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Higienista? Gestão Haddad abandona moradores de rua do centro de São Paulo

Prefeito também pretende cortar 15% da verba da área social

2013-05-28-SENAI2-HB

Duas matérias recentes do Estadão mostram todo o “amor” da administração petista pelos mais desfavorecidos. No último sábado, reportagem informa que os centros de convivência do centro estão abandonados:

Há lixo por todo lado, fezes na pia e pessoas tomando banho em canos. Mulheres e crianças dormem em barracos feitos com restos de madeira e lona, enquanto homens fumam maconha e jogam dominó. O único sinal de que se trata de um equipamento municipal, voltado para moradores de rua, é um assistente social de colete azul e uma prancheta na mão.

Os centros de convivência foram criados na gestão de Gilberto Kassab (PSD) para que moradores de rua passassem o dia, tomassem banho e usassem os banheiros – ao contrário dos albergues, ali não é permitido passar a noite. Quase um ano após a posse de Fernando Haddad (PT), os espaços e seus arredores se deterioraram. A pior situação é na unidade do Parque Dom Pedro II, onde a reportagem encontrou a situação descrita acima.

“Não tem chuveiro, o banheiro está entupido, a Prefeitura não dá comida e o material de limpeza não dá para nada”, diz Robson Ferreira, de 23 anos. Ele é um dos moradores retirados da Sé no dia 9 de outubro, por um aparato de 46 guardas-civis e 15 assistentes sociais, além de equipes de limpeza. Na quarta-feira, o local para onde as pessoas foram encaminhadas só tinha um funcionário.

Em uma volta pelo lugar, a reportagem é abordada por vários moradores pensando que se tratava de uma equipe da Prefeitura. Irritados, eles cobram o cumprimento de promessas que dizem ter ouvido para que saíssem da Sé. “Estou esperando o bolsa-aluguel que me prometeram”, afirma Cleuza de Freitas, de 51 anos. Segundo ela, os últimos funcionários públicos que pisaram ali recolheram o lixo, colocaram em sacos e abandonaram tudo no mesmo lugar.

O local foi definido pela secretária de Assistência Social, Luciana Temer, como uma “experiência de autogestão” que não deu certo (veja a entrevista na página A26). Para o padre Júlio Lancellotti, é o “símbolo da total ausência de políticas públicas do Município”. “A Prefeitura foi pressionada para tirar o povo da Praça da Sé e os escondeu, sem nenhum planejamento”, diz o religioso, que é vigário do povo da rua.

Isca. A reportagem do Estado passou por outros três centros de convivência. Dois deles, o Alcântara Machado e o Bresser, ambos na zona leste, foram cercados por barracos. “Nós não permitíamos isso. Na nossa época, era combatido”, afirma a ex-titular de Assistência Social e vice-prefeita de Kassab, Alda Marco Antonio, idealizadora das tendas.

“Os nossos educadores não trabalhavam só dentro, mas também no entorno (das tendas). Porque, se você tem um trabalho dentro, você não pode permitir que se faça o que quiser fora. Hoje eu vejo morador dormindo (na frente do equipamento)”, afirma Alda.

Ela explica que um dos objetivos das tendas era ser uma isca para atrair os moradores de rua para os albergues. “Um dos resultados é que, de 3 mil moradores de rua que visitavam todo dia a tenda, nem todos tomavam banho todos os dias, mas usavam o banheiro. Isso significava que estavam deixando de depositar nas calçadas três toneladas de fezes todos os dias.”

Crítico da gestão de Kassab, considerada por ele higienista, Anderson Lopes Miranda, do Movimento Nacional da População de Rua, também ataca a gestão Haddad. “Vivi 22 anos na rua, nunca vi uma omissão tão grande quanto a que estou vendo hoje”, afirma. “Muda o prefeito, mas não muda a ação da Prefeitura.”

(grifos nossos)

Na semana passada, a Câmara Municipal aprovou corte de 15% na verba da área social, apesar da expectativa de arrecadação recorde:

A Câmara Municipal aprovou nessa quarta-feira, 4, em primeira votação, com 36 votos a favor, 10 contra e 2 abstenções, a proposta orçamentária de 2014. O texto, que ainda passará por segunda votação, prevê R$ 50,5 bilhões em receita – alta de 20% em relação a 2013 -, e uma redução total de 15% nos recursos destinados à área social.

A oposição já acusa a gestão Fernando Haddad (PT) de abandonar os investimentos na construção de novos albergues e no atendimento à população de rua, hoje protegida em barracas de lona ou mesmo de madeira. Os abrigos estão instalados em calçadas, pontos turísticos – como o vão livre do Masp – e até vias públicas.

Somados os recursos destinados à secretaria e ao Fundo Municipal da Assistência Social, a área receberá R$ 967 milhões em 2014. Antes de deixar o governo, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), criticado por lideranças comunitárias e pelo PT por adotar uma política higienista em relação aos moradores de rua, deixou um orçamento de R$ 1,1 bilhão para este ano.

“É por isso que a cidade tem moradores por todos os cantos, sem assistência. As barracas se espalharam por lugares históricos da cidade, e essa população carente não tem nem onde comer”, criticou Andrea Matarazzo (PSDB), ex-secretário de Coordenação das Subprefeituras na gestão Serra/Kassab.

“A verba dos convênios foi reduzida e nós tivemos fechadas 20% das vagas para crianças em abrigos. Hoje, São Paulo não tem política de assistência social nem para criança e adolescente nem para a população de rua”, emendou Floriano Pesaro, líder do PSDB e ex-secretário municipal de Assistência.

A queda de verbas aprovada ontem na área social ocorre justamente no ano em que a Prefeitura prevê um recorde de R$ 8 bilhões em investimentos, com aporte inédito de esperados R$ 6 bilhões do governo federal. Para o governo, porém, a peça orçamentária não revela todo o investimento que terá o setor. Em 2014, a gestão espera incluir mais 100 mil pessoas no Bolsa Família – ao longo deste ano, o número de beneficiados passou de 228 mil para 338 mil.

(…)

(grifos nossos)

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