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Ecologia de mentirinha

Deu no Estadão, reportagem de Lu Aiko Otta:

Obras de ampliação de estradas não vão precisar de estudo de impacto ambiental – Decreto preparado pelos Ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente também dispensará estudos para obras de manutenção – BRASÍLIA – Os investimentos públicos federais e de empresas privadas em rodovias concessionadas ganharão um empurrão. Os Ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente preparam para as próximas semanas decreto que dispensará estudos de impacto ambiental para licenciar obras de duplicação e manutenção das estradas que estejam no Sistema Nacional de Viação (…) “Não discordo de fazer essas correções. Elas ajudarão a preservar as rodovias”, avaliou o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot. Ele informou ao Estado que os decretos já estão em fase de discussão e há grande expectativa em relação a eles. Hoje, até para fazer uma obra de terceira faixa em trechos de curva perigosa é preciso fazer estudo de impacto ambiental – exigência que o Dnit propõe dispensar.

Mais radical. Do ponto de vista do Dnit, o ideal seria um desenho ainda mais radical: que o Ibama fosse o único órgão a licenciar obras em rodovias. Hoje, dependendo do projeto, é preciso aval de outros órgãos, como a Fundação Nacional do Índio (Funai), se tiver impacto em comunidades indígenas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), se passa por sítios arqueológicos, a Fundação Palmares, se afeta quilombolas e o Instituto Chico Mendes, se tem impacto em áreas de preservação. “Hoje o licenciamento não é ambiental, é socioambiental”, disse Pagot. Ele informou que tem 420 especialistas, como arqueólogos e antropólogos, trabalhando direta ou indiretamente para o órgão na elaboração de estudos. “Há casos em que levo mais tempo para conseguir licença do que para fazer a obra.” Pagot propõe que o Ibama seja o licenciador e, nos demais casos, sejam adotadas políticas mitigadoras de danos, quando houver…” (grifos nossos)

Comentário
Quando se trata de Código Florestal, os governistas são amplamente favoráveis ao mais extremo radicalismo. Isso tem endereço certo: produtores rurais. Por algum motivo que fica entre a adolescência ideológica e a pura estupidez, ainda há figuras partidárias que demonizam o agronegócio.

Mas não estão nem aí para o meio-ambiente. Querem mais é que tudo se lasque. Vejam, por exemplo, a usina de Belo Monte e, agora, esse trator governista atropelando impactos ambientais. São dois discursos em uma única matéria: contra inimigos (produtores rurais), vale usar toda sorte de subterfúgios idiotas pseudo-ambientalistas; em favor de obras governistas, a natureza é que se exploda.

Se prestarem atenção, isso cabe em praticamente todos os campos de atuação dos partidos governistas.

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