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Da série: Onde eles estavam durante a ditadura? Nassif nos conta um causo de 1979

Se o passado não muito progressista de Paulo Henrique Amorim durante o regime militar teve de ser lembrado por dois jornalistas considerados “inimigos” do BlogProg, o de Luis Nassif é orgulhosamente ostentado pelo “jornalista de serviços” em seu blog. Confiram uma história de 1979 narrada por Nassif:

(…)

Outro episódio relevante foi a greve dos jornalistas em 1979. Eu tinha poucas semanas de Jornal da Tarde. No meio da greve, houve uma combinação de grevistas com um motorista da Folha, simpático ao movimento. Acertaram se encontrar em um local ermo onde o motorista passaria os jornais que carregava para o carro dos grevistas. E diria depois ter sido assaltado.

No meio da operação, apareceu um vigia noturno e chamou a policia. Os jornalistas fugiram mas o motorista precisou fazer um BO.

Os grevistas rumaram então para o piquete na porta do Estadão. Cheguei pouco depois lá, sem saber o que estava acontecendo. Aí apareceu o carro do DOPS com o investigador Lalau. Os dois piqueteiros entraram em pânico e pediram para algum colega “que não tivesse ficha na polícia” se apresentasse como responsável pelo carro.

Apresentei-me sem ter a menor ideia do que havia ocorrido. Me levaram detido para o DOPS, onde respondi a um longo interrogatório.

Saí de lá e rumei para o sindicato. Lá, uma reunião comandada pelo grande Perseu Abramo. Solicitei expressamente que limpassem meu nome perante a categoria. Disse que havia cumprido minha parte, me apresentando no lugar de dois colegas (que trabalhavam na IstoÉ do Mino, portanto sem risco algum de serem mandado embora), mas não aceitava passar por porra louca perante a categoria.

Foi um custo convencer o pessoal a soltar a nota. Prevaleceu durante bom tempo a ideia de preservar “nossos radicais, porém sinceros”. Só quando endureci minha posição, toparam soltar uma nota explicando a situação.

Enquanto isto, Ruy Mesquita Filho, o Ruizito, que mal me conhecia, ligava para todos os jornais para que não dessem matéria sobre minha detenção, para não me expor.

(…)

(grifos nossos)

Porra louca, só depois dos 50

Na juventude, Nassif não queria a fama de ter sido detido pela ditadura por apoiar uma greve de jornalistas. Para ele, isso significaria “passar por porra louca”. Imaginem então o que  o jovem Nassif pensava de quem pegou em armas para tentar derrubar o regime…

PORRA LOUCA COM CERTEZA

Pelo visto, Nassif só aceitou ser “porra louca” mesmo depois dos 50 anos, excluído da grande imprensa e com o PT no poder. No governo Collor, tratou o presidente que seria afastado por corrupção como “estadista”. Clicando aqui, vocês podem conferir o que o “jornalista de serviços” falava sobre petistas e tucanos com FHC na presidência.

Nassif também não era porra louca nos anos 80

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