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Desmontamos a versão oficial: o amante embusteiro manda mais que a presidente “muito competente”

Tida como uma das “mulheres mais poderosas do mundo”¹; a presidente “muito competente”²; a gerente “irritadíssima”³ e “severa”³ com seus subordinados; a 1ª presidente mulher do sexo feminino da história brasileira não consegue demitir o falastrão mentiroso que escolheu para gerenciar os mais de R$ 100 bilhões anuais subtraídos na folha de pagamento de todos os trabalhadores.

Mesmo após ter mentido para os senadores, mentido para os seus colegas de partido, mentido até para a presidente da República, Dilma acha que Carlos Lupi tem condições de permanecer à frente do ministério do Trabalho.

Leiam o que informam Vera Rosa e Tânia Monteiro na edição on-line do Estadão. Voltamos nos comentários com considerações sobre a versão apresentada pelo Estado de São Paulo.

BRASÍLIA – Desafiada por um racha no PDT, a presidente Dilma Rousseff concedeu sobrevida de tempo indeterminado ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ao detectar um movimento para torná-la refém da ala do PDT que quer derrubar o ministro para ocupar sua cadeira, Dilma resolveu pôr um freio de arrumação na “faxina” para sinalizar aos aliados que é ela quem decide a hora de tirar e nomear auxiliares.

Ex-integrante do PDT, partido que ajudou a fundar no Rio Grande do Sul, Dilma tenta resistir à política de conspiração levada a cabo por dirigentes da sigla. Embora Lupi não tenha explicado quem pagou o avião King Air providenciado pelo empresário Adair Meira para ele viajar ao Maranhão, em dezembro de 2009, o governo avalia que o titular do Trabalho também não se complicou ainda mais durante depoimento ontem à Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

O Planalto considerou “grave” a denúncia feita pela senadora Kátia Abreu (DEM-GO) de que o pagamento da aeronave consta da prestação de contas da ONG Pró-Cerrado e pediu para emissários investigarem a acusação, vista como “improvável”. O empresário Meira é dono de uma rede de ONGs que tem negócios suspeitos com o Ministério do Trabalho. Por enquanto, a acusação da senadora não foi comprovada. Os convênios da Pró-Cerrado com o Ministério do Trabalho ultrapassam a cifra de R$ 10 milhões.

Na prática, Lupi não está livre da demissão, mas Dilma só o dispensará agora se houver provas concretas de seu envolvimento em corrupção. A intenção da presidente é preservá-lo até a reforma ministerial, prevista para o fim de janeiro ou começo de fevereiro de 2012. A estratégia do Palácio do Planalto é virar a página da crise política com o lançamento de programas sociais.

Ainda nesta quinta-feira, 17, Dilma chorou ao anunciar o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. “Esse é o momento que vale a pena ser presidente”, disse ela, com lágrimas nos olhos. No governo, porém, ninguém garante que Lupi não será rifado nos próximos dias. Se aparecerem novas provas contundentes da relação do ministro com ONGs ou a nota do pagamento do avião, a situação se complica.

“O governo está tornando o PDT uma espécie de vassalo”, protestou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). “Não só o Lupi deveria sair do ministério como é mais do que aconselhável que o partido entregue o cargo. Isso causa muito desgaste para nós”, emendou o senador.

Íntegra aqui.

Comentário:

Perceberam algo de absurdo na notícia publicada pelo Estadão? Reparem neste trecho:

Dilma resolveu pôr um freio de arrumação na “faxina” para sinalizar aos aliados que é ela quem decide a hora de tirar e nomear auxiliares”.

Não dá pra saber se as jornalistas que redigiram o texto agiram consciente ou inconscientemente, agora, o que dá pra inferir é que há um claro esforço para mostrar que Dilma ainda manda no governo. Pela versão exposta no Estadão, e que provavelmente foi plantada pela assessoria oficial, Dilma ainda não demitiu Lupi para mostrar que não cede facilmente à pressões. Entenderam? A permanência de Lupi no cargo seria um sinal de força da presidente, e não o contrário. Brilhante!

Bom, suponhamos que a versão plantada seja a verdadeira, e que Dilma tenha optado manter Lupi no governo só para mostrar independência, e não por resistência do próprio ministro. Seguindo este raciocínio, podemos concluir que, pra mostrar força, Dilma topa até agir de maneira irresponsável. Ou manter no ministério do Trabalho alguém investigado pela Polícia Federal é uma atitude responsável?

Há outro trecho na mesma matéria que é ainda mais ridículo:

Na prática, Lupi não está livre da demissão, mas Dilma só o dispensará agora se houver provas concretas de seu envolvimento em corrupção. A intenção da presidente é preservá-lo até a reforma ministerial, prevista para o fim de janeiro ou começo de fevereiro de 2012.

A coisa toda é tão inverossímil que nem precisaria ser comentada, mas consideremos a hipótese. A intenção da presidente seria preservar Carlos Lupi até que surgissem “provas de seu envolvimento em corrupção”. Parece que as mentiras e viagens com um empresário que recebeu aportes milionários do ministério do Trabalho, depois de providenciar um jatinho para o ministro do Trabalho, não são motivos suficientes para Dilma. Ok, o conceito de moralidade da presidente parece bastante elástico, mas o pior ainda está por vir:

A estratégia do Palácio do Planalto é virar a página da crise política com o lançamento de programas sociais”.

Claro! Pra virar a “página da crise política” e manter a imprensa ocupada com notícias sobre lançamento de programas sociais, nada melhor do que manter no cargo alguém com o potencial pra gerar notícia negativa como o corrosivo Lupi.

É ou não é abusar da nossa inteligência? E o pior é que coisas assim vingam e viram verdades.

 
¹ Dilma foi considerada a 3ª “mulher mais poderosas do mundo” pela revista Forbes. Despencou tanto que foi parar na 22ª posição. Na mesma relação estão sumidades como Gisele Bündchen e Beyoncé;
 
² “Presidente muito competente” é a definição de alguns tucanos que não se contentam com saudações protocolares em encontros oficiais com Dilma;
 
³ “Irritadíssima e “severa” são os termos recorrentes soprados por interlocutores de Dilma para para indicar uma pretensa postura austera da presidente.

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