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Defendendo meu voto em Aécio

Os pontos que fizeram mais diferença na definição do meu voto para a presidência do país.

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Vou começar a defender meu voto em Aécio citando as duas áreas em que, penso, o PT manda melhor. Sim, melhor.

Eu gosto do MEI, o Micro Empreendedor Individual. É um programa que permite a pequenos profissionais liberais terem um CNPJ sem sair de casa, a baixíssimo custo, contratar um ajudante sem burocracias ou contador, se aposentar e aumentar a arrecadação. Com isso, uma porção de costureiras, pintores, marceneiros, etc, passaram a pagar impostos e trabalhar na legalidade.

Também funciona muito bem o diálogo que o partido mantém com a educação de cursos técnicos e terceiro grau. Parte porque a outra metade se deixa conversar quando quem está no governo é o PT. Graças a essa camaradagem, houve bastante avanço na atualização de salários e estruturas dessas instituições.

De resto, vejo sempre mais pontos negativos do que positivos.

O primeiro incômodo que me vem à mente é o ENEM. Porque poucos notam. E mesmo os que notam fazem vista grossa. Graças ao SISU e à avaliação unificada, já fiz esse levantamento, estudantes de estados mais ricos estão tomando vagas de estudantes de estados mais pobres no ensino superior na proporção de 2 para 1. Para cada 2 estudantes que ocupam uma vaga num estado de IDH menor, apenas 1 faz o caminho inverso. Os dados são do próprio Ministério da Educação. E eu nem entro no mérito de que tipo de vaga tomam. Não duvido que estejam trocando cursos disputados por cadeiras pouco concorridas.

Por motivo semelhante, me incomoda o cálculo do desemprego. Porque o governo alardeia apenas o fato de que o desemprego de fato parece baixo, mas silencia que o cálculo é feito exclusivamente em cima da população que busca trabalho. E este número do “brasileiro que quer trabalhar” vem caindo constantemente, de 68% no auge da crise de 2008 para 65% no momento em que escrevo. Por quê? Nunca foi discutido. Mas isso, claro, reflete-se em outros aspectos da economia, como o…

PIB. Ou o crescimento dele. O país crescerá nesse ano algo próximo de zero. É o mais baixo desde o governo Collor, o segundo mais baixo da história. Quando lembramos que o pedido de voto em Dilma na eleição anterior nasceu da desculpa de que seria ela a mais preparada para manter o crescimento atingido no fim do segundo mandato de Lula, pergunto-me o porquê de ainda discutirmos se ela merece um novo mandato ou não. A atual presidente falhou na principal missão.

Assim como falhou numa tão importante quanto, como é o caso do controle da inflação. Mas o problema maior é o tanto de maquiagem que recebe. É alta mesmo com o congelamento de preços de combustível, energia e outras tarifas, como as do transporte público, por exemplo. Sem isso, a inflação facilmente dobraria. E qual o problema de congelar preços além de mascarar os índices que o governo usa para se defender? Deteriora-se o serviço, Petrobras e a Eletrobras perdem valor. Mais até: o sistema energético fica sobrecarregado, é preciso acionar poluentes termoelétricas, as ruas engarrafam, não há lucro para se investir em melhorias no transporte público, e por aí vai.

Quanto à segurança, alguém esqueceu de avisar à oposição que o Nordeste vive uma epidemia. Na minha última ida a Natal, descobri que os supermercados estão fechando às 22h por medo de assalto. Todos os meus amigos têm uma história de arrastão para contar. Nada disso foi explorado nessa campanha. O nordestino – sim, sou um – segue votando na presidente como se não tivéssemos mais de 55 mil assassinatos por ano. A seguir nesse curso, Dilma concluirá o primeiro mandato com pelo menos 200 mil homicídios nas estatísticas.

Sim, eu também acho o Bolsa Família e os demais programas sociais um problema e vou pedir para que sejamos adultos nessa conversa. Se por um lado ajuda o governo a reduzir a pobreza, por outro cria uma dependência do eleitor para com quem está no poder. Eu já desisti de tentar convencer alguém que comprou casa pelo MCMV a mudar o voto pois é impossível. Isso é bom? Para o PT, com certeza. Para mim, significa que o governo ganha liberdade para fazer o que bem entender sem jamais correr o risco de perder o emprego. Quando cruzamos o mapa de votação em Dilma com o mapa de distribuição do BF, temos levantamentos praticamente irmãos. Não digo que os programas precisam acabar, mas algo precisa ser feito em prol da democracia ou esse benefício cada dia mais se assemelhará a uma compra de voto. Urge que tais programas sociais sejam entendidos como políticas de um estado, não de um partido. E isso me leva ao ponto seguinte.

Corrupção. Já tem um ano que desisti de dar bola a denúncias contra o PT que estejam abaixo da casa do bilhão. Do BILHÃO. Abreu e Lima? Estourou em 35 bilhões. Copa do Mundo? Mais uns 20 bilhões. Pasadena? Já soa como troco: 2 bilhões. Claro, tudo ainda em investigação. Mas algumas já avançaram. É quando temos um Paulo Roberto Costa confessando só da Petrobras desvios na casa dos 10 bilhões de reais. E cita que basicamente todo o PAC segue na mesma onda. O Programa de Aceleração do Crescimento, só até 2010, já tinha consumido MEIO TRILHÃO (e não acelerou crescimento nenhum, conforme notamos no pouco avanço do PIB). Para se ter uma ideia do que é essa quantia, um ano de SUS custa aos cofres públicos apenas 10% deste valor. É o que me leva ao ponto seguinte.

Eu custo a crer que há um outro país no mundo que tenha colocado seus profissionais de saúde na posição de inimigos. Assim como dialogam bem com professores, eu queria que o governo do meu país dialogasse bem com todas as categorias. Não é o que ocorre. Os médicos se sentem traídos, a militância petista os ataca com sangue nos olhos. Quando lembro que estamos falando dos raros profissionais brasileiros que costumam não se permitir greves por entender a importância do seu papel na sociedade, simplesmente perco o sono (como perco neste momento).

E aí eu volto a falar de educação: será que, se não tivéssemos um ENEM priorizando estudantes dos grandes centros, já não teríamos um pouco mais de médicos interessados em encarar o trabalho nos municípios menores? Ou quando o governo cria uma faculdade de medicina no Acre não está pensando em ampliar a quantidade de médicos acreanos? Um estudante paulista que curse medicina no Amapá buscará emprego por lá ou em São Paulo, onde sua família se encontra?

Estes são os pontos que mais me incomodam. Há muitos outros. Nem citei, por exemplo, política externa, quando Dilma recrimina ações militares contra grupos extremistas que andam decapitando cristãos e castrando mulheres no Oriente Médio, por exemplo.

Diante do exposto, temos um candidato que representa a continuidade disso tudo, que quer se vender como novo mesmo estando há 12 anos no poder e fazendo desta campanha a mais baixa desde Collor. E um candidato que se propõe a ser uma alternativa, trazendo no currículo um grupo político que fez de São Paulo e Minas Gerais dois dos mais avançados centros econômicos do país (e do continente).

Para mim, a escolha parece fácil. O difícil é respeitar quem se nega a enxergar esses fatos. Mas, das atitudes mais nobres que pode haver num momento político como esse, o respeito para com o voto alheio é uma delas. Por isso, independente da escolha, concluo esta defesa com um desejo de boa sorte a todos nós. Porque, vença quem vencer, iremos precisar.

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