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Dilma e o Colunismo Político: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Dizem que depois de uma certa idade o indivíduo já não consegue mudar os traços de caráter que adquiriu ao longo dos anos. O máximo que se altera é o seu senso de humor e sua paciência. Quanto aos escrúpulos – ou a falta de -, esses não há muito o que fazer.

Dilma já passou dos 60, foi forjada às pressas para suceder Lula a medida que iam caindo, um a um, os possíveis candidatos à presidência, e, de acordo com informações vindas do próprio Planalto, já está de saco cheio do cargo. A ser verdade, um dos únicos traços comportamentais passíveis de transformação – a paciência-, sequer foi alterado.

Então, por que cargas d’agua o noticiário nos faz crer que a ‘1ª mulher na história a se eleger presidente da república’ é diferente da mulher que geriu a casa Civil durante 5 anos? Que transformações sofreu a ‘gerente do PAC’ envolvida em escândalos e mais escândalos de corrupção para, de uma hora para outra, ter um surto moralizante e resolver fazer uma faxina na base que a elegeu?

O argumento mais recorrente é que antes, Dilma não teria condições de promover tais mudanças pela limitação do cargo. Hoje, como presidente, disporia de mais recursos para tal. Bom, para validarmos esse argumento, deveríamos esquecer de alguns fatos que contaram com a sua participação ativa:

03/2008Dilma montou Dossiê contra FHC como estratégia para defender governo Lula de irregularidades no uso dos Cartões Corporativos;

Ela assumiu a coleta de informações mas dizia que era só “banco de dados”.

06/2008Dilma nomeou mulher de representante das Farc no Brasil para cargo no governo;

Durante a campanha eleitoral ela desmentiu a informação. Inútil porque o Jornal Gazeta do Povo (PR) possui cópia do documento em que Dilma assina a transferência da servidora para o ministério da Pesca em 2006.

08/2009Ex-Secretária da Receita acusou Dilma de pressionar o fim das investigações contra a Família Sarney;

Dilma negou o pedido e disse que nunca se encontrou com a servidora para tratar do assunto. As gravações das câmeras de segurança que comprovariam o encontro foram inexplicavelmente apagadas.

06/2010Campanha de Dilma montou um dossiê contra José Serra;

Dilma negou até existência de quebra de sigilo fiscal na Receita Federal. Meses depois teve que mudar a versão e admitir a violação, embora tenha negado envolvimento de dirigentes de dua campanha. A imprensa a época tratou o dossiê como “suposto”. No entanto servidores da Receita caíram após a descoberta de violações das informações fiscais de dirigentes da campanha tucana.

09/2010Indicada por Dilma, Erenice Guerra cai após confirmação das denúncias de corrupção;

Esse é um caso emblemático. Erenice entrou no governo pela cota particular de Dilma. Só no governo Lula, trabalhou com ela durante 7 anos! Todas as verbas que favoreceram os integrantes da família de Erenice foram APROVADAS por Dilma. Entretanto a imprensa insistiu em separar as duas. Esforço que dura até hoje.

Esses são apenas alguns dos casos de improbidade ligando a agora presidente e que foram esquecidos pela maior parte do colunismo político. Alguns deles não são passíveis de punição, outros, sem dúvida que sim. Seja como for, não é porque foram deixados de lado e a Dilma se elegeu que devemos nos esquecer. Ou devemos?

Hoje, o jornalista Jorge Moreno publicou uma reportagem com a mais nova faxineira da República, realizada durante um jantar no Palácio do Planalto. Presentes no repasto, além do próprio jornalista, a ministra da Comunicação Helena Chagas (a que contou fofocas sobre o caseiro Francenildo que lhe renderam o atual cargo) e a musa do colunista, Gleisi Hoffman.

Na entrevista ficamos conhecendo a Dilma ‘humana’, que gosta de novelas, cordial com quem diverge de sua ‘visão de mundo’, e disposta a fazer uma ‘faxina’ no ministério. Entendo que seria indelicado com a presidente tratar de assuntos indigestos na hora do jantar. O que não entendo muito bem é o que uma reunião como essas acrescenta. Funcionaria como matéria do Ego ou da Caras, mas como jornalismo político, pra começo de conversa, um convite desses só serve para empanturrar o convidado e alimentar o marketing em torno da figura da presidente. Adiante.

Dilma já viveu o suficiente para entrar na fila preferencial do supermercado. Até o ano passado estava respondendo por delitos cometidos durante a sua gestão na Casa Civil. Hoje, não precisa nem esbugalhar os olhos e dilatar a pupila como o personagem de Shrek para inebriar os corações dos jornalistas. Basta dizer que vai fazer, rifar algumas cabeças pra dar satisfação a sociedade e seguir em frente.

Muitos dirão que não deveríamos dar atenção para casos requentados, denúncias que não foram investigadas, e que sempre há espaço para o jornalismo humanista que muito se assemelha ao jornalismo de celebridades. Dirão também que a indignação de Dilma é verdadeira e tal… Bom, nesse caso não se assuste se você presenciar novamente isto:

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