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Fifa ameaça utilizar cláusula para tirar a Copa de 2014 do Brasil

Embora muita gente ainda não saiba, a Copa do Mundo é um evento privado e, como tal, obedece critérios comerciais para definir sua realização. Caso o país sede não dê garantias suficientes para a realização do mundial, cabe a Fifa zelar pelos interesses dos patrocinadores e buscar outra solução. Dito isto, leiam a notícia do Panorama Esportivo do jornal O Globo:

RIO – Há mais de uma década acompanhando os bastidores da Fifa, a coluna desconfiou que o silêncio de Zurique em relação à Lei Geral da Copa-2014 não era um bom sinal. Se tivesse gostado, logo elogiaria, como sempre faz a Fifa nesses casos. Fomos apurar e descobrimos que a situação é mais grave. Existe, sim, a ameaça de rompimento, amparada pela cláusula 7.7 do Host Agreement (Contrato para Sediar).

Hoje, não seria surpresa se a Fifa anunciasse, até o próximo dia 5, o cancelamento do evento de 20 de outubro – quando o Comitê Executivo da entidade planeja divulgar o calendário de jogos nas cidades-sedes tanto da Copa das Confederações-2013 quanto do Mundial-2014.

A cláusula 7.7, do contrato, assinado pelo governo brasileiro, estabelece o dia 1 de junho de 2012 – exatamente 2 anos e 11 dias antes da partida de abertura do Mundial-2014 – como prazo final para a Fifa rescindir o contrato e tirar a Copa-2014 do Brasil, sem pagamento de multa.

Diz o texto da 7.7 que a rescisão será aplicada caso as leis e regulamentos necessários para a organização da Copa do Mundo-2014 não tenham sido aprovados, ou caso as autoridades competentes não estejam cumprindo as garantias governamentais exigidas.

As garantias e responsabilidades exigidas pela Fifa também fazem parte do Acordo de Candidatura, entregues em 31 de julho de 2007, pelo presidente Lula, três meses antes de o país ter sido confirmado como sede do Mundial.

A Lei Geral da Copa, enviada ao Congresso no último dia 19 pela presidente Dilma Rousseff, é o ponto de discórdia. A coluna pôde apurar em Zurique que itens como ingressos, credenciamento, proteção ao marketing de emboscada, gratuidades e até transmissão de TV foram editados em desacordo com o que foi discutido e acertado em fevereiro deste ano, em Brasília, durante reunião do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, e técnicos do governo. Além disso, a infraestrutura dos aeroportos e os projetos de mobilidade urbana são considerados incipientes pela entidade.

Pudemos apurar que a Fifa argumenta não ter como garantir aos patrocinadores a proteção às suas marcas. E a entidade teme inviabilizar o modelo da Copa do Mundo, que responde por 89% de sua arrecadação de quatro anos, se aceitar a Lei Geral da Copa-2014 como foi mandada pela presidente brasileira para o Congresso.

As duas partes podem até negar, mas apuramos também que Valcke e o Comitê Organizador Local (COL-2014) perderam a confiança em Orlando Silva e não querem mais negociar com o ministro. E que uma nação plano B já é pensada, para o caso de a Lei Geral da Copa não ser modificada.

Os próximos dias serão decisivos.

Link da notícia aqui.

Comentário:

Caso se confirme a desistência do secretário-geral da Fifa em negociar com o ministro Orlando Silva, o governo brasileiro, vejam vocês, ficará refém do bom relacionamento do secretário com Ricardo Teixeira. Essa deve ter atingido em cheio a moral de alguns blogueiros que acharam que Dilma conseguiria driblar o cartola brasileiro com a simples convocação de Pelé para propagandear o governo.

Sinceramente, e esta é uma opinião pessoal, acho difícil que a Fifa desista do Brasil. Ainda mais faltando pouco tempo para o início do mundial.

Esse imbróglio todo serve mais para evidenciar o caos gerencial da administração petista. Fosse um evento que não tivesse o monitoramento de entidades internacionais, o governo levaria as coisas no gogó, e a velha “gambiarra” seria esquecida com algumas doses de cerveja.

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