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Confira como os ataques a Cunha ofuscam o avanço do impeachment de Dilma

Foto: PMDB Nacional

Quando soa interessante ao governo, aumentam as citações à Cunha. Quando a intenção do governo é salvá-lo, o tema some da pauta.

O Google Trends vive de monitorar os assuntos mais quentes na internet desde 2004. Os dois gráficos abaixo gerados pelo sistema mostram claramente como o nome Eduardo Cunha, mesmo com toda a culpa que resta evidente, vem sendo usado para ofuscar os ataques a Dilma sempre que a possibilidade de o impeachment prosperar ganha força.

Em 30 de setembro, o presidente da Câmara colocou em prática a estratégia (acordada com a oposição) de arquivar todos os pedidos de impeachment ainda acumulados. Arquivou naquele dia os 3 primeiros. Nos dias seguintes, pela primeira vez desde o início de setembro o seu nome é mais lembrado que o de Dilma Rousseff pela mídia.

Mas o mais bizarro ocorre em 7 de outubro. É o dia em que o TCU rejeita as contas de Dilma, gerando a base jurídica que justifica a queda de Dilma via impeachment. Seria o caso de a presidente passar a ser bombardeada pela imprensa? Até foi um pouco. E numa proporção MUITO menor que a do presidente da Câmara.

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Um segundo gráfico retrata ainda melhor o movimento. Desta vez, confronta-se as citações sobre Eduardo Cunha e o termo “impeachment”. Em 30 de setembro, dá-se início à estratégia, mas o termo “impeachment” parece esquecido, havendo interesse apenas no presidente da Câmara. Quando vem o TCU em 7 de outubro confirmar as pedaladas, o impeachment finalmente cresce, mas logo é ofuscado por mais um levante contra Cunha.

No que o STF, em 13 de outubro, dá um golpe na estratégia da oposição para se chegar ao impeachment e o governo mostra interesse em salvar Cunha, os ataques ao peemedebista cessam, voltando o impeachment ao tema.

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Muito já se falou na “Máquina Petista de Moer Reputações”, mas poucas vezes ela parece tão ativa. A estratégia é sempre a mesma: sempre que alguém tenta se levantar contra o PT, todo um arsenal é usado para questionar a moral que tal ator teria para condenar o petismo. Foi assim com o “PSDB de FHC” em 2005, quando do estouro de Mensalão. Foi assim com o aeroporto de Cláudio de Aécio durante a campanha. Foi assim com os ataques ao Movimento Brasil Livre e outras militâncias durante os protestos de março e abril. Foi assim com Augusto Nardes ao relatar as pedaladas fiscais no TCU. Está sendo assim com Eduardo Cunha agora que o próximo passo virou o impeachment de Dilma Rousseff.

Rebater um argumento com ataques à honra de seu autor é um falácia de nome já bem popular: ad hominem. Porque a verdade não deixa de ser verdade caso venha da boca de um mentiroso. O poder é um só e encontra-se dividido entre vários entes políticos. No Brasil, a maior fatia com folga segue sob os cuidados do PT. Qualquer um que perca poder, rende mais poder ao partido. Não há uma solução única que resolva todos os problemas do Brasil. Mas o impeachment de Dilma com certeza enfraquecerá o maior problema do país: o petismo. É nisso que o brasileiro precisa se focar. Os problemas menores, e Cunha é MUITO menor que o Partido dos Trabalhadores, podem tranquilamente serem resolvidos num segundo momento. Qualquer estratégia que fuja disso beneficiará Lula, Dilma e sua trupe.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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