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Contas do governo têm maior rombo em quase 20 anos

Faltaram R$ 10,5 bilhões no caixa do Tesouro, o pior desempenho para o mês desde a implantação do Plano Real.

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Que o governo gasta irresponsavelmente, a oposição já grita desde a era Lula. Que a economia segue ladeira abaixo aguardando o envio da fatura, o que eles chamam de mídia golpista vem alertando desde o início do ano. Agora a Folha de São Paulo coloca em números o tamanho do estrago. E ele é o maior que o tesouro nacional sofreu desde a implantação do Plano Real em 1994:

A arrecadação de impostos e outras receitas ficou longe do necessário para cobrir no mês passado as despesas do governo com pessoal, programas sociais, custeio administrativo e investimentos.

Faltaram R$ 10,5 bilhões no caixa do Tesouro, o pior desempenho para o mês desde o Plano Real – as estatísticas anteriores são distorcidas pela hiperinflação. Os dados mostram a ineficácia do ajuste fiscal prometido em julho para ajudar no controle da inflação: em agosto, o resultado já havia sido o pior para o período desde 1996.

(grifos nosso)

O governo segue insistindo que dá para reverter o quadro até o final do ano, mas isso pode ser chamado de fé:

Sem disposição política para conter a alta de gastos, a administração petista torce por uma recuperação espetacular da arrecadação para fechar as contas do ano. Isso ainda não aconteceu: em setembro, a receita subiu 6,9% – mas a despesa subiu 20,4%.

(grifos nossos)

Não que a lição tenha sido aprendida. O planalto segue apenas colhendo o que plantou. Prometeu em 2012 uma redução geral no aumento das tarifas de luz. Como não há almoço grátis, alguém precisou arcar com a iniciativa. Sobrou, claro, para as contas públicas:

Desta vez, houve ainda o impacto de novos custos criados pelo governo, como R$ 2 bilhões para cobrir as perdas do setor elétrico com a redução geral das contas de luz.

(grifos nossos)

E engana-se aquele que defende ser este um retrato do momento, mas não uma realidade a qual o país vem enfrentando. Já há números comprovando que estão errados:

Os dados do Tesouro, porém, mostram que a deterioração fiscal vai além das circunstâncias sazonais. Considerados os primeiros nove meses do ano, o saldo das contas caiu para R$ 27,9 bilhões, ante R$ 75,3 bilhões em 2011 e R$ 54,8 bilhões em 2012.

(grifos nossos)

As iniciativas mais populistas do governo são apontadas como as principais causas do rombo:

O motivo principal da piora é o aumento de despesas de caráter permanente, em especial na área social. Os gastos com custeio e programas sociais acumulam alta na casa dos 16% neste ano, enquanto os investimentos aumentaram pouco menos de 3%, abaixo da inflação.

(grifos nossos)

A menos de 12 meses da definição do próximo presidente do país, é difícil manter esperanças acerca da possibilidade de melhora deste quadro. A lógica do ano eleitoral costuma liberar governos para gastarem ainda mais em medidas que lhe garantam votos. Pela sede de poder já demonstrada pelo PT, pouco se arrisca quem aposta que o rombo em 2014 será ainda maior.

Contudo, na história recente de nossa democracia, a regra tem sido o governo perder para a oposição sempre que se encontra em apuros econômicos, assim como garantir a reeleição quando surfa na crista da onda. Isso coloca o PT numa sinuca de bico: ou segue apostando em seus programas sociais para garantir os votos, mas deixa a economia em apuros, o que pode lhe custar a reeleição; ou salva a economia e perde força em seus currais eleitorais. A oposição não poderia querer cenário melhor para traçar suas estratégias de volta ao poder.

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