalon, especialista em pecuária na Folha de SP, resgatou antiga reportagem envolvendo os donos da JBS/Friboi. A matéria é de 2005, antes da grande expansão do grupo, na época presidido por José Batista Jr, o “Júnior Friboi”.

Tanto o então presidente da empresa como seu irmão Joesley foram gravados clandestinamente. Pois é, o mundo dá algumas voltas curiosas.

Seguem trechos da reportagem do próprio Mauro Zafalon e Fernando Canzian:

“O Friboi, maior abatedouro de bovinos da América Latina e quarto maior do mundo, confessa operar em regime de cartel unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros.’Nós, o Bertin, o Independência… os três põe o preço do boi em tudo quanto é Estado. Mato Grosso nós peita… Nós sozinho regulou o preço. Estamos fazendo o preço do Mato Grosso, e os outro acompanha [sic]’, diz José Batista Junior, proprietário do Friboi. ‘Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas, agora nós estamos em cinco Estado, e nos cinco Estado nós combina com três’, diz, nomeando os frigoríficos Independência, Bertin e Mataboi – que negam participação no esquema (…)

Em uma dessas conversas, também gravada, o irmão de Batista Junior, Joesley Mendonça Batista, afirma ter um ‘contrato de gaveta’ com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pelo qual assumiu uma dívida de R$ 11,2 milhões do grupo concorrente Araputanga”

Há outra coincidência. Ricardo Molina, perito que agora não reconhece como legítima a gravação dos sócios da JBS, na época constatou a autenticidade da fita contra os irmãos:

“O vídeo e o áudio dos registros foram periciados e atestados como autênticos por Ricardo Molina, perito do Laboratório de Perícias da Unicamp e conhecido por sua atuação no caso da morte de PC Farias, em junho de 1996. Wesley Mendonça Batista, sócio de Batista Junior e Joesley, dá duas explicações para a formação do cartel que seu irmão mais velho confessa nas gravações: acha que a fita ou é ‘montada’ ou não faz sentido, já que os cinco maiores frigoríficos do país teriam um poder de abate de bovinos equivalente a 15% do total nacional”

De lá para cá, a então Friboi se transformou no maior grupo do mundo do setor de carnes.

A reportagem original pode ser lida aqui.

Fonte: Folha de SP

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